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sexta-feira, 24 de abril de 2020

Demolida a antiga Casa de Saúde de Estarreja

(Imagem Google Street View, Julho 2018)

Constava há alguns meses que a antiga Casa de Saúde de Estarreja estava para ser demolida, o que veio a acontecer no dia 18 de Janeiro último. O edifício, junto à rotunda das bateiras e à Caixa Geral de Depósitos, que serviu há poucos anos como sede dos serviços administrativos da Civilria, conhecida empresa do sector da construção civil, encontrava-se actualmente desocupado. Construído na década de 1940, foi durante décadas a casa e a clínica médica do Dr. Manuel Figueiredo, até ao seu falecimento, ocorrido em 1978.

Manuel Luiz da Costa Figueredo (1904-1978), que não era natural de Estarreja (nasceu no Brasil) nem tinha ligações familiares ao concelho, para aqui veio morar em 1931, quando acabou de cursar Medicina em Coimbra. Activo opositor ao Estado Novo, participou com destaque nas campanhas presidenciais do General Norton de Matos (1948) e do General Humberto Delgado (1958), entre outras significativas actividades políticas oposicionistas. Por outro lado foi membro da maçonaria e, não sendo católico, notou-se junto da mentalidade da época o seu casamento civil, com uma senhora de boa família local. Na vida associativa estarrejense foi um dos fundadores e primeiro presidente do Rotary Club de Estarreja, em 1962, fundando aqui mais tarde o Elos Clube.

Quando abriu portas o Hospital Visconde de Salreu veio a ser o único dos médicos de Estarreja que não foi chamado a nele prestar serviço, atentas as mencionadas circunstâncias da sua personalidade. Acabou por contar-se entre os notáveis locais promotores da criação de um Dispensário Anti-Tuberculoso, alternativo ao da Misericórdia e inaugurado em 1949. Este mais tarde deu lugar à Casa dos Pobres, também por si promovida, ambos situados na Rua da Escola do Agro, em edifício hoje integrado no património da Misericórdia.

Após chegar a Estarreja, o Dr. Manuel Figueiredo teve consultório na vila e em várias freguesias do concelho. Com o passar do tempo juntou às consultas serviços terapeuticos e pequenos tratamentos, passando depois às pequenas cirurgias, a que se seguiram as cirurgias de maior monta, em que participavam médicos vindos de fora da terra. Esta evolução deu origem à sua Casa de Saúde de Estarreja, uma importante clínica privada alternativa ao Hospital Visconde de Salreu, com quartos para o internamento dos pacientes, que nos inícios dos anos 50 já possuíam telefone, como relata uma desenvolvida reportagem da época (O Jornal de Estarreja, n.º 2933, 25.9.1954, p. 1). Os serviços médicos incluíam a clínica geral e várias especialidades, com medicina e cirurgia de urgência, contando com uma ampla sala de operações. Na mesma altura (1954) possuía instalação de raios X, para radiografias do tórax, estômago e outras, secção de agentes físicos com aparelhagem moderna para fisioterapia, raios infravermelhos, ultravioletas, diaternia, choques e alta frequência. Também ali se realizaram partos. Por estes motivos muitos estarrejenses viam na casa agora demolida o local onde nasceram, onde se curaram e onde salvaram a sua vida.

In
O Jornal de Estarreja, n.º 4849, 8.2.2019, p. 2

A pneumónica, ou gripe espanhola, em Estarreja (1918-1919)


Numa altura em que os noticiários falam diáriamente do sarampo, recordamos uma pandemia que faz este ano um século. A maior pandemia da história da humanidade (nem a Peste Negra vitimou tanta gente), a penumónica, mais conhecida por gripe espanhola, ocorreu há 100 anos, entre 1918 e 1919. Actualmente, as estimativas mais optimistas e pessimistas oscilam entre os 50 e os 100 milhões de pessoas mortas em todo o mundo, sobretudo jovens. Os mortos, porém, terão sito apenas 2,5 % dos infectados, podendo a pandemia ter atingido metade da população mundial. A origem da penumónica ainda hoje é controversa, contudo a sua primeira manifestação conhecida ocorreu nos Estados Unidos da América. Ficou injustamente conhecida por gripe espanhola, devido à divulgação que dela fez a imprensa deste país, que não participou na 1.ª Grande Guerra. Pelo contrário Portugal e outros países silenciaram, ou censuraram, a mortandade causada pela penumónica.

Chegou a Portugal em Maio de 1918, manifestando-se mais brandamente até Julho desse ano. Entre Agosto e Dezembro de 1918 decorreu uma vaga mais violenta no país, causando neste período a grande maioria das mortes. Novamente as estimativas oscilam, entre as 60 e as 120 mil mortes no país, principalmente pessoas jovens, entre os 20 e os 40 anos. Entre as vítimas mortais encontram-se nomes conhecidos, como os dois pastorinhos videntes de Fátima, Francisco e Jacinta Marto. Estava então a terminar a Grande Guerra, que não vitimou tanta gente, e nas vésperas de passar por Estarreja a Monarquia do Norte. Portugal vivia assim uma trilogia de “fome, peste e guerra”, com a escassez de bens alimentares, a pneumónica e a Grande Guerra.

A maioria dos estarrejenses de hoje poderá ter familiares que foram vítimas mortais da gripe espanhola. Entre os registos paroquiais e civis de óbito encontra-se a identificação de uma boa parte dessas vítimas, embora nem sempre os registos indiquem a causa da morte. Os jornais locais, designadamente O Jornal de Estarreja e O Concelho de Estarreja, publicaram na época várias notícias sobre o flagelo. Transcrevem-se aqui duas notícias d’O Jornal de Estarreja, datadas de Dezembro de 1918, reveladoras do que se passou no concelho.

Marco Pereira


«A epidemia
Algo tem decrescido na villa a epidemia da influenza pneumonica, continuando, porém, a grassar com alguma intensidade n’alguns logares do concelho.
Em Santo Amaro ha um caso da morte d’uma famila inteira, a de «José Cego».
No Bunheiro está agora a manifestar-se.
É impossivel darmos os nomes de assignantes e amigos que teem sido atacados e felizmente teem escapado.
Os que escapam ao terrivel mal teem muito que contar!
Os estragos causados pela gravissima epidemia n’este concelho são verdadeiramente aterradores.»
O Jornal de Estarreja, n.º 1626, 8.12.1918, p. 3

«A epidemia no concelho
Movimento demografico
Não queremos, pelo que é de horroroso, nem podemos pela falta de espaço, dar a lista dos mortos que desde Outubro tem havido neste concelho.
Apenas em resumo diremos que no mez de Outubro houve 294 obitos e no mez de de novembro 319 e que durante os nove mezes antecedentes de 1918 houve menos obitos do que n’estes dois ultimos mezes.
Eis o movimento demographico do concelho dos referidos mezes:
OUTUBRO
Nascimentos 73
Casamentos 20
Obitos 294
NOVEMBRO
Nascimentos 74
Casamentos 15
Obitos 310
Vê-se, pelo obituario da 1.ª quinzena do mez corrente, que a epidemia vae decrescendo sensivelmente em todo o concelho.»
O Jornal de Estarreja, n.º 1627, 15.12.1918, p. 3

In
O Jornal de Estarreja, n.º 4828, 6.4.2018, p. 2

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Serviços Anti-Tuberculosos

Os Serviços Anti-Tuberculosos da Misericórdia de Estarreja consistiram primeiro num Dispensário Anti-Tuberculoso (prestava cuidados de saúde) e mais tarde um Pavilhão-Abrigo para Tuberculosos (internamentos).

O Dispensário era a resposta da Misericórdia à necessidade de uma época[1], e parece ter-se construído com o apoio financeiro da Junta de Província da Beira Litoral[2]. Uma comissão exterior à Misericórdia procurou construir outro Dispensário Anti-Tuberculoso em Estarreja, do que surgem notícias várias em “O Jornal de Estarreja” por volta de 1940.

Inaugurava a Misericórdia em 3.8.1941 o Dispensário Anti-Tuberculoso D. Alice Garcia de Rezende, nome da esposa de António Joaquim de Rezende, benemérito que suportou parte dos custos de edificação[3].

No entanto em notícia de 1949 voltava a anunciar-se a abertura de um Dispensário, após muitos anos de subscrição pública[4]. A inauguração de 1949 corresponderá provavelmente ao edifício da Casa dos Pobres, construído por um grupo de pessoas exteriores à Misericórdia, originalmente com o fim de Dispensário Anti-Tuberculoso, e portanto sem internamentos. Estarreja possuiu pois dois equipamentos em simultâneo com as mesmas funções, ainda que o segundo fosse mais modesto.

Realizou-se outra inauguração do Dispensário Anti-Tuberculoso da Misericórdia, por ser instalado de novo, em 27.12.1953, com a presença de diversas individualidades[5]. Esta inauguração respeitaria talvez a apetrechamento do edifício de 1941, dotando-o de recheio capaz e suficiente, que antes era muito limitado. Os internamentos, se não se faziam anteriormente, iniciaram-se nesta altura.

Não tardaram mais melhoramentos, inaugurados em 5.1.1958, com as solenidades em que este período foi fértil. O Pavilhão-Abrigo para Tuberculosos abria então acrescentado de um primeiro andar, com mais camas e condições[6].



Publicidade aos serviços do Dispensário Anti-Tuberculoso
(O Concelho de Estarreja, n.º 2078, 30.5.1942, p. 2). 



O Provedor Dr. João Assis Pereira de Melo no uso da palavra em 27.12.1953, por ocasião da inauguração de: alterações no asilo da 3.ª Idade da Misericórdia (aumenta capacidade para 36 asilados); novas instalações do Dispensário Anti-Tuberculoso; pavilhão de doenças infecto-contagiosas no Hospital; e Bloco Cirúrgico (mudado e instalado de novo). Nesta mesma data inauguraram-se, no concelho de Estarreja, duas escolas e o Grémio da Lavoura, pelo Conselheiro Albino dos Reis, Presidente da Assembleia Nacional.
(O Jornal de Estarreja, n.º 2917, 25.1.1954, p. 1; O Concelho de Estarreja, n.º 2662,
2.1.1954, pp. 1-2, 7-8; O Concelho da Murtosa, n.º 1191, 30.1.1954, p. 1;
Memória manuscrita de Arlindo Cunha, antigo Mesário da Misericórdia.)



Vista actual do Edifício que albergou os Serviços Anti-Tuberculosos da Misericórdia de Estarreja.




Inauguração do Pavilhão-Abrigo para Tuberculosos, a 5.1.1958, que aumentou capacidade de 10 para 42 camas, com capela privativa. Distinguem-se no primeiro plano, da esquerda para a direita: Dr. Francisco do Vale Guimarães (Governador Civil de Aveiro), Prof. Doutor João de Matos Antunes Varela (Ministro da Justiça), Conselheiro Albino dos Reis (Presidente da Assembleia Nacional), D. Manuel Maria Ferreira da Silva (Arcebispo de Cízico, em representação do Bispo de Aveiro que, doente, faleceria nesse dia), e o Dr. João Assis Pereira de Melo (Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Estarreja). O Ministro da Justiça fez-se acompanhar do seu Secretário, Dr. Pires de Lima, e do Inspector da P. J. de Coimbra, Dr. José Cabral.
(O Jornal de Estarreja, n.º 3012, 10.1.1958, p. 1; JE, n.º 3013, 25.1.1958, p. 2.
NOTA: No mesmo dia inauguraram-se as Casas dos Magistrados.)



Na mesma ocasião da fotografia anterior, em 5.1.1958, identificando-se em primeiro plano, da esquerda para a direita: Arcebispo de Cízico, Conselheiro Albino dos Reis, Dr. João Assis Pereira de Melo, Prof. Doutor João de Matos Antunes Varela e o Dr. Jaime Ferreira da Silva (Presidente da Câmara Municipal de Estarreja).



Vista actual do Edifício que albergou os Serviços Anti-Tuberculosos da Misericórdia de Estarreja.



Este edifício dos Serviços Anti-Tuberculosos esteve depois desactivado, devido à assinalável diminuição do número de tuberculosos. O espaço estava desocupado quando entrou em obras para albergar um novo serviço do Estado, o Centro de Saúde de Estarreja. Começou este a funcionar em 2.12.1975, com as especialidades de Clínica Geral (Cuidados Médicos de Base), Pediatria (Saúde Infantil) e Obstetrícia (Saúde Materna)[7].

Por outro lado o Dispensário Materno-Infantil, de que foram directores o Dr. Oliveira e Silva e o Dr. Albino de Sá, e que funcionava na Casa da Criança, veio a ser transferido para o mesmo local e na mesma altura que o Centro de Saúde (1975). No espaço assim vago na Casa da Criança instalou-se um laboratório de análises clínicas. Por fim os Serviços Médico-Sociais e as Caixas de Previdência passaram a integrar os Centros de Saúde em 1983.

Mais recentemente, prevendo-se o vagar do edifício dos antigos Serviços Anti-Tuberculosos, devido à construção de uma nova Extensão de Saúde em Salreu, programou-se ampliar o Lar de Idosos da Misericórdia para a casa desocupada[8]. A nova Extensão de Saúde de Salreu inaugurou-se em 7.4.2003[9], deixando o antigo edifício pouco antes.

Actualmente pretende-se recuperar o antigo Pavilhão-Abrigo para Tuberculosos, com ele alargando e remodelando o Lar da Terceira Idade, que aumentará a capacidade em mais 15 utentes. Para isso está aprovado apoio do Estado[10].




[1] Veja-se, sobre o Dispensário Anti-Tuberculoso, Filipe de FIGUEIREDO, IV, 1989, pp. 495 e ss.
[2] Filipe de FIGUEIREDO, IV, 1989, p. 500.
[3] O Povo de Pardilhó, n.º 747, 2.8.1941, p. 1, e n.º seguinte.
[4] O Jornal de Estarreja, n.º 2810, 25.7.1949, p. 2.
[5] O Jornal de Estarreja, n.º 2917, 25.1.1954, p. 1.
[6] O Jornal de Estarreja, n.º 3012, 10.1.1958, p. 1.
[7] O Jornal de Estarreja, n.º 3444, 10.1.1976, p. 4.
[8] Revista “Estarreja”, n.º 2, 1998, p. 4.
[9] O Jornal de Estarreja, n.º 4201, 11.4.2003, p. 20; O Concelho de Estarreja, n.º 4129, 15.4.2003, p. 1.
[10] O Jornal de Estarreja, n.º 4502, 18.12.2009, pp. 8-9.


In "História da Santa Casa da Misericórdia de Estarreja", Santa Casa da Misericórdia de Estarreja, 2010, pp. 21-26

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Bodas de Ouro do Centro Paroquial de Assistência da Freguesia de Pardilhó


O Pe. Manuel Garrido, natural do Bunheiro, chegou a Pardilhó em 1955 como pároco. Aqui sensibilizou-se com as crianças pobres que ficavam entregues a si mesmas, enquanto os pais iam ganhar o sustento da família, apanhando pinhas para vender nas padarias. A primeira medida do sacerdote foi instituir “famílias de acolhimento”, em que uma criança de família com mais posses levava a almoçar em sua casa outra de família necessitada.

Este foi o impulso para a criação do Centro Paroquial de Assistência da Freguesia de Pardilhó, que teve aprovação Canónica em 30 de Abril de 1962, e dirigiu as suas atenções para a criação de uma Cantina Escolar. Com a ajuda do povo a cantina construiu-se no espaço das escolas de Pardilhó, e em 5 de Maio de 1963 foi inaugurada pelo Bispo de Aveiro, D. Manuel de Almeida Trindade.


Entre 1967 e 1969 decorreram obras significativas na igreja de S. Pedro de Pardilhó, e em terreno anexo construiu-se o Salão Paroquial, com Centro Infantil (Jardim-de-infância). As duas obras, a cargo do construtor Francisco Farinhas, foram inauguradas a 6 de Janeiro de 1969, em cerimónia presidida pelo Bispo de Aveiro, D. Manuel de Almeida Trindade.

Uma nova valência abriu em Setembro de 1974, a Creche, funcionando provisoriamente em salas anexas à própria igreja. Em 1982 os estatutos do Centro Paroquial foram revistos, ampliando o seu objecto para a assistência à infância, juventude, idosos e população desfavorecida em geral. No ano de 1988 realizaram-se melhorias no Salão Paroquial, também então ampliado para nascente, e para cujo espaço foi transferida a Creche.

O Centro Paroquial de Assistência constitui o maior legado do Pe. Manuel Garrido, que foi pároco de Pardilhó de 1955 a 1987, num total aproximado de 33 anos.

No início de 1992 o Pe. Pedro Cerantola (animador vocacional e pároco a partir de 1993) e o Pe. Hugo Fent (pároco) concluíram que o Centro Paroquial não reunia condições capazes para as suas valências. Assim, decidiu-se a construção de um espaço maior e mais saudável, para o que se iniciou a procura de terrenos. Nessa busca surgiu a possibilidade de construir na Quinta do Rezende, que pertencia à Misericórdia de Estarreja.

Solicitado apoio financeiro à Segurança Social, esta mostrou-se indisponível para apoiar a construção de um Lar de Idosos, mas favorável a um Centro de Dia. A ideia avançou, e na Quinta do Rezende viria a ser cedido espaço ao Centro Paroquial, para construção do seu Infantário, Creche e Centro de Dia. Os projectos ficaram prontos em 1995 e a obra foi adjudicada, iniciando-se de facto no terreno em 1996. A nova casa do Centro Paroquial entrou em funcionamento em 1999, com algumas obras exteriores por concluir, e foi formalmente inaugurada em 2001.


Com uma casa maior, aumentaram as valências e o número de beneficiários servidos pelas mesmas. Para as crianças, Creche, Jardim-de-infância e ATL. Para os idosos, Centro de Dia, Centro de Convívio, e Apoio Domiciliário. Acresce o Gabinete de Atendimento e Acompanhamento Social. As antigas instalações continuaram a albergar algumas valências sociais, caso da Cáritas.

Esta nova fase da obra social do Centro Paroquial, que germinou na década de 1990, teve à cabeça o Pe. Pedro Cerantola, sacerdote missionário das comunidades migrantes, natural de Itália, e pároco de Pardilhó entre 1993 e 2000.
 

In O Concelho de Estarreja, n.º 4237, 17.4.2012, p. 9

sábado, 21 de abril de 2012

Apresentação do livro "História do Centro Paroquial e da Paróquia de Pardilhó"

O Centro Paroquial de Assistência da Freguesia de Pardilhó celebra no próximo dia 30 de Abril de 2012 os seus 50 anos de existência. Para celebrar a data está preparado um programa de festejos, cujo ponto alto ocorrerá no dia 29 de Abril (Domingo):
16:00 horas - Eucaristia na Igreja de S. Pedro de Pardilhó, celebrada pelo Senhor Bispo de Aveiro, D. António Francisco dos Santos;
- Após a Eucaristia seguirá um desfile até ao Centro Paroquial, onde decorrerá uma Sessão Solene, seguida de lanche;
- Durante a sessão solene será apresentado o livro "História do Centro Paroquial e da Paróquia de Pardilhó", da autoria de Marco Pereira.

O Centro Paroquial de Pardilhó é uma IPSS, fundada em 30 de Abril de 1962, e actualmente com as valências de Jardim-de-infância, Creche, Centro de Dia, Centro de Convívio, Apoio Domiciliário, Gabinete de Atendimento e Acompanhamento Social, Cáritas, e CLDS - Contrato Local de Desenvolvimento Social. Presta serviços a milhares de pessoas no concelho de Estarreja, mas centra a sua actividade especialmente na freguesia de Pardilhó, onde faz a diferença na vida de várias centenas de pessoas. Com estas valências garante 32 postos de trabalho.
 

O livro que será apresentado é da autoria de Marco Pereira, advogado com escritório em Estarreja, e intitula-se “História do Centro Paroquial e da Paróquia de Pardilhó”. Abrange dois temas próximos:
1) Por um lado a evolução do Centro Paroquial, fundado em 1962 pelo Pe. Manuel Garrido e que começou com uma Cantina Escolar, abarcando depois várias valências sociais, em especial destinadas à infância. Mais recentemente o Pe. Pedro Cerantola encabeçou a construção das novas instalações, na Quinta do Rezende, com valências para crianças, idosos, e população necessitada em geral.
2) Outra vertente é a história da paróquia de Pardilhó, desde finais do século XVI. A primeira igreja de Pardilhó foi construída no século XVII, e substituída pela actual inaugurada em 1835. Duas capelas se construíram no século XVIII, Nossa Senhora dos Remédios e Santo António, esta segunda substituída na primeira metade do século XX. A história da Igreja em Pardilhó inclui a existência de um Bispo, D. Manuel Maria Ferreira da Silva, com longa obra nas Missões.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

A Terra Marinhoa na Idade Média - Território

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DEFINIÇÃO DE TERRA MARINHOA. – Procurando de certo modo explicar o que seja a terra da Marinha, escreveu Gonçalo António TAVARES DE SOUSA [28], referindo-se às terras de Avanca e Beduído aquando da doação de 1257, que «A estas duas Villas se reduzia n’esse tempo a povoação do territorio que depois veio a constituir o concelho de Estarreja, sendo mattos, pantanos, e juncaes todo o tracto de terra que fica para a parte do mar, que por isso ainda agora se designa pelo nome de Marinha, e comprehende quatro Freguezias, Pardilho e Bunheiro, que se desmembraram, e desmembraram da matriz de Avanca, - e Veiros, e Murtosa que se desmembraram da sua matriz, S. Tiago de Bedoido».

Na versão de José TAVARES [29] «As freguesias do concelho da Murtosa e as de Pardilhó e Veiros, do concelho de Estarreja, têm grandes afinidades entre si e acentuada autonomia em relação às circunscrições vizinhas. Formam uma região natural com individualidade própria, reconhecida geralmente e desde remota idade, cujas características encontram na designação topográfica de Marinha completa e definitiva expressão. Marinha é o conjunto de povoações e terras de cultivo que, a partir da Idade Média, se vêm formando no embrechado de esteiros e canais do acidente marítimo da Ria, entre Fontela e a foz do Rio Velho, até ao rebordo serrano, de areias soltas, que ligava as antigas vilas de Antuã e Avanca».

Temos pois, para alcançar uma definição satisfatória de Terra Marinhoa, as seguintes características: Na geografia física, um território de terras baixas e altitude quase constante, pouco acima das águas do mar, constituído por terrenos arenosos formados por aluvião. Na geografia humana uma certa identidade, cultural e económica, mais ou menos comum, embora com diferenças assinaláveis que permitem distinguir cada uma das freguesias entre si. Em suma a Terra Marinhoa corresponde às freguesias de Pardilhó, Bunheiro, Murtosa, Monte e Veiros, devendo juntar-se-lhes por razões de semelhança a Torreira e certas franjas dos concelhos de Estarreja e Ovar.

Fig. 2. Fases da formação da Ria de Aveiro (Amorim Girão, “Geografia de Portugal”, 1941, p. 104).

FORMAÇÃO DA RIA DE AVEIRO. – Alberto SOUTO defendeu que a formação da ria de Aveiro se divide em três fases [30]: primeiro ter-se-ia formado a Terra Marinhoa, depois a Gafanha, e por fim a vasta língua de areias da Gelfa, em parte da qual assenta hoje a Torreira.

Para AMORIM GIRÃO os terrenos a nascente, antigos, distinguem-se dos situados a poente, «formações recentes, quaternárias, de sedimentação marinha e em parte fluvial» [31], admitindo que no período romano parte do cordão litoral estivesse constituído [32]. O autor conclui que a ria não deverá ter mais de 2000 anos, embora cabendo a sua verdadeira datação aos geólogos e arqueólogos [33].

Da análise à actual carta geológica verifica-se que a Terra Marinhoa possui, em toda ela, grandes manchas de depósitos de praias antigas e de terraços fluviais, do Plio-Plistocénico, o que não se vê no centro urbano de Ovar e para nascente deste, na Gafanha, e muito menos no cordão litoral. Estes factos levam a crer que regressando 2000 anos no tempo não se encontrará a Terra Marinhoa totalmente submersa, bem pelo contrário.

A Barrinha de Esmoriz, outro acidente litoral de certa similitude com a ria mas bem mais pequeno, encontra-se documentada no ano de 897, «uilla de ermoriz que est circa lagona de auille» [34], e em 922 «lagona de Auuil» [35]. Embora à época a Barrinha de Esmoriz fosse substancialmente maior, o mero facto de existir lembra-nos que o tempo geológico é diferente do tempo humano.

Aquando da doação do Couto de Antuã por D. Afonso III ao Mosteiro de Arouca, em 1257, diz Gonçalo António TAVARES DE SOUZA que a Terra Marinhoa se constituía de matos, pântanos e juncais (e não água). Na maior parte da sua extensão será verdade, mas não no seu todo, como se comprovará pelos documentos neste estudo apresentados. Estava praticamente tão emersa como hoje. É porém fora de dúvida que a linha de costa era mais recortada, muito provavelmente como no desenho proposto por FERNANDES MARTINS, e alguns espaços então navegáveis tiveram posterior assoreamento, capaz de diminuir os fundos da ria e erguer algumas das actuais terras alagadiças. Assim se justifica que na aludida doação de 1257 se diga «vadit ad portum de Fontanela et vadit per venam et intrat in venam que vocatur de Ovar». Teria pois Fontela um porto, mesmo que modesto, como as actuais ribeiras, com cais próximo de Mourão ou mesmo ali. Por isso terá por vezes ocorrido a descoberta de restos de embarcações nas proximidades de Fontela [36]. Por outro lado existia a veia de Ovar. Já um porto de Estarreja, como por vezes se vê em manuais escolares, não se conhece nenhum documento que autorize a sua existência na Idade Média.

Pouco abaixo da Murtosa a Ilha Testada foi objecto de contrato em 1407, então confrontando com a «uea de uouga e da outra parte com a uea que uay para o ual cabanões e da outra parte com a uea que vem pella passagem de caçia e uai pera o mar» [37]. E embora o pároco da Murtosa escrevesse, no seu relatório de 1758, que o rio vindo de Ovar era largo e fundo, séculos antes (1394) D. João I proibia o lançamento de pedras na veia de Ovar [38], para que não se tornassem obstáculos à navegação.

Fig. 3. A Ria de Aveiro no final do século XIV, de acordo com Fernandes Martins (Biblos, XXII, 1947, p. 186).


MÂMOAS. – Já atrás se disse que os arqueólogos têm uma palavra a dizer sobre a origem da ria de Aveiro [39]. Nesse sentido Alberto SOUTO [40] não teve dúvidas em aceitar que tenha de facto existido a Mâmoa de Veiros, a qual contribuiu para a atribuição de uma maior antiguidade à ria. Mais acrescentou o mesmo investigador:

«Mas o que não admite dúvidas, é a existência da mâmoa de Veiros e da mama parda em plena margem da ria da Murtosa, em terrenos arenácios e vasosos de acumulação marinhoa e fluvial, laterais, por acidente, de uma duna cujo material superior móvel cobre concreções ferruginosas com aspectos de consolidação, duna essa que acompanha a via férrea de Estarreja até Espinho.

Os próprios terrenos de Veiros e Murtosa encontram-se fortemente concrecionados e ferretizados sob a camada arável. Trata-se muito provàvelmente de uma duna quaternária ou de um cordão litoral que desde os tempos pleistocenos obstruiria o remoto estuário do Vouga.

Mas as mâmoas bastam para nos datarem essas grandes emergências de uma época indiscutivelmente anterior aos próprios megálitos!


[…]

Mantendo uma opinião por mim há muito expressa, entendo que na época romana a topografia regional não diferiria essencialmente da presente, a não ser em pormenores tais como a consolidação do cabedelo costeiro, a acumulação vasosa, o avanço dunar, a modificação dos fundos e das emergências. O delta já deveria existir.» [41].

Neste mesmo sentido AMORIM GIRÃO aceitou explicitamente a Mâmoa de Veiros, e teve o cuidado de desenhar uma curva que a abrangesse num mapa do estágio inicial de formação da ria de Aveiro [42] (cf. Fig. 2, primeiro mapa).

Em documentos respeitantes à zona da Murtosa, datados de 1291 [43] e 1294 [44], consta uma mâmoa de Aruffo ou Arufo, nome que volta a observar-se nas inquirições de 1334 [45].

LOPES PEREIRA defendia que a chamada mâmoa da Murtosa era a Mama-Parda [46], e alude a uma outra mâmoa da Graça [47], cuja localização desconhecemos. Todavia este autor não é favorável a que se aceite que estes nomes respeitem a monumentos funerários pré-romanos.

No séc. XVI são variadas as referências a mâmoas. Encontra-se na Murtosa um «Prazo feito a João Cam depardelhas, de hum pedaço deterra na Mamoa das Insoas» (1528) [48] e «oiteiro da Mamoa» (1528) [49], em Sedouros «chão da Mamoa» (1528) [50], Mâmoa de Veiros (1528) [51], e «Caterina Affonso da Mamoa da Arrota do outeiro da Mamoa» (1534) [52]. Uma mâmoa da Murtosa encontra-se noutra fonte do mesmo séc. XVI [53].

Conclui-se que além da Mâmoa de Veiros tenham existido na Murtosa pelo menos outros dois monumentos similares: um no norte, entre Pardelhas e Sedouros, e outro a sul, entre as terras de Pardelhas e as de Antuã, relativamente próximo da ria.
Fig. 4. A Região Marinhoa na Carta Geológica de Portugal.


UM VASTO MATAGAL ENTRESACHADO. – «Um vasto matagal entresachado, assim definiu o historiador Costa Lobo o Portugal do século XV. Outro tanto se poderia afirmar para as épocas anteriores. Florestas e brenhas cobriam grande parte do País, convertendo-se em óptimo refúgio de feras e de animais bravios. Aqui e além vislumbrava-se um montículo de casas, centro periférico de alguns campos arroteados que lhe sustentavam a população.» [54].

Esta perspectiva é correcta, se aplicada à Terra Marinhoa durante a Idade Média. A maior parte do território era de matos, pântanos e juncais, quando em 1257 D. Afonso III doou o Couto de Antuã ao Mosteiro de Arouca, como se disse atrás. Mas alguns espaços terão exercido actividade económica desde o período da reconquista, ou mesmo na época Sueva/Visigoda, como é o caso de Telhões (Bunheiro) e Romariz (Bunheiro). Desde 1210 e em diante as fontes escritas atestam a preocupação dos monarcas, e depois do Mosteiro de Arouca, em povoar a região e promover arroteamentos, designadamente estabelecendo tributos mais favoráveis sobre os rendimentos das terras que, não tendo aproveitamento, passassem a ser utilizadas.

ALDEIAS. – A expressão aldeia teve na Idade Média, entre outros sentidos [55], aquele que hoje lhe damos de pequena povoação. É este título de aldeia que cabia a Pardelhas, Murtosa, Veiros e Estarreja no séc. XVI [56], e talvez em data anterior Pardilhó [57].

POPULAÇÃO. – Aquando do Numeramento de 1527 [58] a população marinhoa era ainda diminuta, contando-se em poucas cabeças. Por esta altura, a introdução do milho grosso na agricultura terá suscitado um significativo aumento populacional, talvez devido essencialmente à migração de populares das serranias vizinhas. Facto é que em 1623 [59] a população local era muito maior.

Naquele curto espaço de um século o Bunheiro aumentou os seus residentes de cerca de 76 habitantes (Sedouros) [60] para 710 (incuindo Pardilhó), e a Murtosa de 276 (Pardelhas e Murtosa) para 698 pessoas. Pardilhó e Veiros teriam em 1527 aproximadamente 80 e 136 habitantes, respectivamente, não se sabendo quantos eram em 1623.

Consultando um índice de aforamentos que vai de 1526 a 1712 [61], e contando o número de aforamentos por lugar, poderemos ficar com uma ideia de quais eram os lugares mais habitados nesse intervalo de tempo. Contém esse índice os seguintes aforamentos: Veiros 46, Antuã 41, Estarreja 30, Murtosa, 27, Saidouros (sic) 19, Avanca 18, Pardilhó 10, Ladeira (Salreu) 9, Bunheiro 7, Santiago (Beduído) 7, Adou (Salreu) 7, etc. Entre outros lugares observam-se, com aforamentos, os de: Teuxugueiras (Pardilhó?, com 6), Marinha da Borralha, Andoeiros, Romariz, Mamoa, Marinha, Ilha de Lourosa, Outeiro da Mamoa, Caneira, Marinha do Ferreiro (5 aforamentos). Mencionam-se ainda os lugares de: Meijil e Sobrelha (1526, perto das Teixugueiras), Marinha da Fonte Quebrada e Insoa (1528), e Moradal (1528).

PESTE. – De acordo com António MEIRELES [62], o ano de 1200 foi de grande fome, tendo morrido a terça parte da população portuguesa, com particular incidência na Terra de Santa Maria, após um ano de muita chuva que prejudicou a agricultura. É crível que a falta de braços para o amanho da terra tenha motivado a outorga de diplomas, como o aforamento colectivo concedido em 1210 a Veiros.

Mais tarde fala-se de pestes. Sabe-se de as haver em Portugal em 1348 e 1415 [63], e a de 1348 teve particular intensidade. A criação de gado na Gelfa ficou afectada pela peste de 1348, conforme nos diz notícia de 1355 [64].

A população de Pardelhas sentiu uma quebra, documentada em 1410 e 1451 [65], cuja causa foi o efeito das pestes. Além do sumário das providências de Afonso V, conhece-se o próprio diploma ordenado pelo monarca, no qual diz sobre Pardelhas que «por as pestilencias grandes que sse seguiram se despovorara grande parte» [66].
Fig. 5. “Descripção da Barra de Aveiro”, Atlas de João Teixeira, Séc. XVII (1648).



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[28]. “Exame da questão sobre os foros do convento de Arouca…”, pp. 10-11.
[29]. “Notas Marinhoas”, I, 1965, p. 5.
[30]. “Origens da Ria de Aveiro”, 1923, p. 97-98.
[31]. “A Bacia do Vouga”, p. 56.
[32]. “A Bacia do Vouga”, p. 61; cit. Alberto SOUTO, “Origens da Ria de Aveiro”, p. 119 e 125.
[33]. “A Bacia do Vouga”, p. 63. Ao referir-se aos arqueólogos o ilustre professor da Faculdade de Letras de Coimbra tinha em mente a existência passada de monumentos megalíticos, em certas terras de aluvião do complexo lagunar.
[34]. PMH-DC, p. 8, doc. XII.
[35]. PMH-DC, p. 16, doc. XXV.
[36]. «Sobre crusta de terra superior ao barro (que é terreno secundário, ou de aluvião) apparecem com muita frequencia, madeiros, mastros, e vários despojos de navios, o que prova que esta crusta formou por seculos a camada superficial da costa maritima, e que a areia a invadiu posteriormente» (PINHO LEAL, “Portugal Antigo e Moderno”, VI, 1875, p. 478, s. v. Pardilhó). Marques GOMES mencionou acharem-se frequentemente restos de navios no Bunheiro (“A Murtoza – A propósito da sua autonomia”, de José Maria Barbosa, 1899, p. XII).
[37]. “Milenário de Aveiro”, doc. LXXX, p. 153; Miguel de OLIVEIRA, “Ovar na Idade Média”, p. 62.
[38]. J. M. Silva MARQUES, “Descobrimentos Portugueses”, I, n.º 187, pp. 202-203; cit. Miguel de OLIVEIRA, “Ovar na Idade Média”, p. 62.
[39]. AMORIM GIRÃO, “A Bacia do Vouga”, p. 63; repetiu-o Eduardo COSTA, na revista “Aveiro e o Seu Distrito”, VIII, 1969, pp. 16 e 17.
[40]. “Origens da Ria de Aveiro”, 1923, p. 128, citando AMORIM GIRÃO, em “A Bacia do Vouga”.
[41]. Alberto SOUTO, “Romanização no Baixo Vouga”, p. 306.
[42]. AMORIM GIRÃO, “A Bacia do Vouga”, pp. 58-58b. Aceita igualmente a Mâmoa de Veiros LEITE DE VASCONCELOS, “Opúsculos”, V, 1938, pp. 50-51, e no Arqueólogo Português, XVII, pp. 255-265. LOPES PEREIRA contesta a existência destes monumentos líticos, apoiando-se na citação de Amorim Girão «mâmoas em toda a região da Ria de Aveiro traduzem as ilhas primitivas», mas não diz onde foi buscar esta citação (“Murtosa Terra Nossa”, pp. 23-24).
[43]. ANTT, Mosteiro de Arouca, g. 1, m. 1, n. 29; publicado por Luís RÊPAS, “Quando a nobreza traja de branco…”, II, 2000, pp. 365-366, doc. 69.
[44]. ANTT, Mosteiro de Arouca, g. 7, m. 1, n. 8; publicado por Luís RÊPAS, “Quando a nobreza traja de branco…”, II, 2000, pp. 424-425, doc. 109.
[45]. Notou-o Miguel de OLIVEIRA, “Ovar na Idade Média”, pp. 13 e 193.
[46]. “Murtosa Gente Nossa”, p. 40.
[47]. “Murtosa Terra Nossa”, p. 23.
[48]. AUC, III-1.ºD-13-4-11, fl. 264v.
[49]. AUC, III-1.ºD-13-4-11, fl. 265.
[50]. AUC, III-1.ºD-13-4-11, fl. 265.
[51]. AUC, III-1.ºD-13-4-11, fl. 265.
[52]. AUC, III-1.ºD-13-4-11, fl. 266.
[53]. ADP, Cabido, vol. 788, fls. 158v-166 (Tombo dos Votos da Feira, em cópia de 1781). O «cazal da Mamoa» na Murtosa refere-se igualmente em “Os votos de S. Tiago no Terceiro Caminho da Comarca da Feira (1695-1700)”, p. 97.
[54]. A. H. de OLIVEIRA MARQUES, “A Sociedade Medieval Portuguesa”, 2.ª ed., 1971, p. 1.
[55]. “Elucidário…”, s. v. Aldea.
[56]. ADP, Cabido, vol. 788, fls. 158v-166 (Tombo dos Votos da Feira, séc. XVI, cópia de 1781).
[57]. ANTT, Mosteiro de Arouca, vol. 10, fl. 43 («aldea de Pardelho», na terra de Antuã, documento sem data mas chamando-se a Abadessa Isabel).
[58]. FREIRE, Anselmo Braamcamp, “A Povoação da Estremadura no XVI Século”, Arquivo Histórico Português, vol. VI, 1908, pp. 275-277; notado por Miguel de OLIVEIRA, “Ovar na Idade Média”, pp. 187-188, e LOPES PEREIRA, “Murtosa Terra Nossa”, p. 58.
[59]. “Catálogo dos Bispos do Porto”, 1623.
[60]. Número de vizinhos em 1527, multiplicado por quatro.
[61]. AUC, III-1.ºD-13-4-11, fls. 262-281v.
[62]. “Memórias de Epidemiologia…”, pp. 209-210; Miguel de OLIVEIRA, “Ovar na Idade Média”, pp. 122-123, nota, menciona peste cerca de 1191 na Terra de Santa Maria.
[63]. António MEIRELES, “Memórias…”, p. 249.
[64]. ANTT, Tombo do Mosteiro de Grijó, I, fls. 242-245; cf. Miguel de OLIVEIRA, “Ovar na Idade Média”, pp. 77 e 121.
[65]. ANTT, Mosteiro de S. Bento da Ave-Maria (Porto), Lv. 3, fl. 79v.; Cf. Miguel de OLIVEIRA, “Ovar na Idade Média”, pp. 123 e 186.
[66]. ANTT, Estremadura, Lv. 8, fl. 202v; o documento é citado por Miguel de OLIVEIRA, “Ovar na Idade Média”, p. 123.

In "A Terra Marinhoa na Idade Média", Junta de Freguesia de Veiros, 2010, pp. 14-22
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