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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

O Conde de Ferreira


Joaquim Ferreira dos Santos (n. 4.10.1782, Campanhã; f. 24.3.1866, Porto) foi o mais novo de 5 filhos, de um casal de lavradores. Sendo de origem modesta, iniciou estudos para se tornar sacerdote, que abandonou passando a exercer no Porto a profissão de caixeiro.

Cerca de 1800, com 18 anos, embarcou com destino ao Rio de Janeiro, onde começou a ganhar dinheiro no comércio à consignação. Recebia mercadoria para revender que lhe era enviada do Porto (vinho, chapéus, utensílios ou adornos) para onde enviava na volta dos navios outros bens (açúcar, aguardente, couros, café, arroz). Casou-se uma só vez, com uma senhora argentina dotada de património, D. Severa Lastra, com quem teve um único filho no Rio de Janeiro, falecido jovem, pelo que não deixou descendência. Poucos anos terá durado o casamento, por falecimento da esposa, crendo-se que o matrimónio tenha contribuído para mais facilmente se movimentar entre a elite burguesa do Rio de Janeiro.

Expandiu depois a sua actividade comercial para Lisboa, Angola e Inglaterra, dedicando-se ao tráfico de escravos pelo menos entre 1816 e 1828. A partir de 1830 ficou proibido o tráfico de escravos a cidadãos brasileiros (que ficou sendo com a independência deste país), o que lhe causou problemas com a justiça. Regressou em 1832 a Portugal, fixando-se em Lisboa, em plena guerra civil (não se envolvendo nesta), e acabando por mudar-se para o Porto após o fim da guerra. Embora aspirasse regressar ao Brasil, quando as circunstâncias políticas desse país lhe fossem mais favoráveis, realizou em Portugal vários investimentos, entre os quais sobressai a Companhia das Lezírias, o Branco Comercial do Porto e o comércio de vinho.

Em 1842 iniciou vida política, no que investiu significativas somas em dinheiro, apoiando o governo de Costa Cabral. Nesse ano readquiriu polemicamente a cidadania portuguesa, tornou-se Par do Reino e foi agraciado com o título de 1.º Barão de Ferreira, ou seja, do seu apelido. Continuando a financiar as causas políticas subiu na hierarquia titular, ascendendo a 1.º Visconde de Ferreira (1843) e 1.º Conde de Ferreira (1850), sendo ainda fidalgo-cavaleiro da Casa Real, Comendador da Ordem de Cristo e possuindo a grã-cruz de Isabel a Católica de Espanha.

Os últimos anos de vida foram passados no Porto, retirado da actividade política. Faleceu deixando uma herança fabulosa, à época estimada em 600 contos, boa parte da qual destinou no seu testamento à benemerência. Entre outros legados que realizou avulta a fundação no Hospital de Alienados Conde de Ferreira (Porto), as somas destinadas à Santa Casa da Misericórdia do Porto, à Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, a vários hospitais e asilos, familiares, afilhados e amigos. Enfim o capital que destinou à construção de 120 escolas primárias, masculinas e femininas, noutras tantas sedes de concelho. Para cada escola, construída de acordo com uma planta uniforme datada de 1866 (encontra-se actualmente no Arquivo Histórico do Ministério da Habitação e Obras Públicas), foram destinados 1200$00, incluindo mobília e alojamento para os professores.

A ESCOLA DE ESTARREJA

A sede do concelho de Estarreja foi uma das contempladas, com uma escola da herança do Conde de Ferreira, cabendo-lhe então a planta da escola e 1200$00 para a construir. Em 1867 a Câmara Municipal de Estarreja comprou ao Dr. Filipe José Pereira Brandão, da Quinta da Costeira, uma parcela com 600 m², pelo valor de 160$00. A escola construiu-se, ficando na porta principal a data de 1866, do falecimento do Conde de Ferreira, e no portão 1868, que deve ser da inauguração.

Em Estarreja a Escola Conde de Ferreira foi durante décadas a única do ensino primário na Vila. Refira-se que a taxa de analfabetismo em Estarreja, em finais do século XIX, andava na casa dos 80%, sendo na ordem dos 70% para os homens, e dos 90% para as mulheres.

Numa notícia do Jornal de Estarreja de 1960 lê-se que a escola, originalmente com duas salas de aula, fora ampliada com uma terceira havia anos. A terceira sala de aula terá sido pois acrescentada no início dos anos 50, ou mesmo nos anos 40, de acordo com algumas testemunhas crianças à época.

Segundo informa o Jornal de Estarreja de 4 de Outubro de 2002, a escola Conde de Ferreira, que saiu da escola do Paço, passaria então a acolher o Centro de Validação e Reconhecimento de Competências. Deve ter sido pois o ano lectivo de 2001/2002 o último em que funcionou como escola do ensino primário. Reabriu portas em 21 de Setembro de 2013, agora como Casa das Artes e sede do Rotary Club de Estarreja, que recebeu o edifício da Câmara Municipal de Estarreja e procedeu a obras de recuperação.

 In O Jornal de Estarreja, n.º 4778, 8.4.2016, pp. 8-9

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Breve evocação da escola Conde de Ferreira em Estarreja

Joaquim Ferreira dos Santos, que veio a ser Conde de Ferreira, nasceu e faleceu no Porto (04.10.1782 – 24.03.1866). Filho de pais modestos, fez fortuna no Brasil, que aplicou em grande parte em obras de solidariedade social. Foi designadamente com o seu legado testamentário que se construiu o Hospital de alienados Conde de Ferreira (Porto, 1883). Da sua herança destinou também 144 contos ao Estado, para a construção de 120 escolas primárias em outras tantas sedes de concelho. O projecto uniforme para as 120 escolas, datado de 1866, encontra-se actualmente no Arquivo Histórico do Ministério da Habitação e Obras Públicas.

A sede do concelho de Estarreja foi uma das contempladas, cabendo-lhe então a planta da escola e 1200$00 para a construir. Em 1867 a Câmara Municipal de Estarreja comprou ao Dr. Filipe José Pereira Brandão, da Quinta da Costeira, uma parcela com 600 m², pelo valor de 160$00. A escola construiu-se, ficando na porta principal a data de 1866, do falecimento do Conde de Ferreira, e no portão 1868, que deve ser da inauguração.

Em Estarreja a Escola Conde de Ferreira foi durante décadas a única do ensino primário na Vila. Refira-se que a taxa de analfabetismo em Estarreja, em finais do século XIX, andava na casa dos 80%, sendo na ordem dos 70% para os homens, e dos 90% para as mulheres.

Numa notícia do Jornal de Estarreja de 1960 lê-se que a escola, originalmente com duas salas de aula, fora ampliada com uma terceira havia anos. A terceira sala de aula terá sido pois acrescentada no início dos anos 50, ou mesmo nos anos 40, de acordo com algumas testemunhas crianças à época.

Segundo informa o Jornal de Estarreja de 4 de Outubro de 2002, a escola Conde de Ferreira, que saiu da escola do Paço, passaria então a acolher o Centro de Validação e Reconhecimento de Competências. Deve ter sido pois o ano lectivo de 2001/2002 o último em que funcionou como escola do ensino primário. Reabriu portas em 21 de Setembro de 2013, agora como Casa das Artes e sede do Rotary Club de Estarreja, que recebeu o edifício da Câmara Municipal de Estarreja e procedeu a obras de recuperação. Ali ficam expostos diversos objectos a lembrar a antiga escola, como se vê na foto anexa do Rotary Estarreja.

In O Jornal de Estarreja, n.º 4681, 13.12.2013, p. 3

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Escolas da freguesia de Pardilhó

Por razões obvias conhecemos melhor a realidade histórica de Pardilhó do que a das restantes freguesias, pelo que isso se reflecte num maior cuidado na exposição. É de notar para além das notas que surgem ao longo do texto outras duas referências bibliográficas que poderão servir para aprofundar o estudo: alguns dos artigos sob o título “Subsídios para a história de Pardilhó”, do Pe. Ismael Matos, mencionam escolas e professores antigos; e “O avivar de uma memória” do Pe. A. Tavares Martins poderá ter algum interesse.

Em 1867 lamentava-se a Junta de Freguesia da falta de mais casas para escolas e habitação dos professores (1), situação que persistiu por muito tempo visto que o presidente da Junta em 1918 escreveu ao administrador do concelho, queixando-se do ensino na freguesia e pedindo a construção de edifícios escolares. Para uma população em idade escolar de 420 rapazes e 454 raparigas havia apenas duas escolas em acanhados edifícios, uma masculina com três professores e outra feminina com duas professoras (2). Nestas duas escolas oficiais leccionavam Amélia Tavares Afonso e Cunha e Maria Luciana Tavares Afonso e Cunha (na feminina), além de José Maria da Silva Godinho e Ana Emília Ruela de Almeida Ramos (na masculina). Acresce-lhes uma escola particular não mencionada, que é a de Saavedra Guedes (3).

Chegados a 1927 a situação não havia melhorado muito, pois nesse ano a Comissão Administrativa da Junta de Freguesia escreveu ao Ministro da Instrução Pública pelos mesmos motivos, alegando existirem 650 crianças em idade escolar, das quais apenas 275 frequentavam a escola, para seis professores oficiais. Até então o Estado ainda não havia construído um único edifício escolar, estando as escolas instaladas em acanhados edifícios particulares (4), que não eram mais de dois (5). 

ESCOLAS MAIS ANTIGAS. - Antes da inauguração das duas escolas do Celeiro funcionavam diversas pequenas escolas em diferentes lugares da freguesia. Nos seus últimos anos o estado de conservação que revelavam não era o melhor, a ponto de na imprensa local publicar-se que «começou novo ano lectivo, com as crianças dentro das mesmas salas de vidros quebrados, de telhados partidos, de soalhos esburacados. Para a ilegalidade ser mais patente, essas escolas não teem retrete. A retrete é o largo público, as árvores, os muros.» (6). Anteriores às escolas do Celeiro, as de que há memória são:

- No largo da Igreja, onde construiu há poucos anos um prédio o sr. Germano da Silva Matos. Funcionava a escola que foi masculina e feminina em casa da família Tavares Afonso e Cunha. Ali leccionaram as irmãs Maria Luciana Tavares Afonso e Cunha e Amélia Tavares Afonso e Cunha. Mais tarde Manuel Maria de Abreu Freire Cirne, casado com a segunda (7).

- Na casa da família Ruela Ramos, onde fez a instrução primária Egas Moniz. Escola masculina onde leccionaram os professores Godinho, Pitarma e Cirne.

- Na rua Maurício de Almeida. Funcionaram nesta rua duas diferentes escolas, uma de Luciana Ruela Ramos e outra de José Teixeira dos Reis.

- Na avenida António Joaquim de Rezende, actual edifício da Junta de Freguesia e posto dos Correios. Não sabemos que professores terão ali leccionado.

- No Canedo funcionou durante alguns anos um posto escolar, criado em 1938 (8).

ESCOLAS DO CELEIRO (2 BLOCOS). - Iniciada a sua construção em 1945 (9), vieram a ser inaugurados os dois edifícios em 28.4.1948 (10). Funcionaram aqui na década de 70 turmas do 5.º e 6.º ano.

CANTINA ESCOLAR. - A cantina escolar das escolas do Celeiro, baptizada com o nome do Dr. Jaime Ferreira da Silva, então recentemente falecido, construiu-se com recurso a subscrição pública e foi inaugurada a 5.5.1963 (11).

PROFESSORES - Porque existem algumas referências bibliográficas a uma grande parte dos mais antigos professores de Pardilhó, publicamos uma lista de alguns nomes chamando atenção para as notas respectivas:

- Pe. José Lopes Ramos, falecido em 1.5.1913 com 69 anos (12).

- João Manuel Saavedra Guedes, falecido em 1919 (13), que leccionava nas casas onde morou (no largo da igreja e junto à Casa das Palmeiras).

- José Ruela de Almeida Ramos, falecido em 9.8.1920 (14).

- José Maria Godinho (15).

- José Teixeira dos Reis, falecido em 1963 com 63 anos (16).

- António Ferreira Pitarma (1899-1968), que foi Delegado Escolar do concelho por largos anos e também se dedicou à música e ao teatro (17).

- Luciana Ruela Ramos, falecida em 1970 (18).

De referir, finalmente, os nomes por que eram conhecidas as mestras de muitos vivos e que ficaram na memória colectiva: do Outeiro, do Corgo e Rilhas


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(1). Arquivo da Junta de Freguesia, papel avulso s/c
(2). Arquivo da Junta de Freguesia, papel avulso s/c
(3). CE, n.º 824, 11.8.1917, p. 2
(4). Arquivo da Junta de Freguesia, papel avulso s/c
(5). JE, n.º 2005, 1.8.1926, p. 2
(6). CE, n.º 2148, 16.10.1943, p. 1
(7). Manuel Maria de Abreu Freire Cirne, com 31 anos, das Teixugueiras e leccionando então no Bunheiro, casou-se em 23.3.1915 com Amélia Tavares Afonso e Cunha, com 28 anos, do Celeiro
(8). JE, n.º 2531, 1.11.1938, p. 2
(9). CE, n.º 2239, 28.7.1945, p. 1
(10). CE, n.º 2378, 24.4.1948, p. 1; CE, n.º 2379, 1.5.1948, p. 1; a Carta Educativa tem apenas a data da nova Escola Básica Integrada (p. 109).
(11). JE, n.º 3140, 10.5.1963, pp. 1-2; CE, n.º 3120, 11.5.1963, p. 1; CE, n.º 3136, 7.9.1963, p. 1
(12). CE, n.º 603, 3.5.1913, p. 2; CE, n.º 604, 10.5.1913, p. 1 (Egas Moniz escreve em memória do seu primeiro mestre); ver ainda a autobiografia de Egas Moniz, “A Nossa Casa”
(13). CE, n.º 915, 26.6.1919, pp. 1-3, e n.ºs ss.
(14). CE, n.º 731, 16.10.1915, p. 1; CE, n.º 960, 14.8.1920, pp. 1 e 2; CE, n.º 963, 4.9.1920, p. 1
(15). CE, n.º 3121, 18.5.1961, p. 1
(16). CE, n.º 3127, 29.6.1963, p. 4; CE, n.º 3128, 6.7.1963, p. 1 (com foto)
(17). CE, n.º 2969, 9.4.1960, p. 2; CE, n.º 3357, 27.4.1968, pp. 1 e 6
(18). CE, n.º 3481, 5.12.1970, p. 6


In "História do ensino primário no concelho de Estarreja", Terras de Antuã, Câmara Municipal de Estarreja, I, 2007, pp. 185-187

sábado, 10 de novembro de 2012

Escolas da Freguesia de Salreu

Laceiras (Escola Domingos Joaquim da Silva). - O terreno para esta escola foi comprado em 1902 pela Junta de Freguesia, com dinheiro de Domingos Joaquim da Silva, futuro Visconde de Salreu (1907) (1). Encontrava-se em construção em 1904 a expensas do mesmo e orçada em 18.000$00 (2), destinando-se a ser oferecida ao Estado. Compõe-se de dois andares e sótão, estando no r/c originalmente duas amplas salas (masculina e feminina), e diversas outras dependências, incluindo cozinha e sala de jantar (3). Parece que teve duas inaugurações oficiais, uma primeira a 29.6.1907, com a presença de algumas individualidades (4), e outra mais festiva em 15.9.1907 (5).

O Estado, no entanto, não tratou de preservar o edifício, que em 1929 estava ao abandono, embora ali ensinassem e vivessem seis professores, com a instrução na maior parte de Salreu confinada a pardieiros (6). Na década de 50 funcionaram turmas masculinas, femininas e mistas (7). Deve ter sofrido grandes reparos no início da década de 70 (8).

Picoto. - Em Julho de 1911 estava criada há meses, com casa e mobília, para servir os lugares próximos da Senhora do Monte, mas ainda não funcionando (9). Abriu por Novembro desse ano, sendo professor Clemente Bandeira Ferraz (10). A escola foi mobiliada por António da Silva Simões, sobrinho do Visconde de Salreu (11), e funcionava numa casa da Carvalha, contando com 100 alunos (12). Quando António da Silva Simões faleceu, em 1917, ainda não havia encerrado (13), tendo persistido pelo menos até ao ano seguinte (14).

Senhora do Monte (Escola Visconde de Salreu). - O Visconde de Salreu estava resolvido em 1929 a dotar pela segunda vez a sua terra natal de um bom edifício escolar, que viesse a servir o lugar do Picoto, fazendo-o situar na Senhora do Monte (15). As obras, sob projecto do Arq. Manuel Joaquim Norte Júnior (16) e a cargo de José Gomes da Silva Monteiro, de Espinho, iniciaram-se em 1931 (17), vindo a inauguração a ocorrer a 8.1.1933 (18), após o que o edifício foi doado ao Estado.

Porto de Baixo (Escola José Alberto de Oliveira Canelas). - Por falecimento de José Alberto de Oliveira Canelas com 11 ou 12 anos (19), cuja mãe era de Salreu (20), o pai desgostoso (Mário Canelas) criou em Lisboa, onde residia, com pessoas das suas relações um grupo de auxílio a crianças pobres, que usou o nome “Grupo de Beneficência José Alberto de Oliveira Canelas”. Constituído sob a forma de Fundação o grupo adquiriu em 1937 um terreno em Salreu, no Lugar de Porto de Baixo, destinado à construção de uma escola (21), a qual foi inaugurada em 1938 (22).

No verão de 1940 a agremiação benemérita promoveu a 1.ª Colónia de Férias de Salreu, juntando aos 54 alunos da sua escola nesta freguesia cerca de 100 de outra que mantinha em Lisboa (23). Porque a iniciativa correu bem repetiu-se no ano seguinte, vindo de Lisboa 120 crianças por três semanas (24), seguindo-se 140 por um mês em 1944 (25), 200 em 1945 (26) e 150 em 1946 (27).

Ao todo o “Grupo de Beneficência José Alberto de Oliveira Canelas” possuía uma escola (em casa arrendada) em Lisboa e outra em Salreu, esta última com 52 rapazes em 1942, mas que antes do decreto da separação dos sexos tivera também 12 raparigas. Pela mesma altura patrocinava 300 estudantes pobres doutros graus de ensino, planeava formar um Orfeão e prestava diferentes auxílios em diversos locais do país. Para existir dependia fundamentalmente dos sócios, que chegaram a ser 1200 (28). Com o rodar dos anos o grupo foi esmorecendo, acabando por ser dissolvido pelo Ministério do Interior em 1953, revertendo o seu património em favor da provedoria da Casa Pia de Lisboa (29).

Vale Castanheiro (Escola Prof. Miguel Marques Lemos). - Inaugurada em 14.4.1989 pelo Ministro da Educação, Roberto Carneiro, e baptizada com o nome do Prof. Miguel Marques Lemos (1900-1977) (30). Funcionou pela última vez no ano lectivo 2006/7. O patrono da escola é um antigo professor de instrução primária em Salreu, agraciado em 1963 pelo Presidente da República com a Comenda da Instrução Pública (31).

Postos escolares. - Criaram-se em 18.1.1952 postos escolares mistos em Salreu e na Senhora do Monte (32), extinguindo-se o segundo em 1957 (33). Outro terá funcionado na década de 40 na Ladeira (34).

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(1). JE, n.º 2136, 31.3.1929, pp. 1-2
(2). CE, n.º 148, 6.8.1904, p. 1
(3). Mala da Europa, 13.9.1908, p. 1 (com foto)
(4). Correio da Manhã, 15.11.1927, p. 5; JE, n.º 2136, 31.3.1929, pp. 1-2
(5). JE, n.º 1055, 21.9.1907, pp. 1-2; é de desconsiderar a data de 1909 fornecida pela Carta Educativa (p. 95); outra ref. em CE, n.º 443, 26.3.1910, p. 2
(6). JE, n.º 2136, 31.3.1929, pp. 1-2
(7). JE, n.º 3008, 10.11.1957, p. 2; JE, n.º 3009, 25.11.1957, p. 1; JE, n.º 3052, 10.9.1959, p. 3
(8). CE, n.º 3408, 10.5.1969, p. 1
(9). JE, n.º 1245, 1.7.1911, p. 2
(10). JE, n.º 1266, 25.11.1911, p. 1
(11). Idem
(12). JE, n.º 1319, 7.12.1912, p. 2
(13). JE, n.º 1531, 28.1.1917, pp. 1-2
(14). Ecos do Antuã, n.º 44, 11.8.1918, p. 1
(15). JE, n.º 2169, 17.11.1929, p. 2
(16). JE, n.º 2324, 16.1.1933, pp. 1-2
(17). JE, n.º 2227, 4.1.1931, p. 2; JE, n.º 2238, 22.3.1931, p.2
(18). JE, n.º 2322, 27.12.1932, p. 2; JE, n.º 2324, 16.1.1933, pp. 1-2; não é correcta a data de 1935 na Carta Educativa (p.96)
(19). A idade varia consoante a fonte: JE, n.º 2619, 8.8.1941, p. 1 e JE, n.º 2634, 9.3.1942, p.2
(20). JE, n.º 2503, 20.1.1938, p. 2
(21). JE, n.º 2482, 10.6.1937, p.1
(22). JE, n.º 2503, 20.1.1938, p. 2
(23). JE, n.º 2591, 14.7.1940, p. 2.
(24). JE, n.º 2618, 24.7.1941, p. 2; JE, n.º 2634, 9.3.1942, p.2; JE, n.º 2620, 24.8.1941, p. 1, com foto das crianças na colónia de férias de Salreu
(25). JE, n.º 2694 10.9.1944, p. 2
(26). JE, n.º 2716, 10.8.1945, p. 2
(27). JE, n.º 2740, 10.8.1946, p. 2
(28). JE, n.º 2619, 8.8.1941, p. 1; JE, n.º 2634, 9.3.1942, p.2
(29). JE, n.º 2896, 10.3.1953, p. 2
(30). JE, n.º 3668, 30.4.1989, p. 3; a Carta Educativa indica a data correcta (p. 94)
(31). CE, n.º 3123, 15.6.1963, p. 1; CE, n.º 3776, 14.4.1977, p. 1; CE, n.º 3796, 30.10.1977, p. 8
(32). JE, n.º 2870, 10.2.1952, p. 1
(33). JE, n.º 3008, 10.11.1957, p. 2
(34). Grande Anuário..., 1944/5; Anuário Comercial de Portugal, 1939 e 1950



In "História do ensino primário no concelho de Estarreja", Terras de Antuã, Câmara Municipal de Estarreja, I, 2007, pp. 187-189

domingo, 4 de novembro de 2012

Escolas da freguesia de Canelas

Organizada em 1925 uma comissão cujo objectivo era construir um edifício escolar (1), este veio a ser edificado na Rua Direita (local actual da Extensão de Saúde) com recurso a subscrição pública, e inaugurado em 29.4.1934 (2). Em 1959 funcionava como escola mista (3). Entretanto pedida a sua ampliação (4), o estado de conservação tornou-se débil, o que levou em 1968 à transferência dos alunos para a sede da Banda (5).

A actual escola primária de Canelas, situanda na Quinta de Santo António, junto ao rio Castanheiro, encontrava-se em construção em 1963 (6). Em 1971 começou a sua ampliação de duas para quatro salas (7).

_________________________
(1). JE, n.º 1946, 17.5.1925, p. 2 e ss..
(2). JE, n.º 2372, 25.4.1934, p. 2; JE, 2373, 5.5.1934, pp. 2-3; JE, 2374, 15.5.1934, p. 2
(3). JE, n.º 3052, 10.9.1959, p. 3
(4). JE, n.º 3168, 10.7.1964, pp. 1 e 6
(5). JE, n.º 3273, 25.11.1968, p. 2
(6). JE, n.º 3148, 10.9.1963, p. 5
(7). JE, n.º 3335, 25.6.1971, p. 2; a Carta educativa menciona o ano de 1971 como sendo o da construção


In "História do ensino primário no concelho de Estarreja", Terras de Antuã, Câmara Municipal de Estarreja, I, 2007, p. 185

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Escolas da freguesia de Beduído

Durante muitas décadas a única escola na Vila de Estarreja foi a do Conde de Ferreira, funcionando esporadicamente outras escolas em edifícios arrendados para o efeito. Um desses exemplos passou-se com Joaquina de Jesus e Pinho, que em 1914 deixou de leccionar no Paço para instalar a sua escola feminina numa casa construída propositadamente pelo sr. Condessa, na rua 31 de Janeiro (1). Algumas pessoas mais antigas recordam-se dela dando aulas numa sala da casa do sr. Condessa (junto aos Bombeiros Velhos), daí tendo passado para a escola Conde de Ferreira.

Paço (Escola Conde de Ferreira). Falecido em 1866, o Conde de Ferreira destinou por legado testamentário 144 contos à construção de 120 escolas, em diferentes sedes de concelhos. Coube dessa quantia 1200$00 a Estarreja, bem como a planta da nova escola. Com o legado a Câmara Municipal comprou em 1867 ao Dr. Filipe José Pereira Brandão, da Quinta da Costeira, uma parcela de terreno com 600 m2, dastacados da propriedade do Rego do Souto, pela quantia de 160$00. A escola possui por cima da porta principal a data de 1866, do falecimento do Conde de Ferreira (2), e no portão 1868, que deve ser da inauguração (3). Nos anos 50 do séc. XX foi-lhe acrescentada uma terceira sala de aula (4).

Agro (1.ª). A inauguração da escola do Agro, com uma sala, ocorreu em 1954, com a presença do Conselheiro Albino dos Reis, Presidente da Assembleia Nacional e natural da vizinha freguesia de Loureiro (5). Talvez fosse esta a escola que funcionava como mista em 1956 (6), sendo certo que era feminina em 1960 (7). Está encerrada há anos.

Agro (2.ª). A segunda escola do Agro, de traços mais modernos, edificou-se em terreno de antigo pinhal comprado pela Câmara Municipal por 1960, vindo mais tarde a ser aberta uma rua para lhe dar acesso (rua Dr. Pereira de Melo), já que então era acessível apenas pela rua Dr. Fernando Tudela (8). Parece que a primeira escola do Agro estava então temporariamente desactivada (9), situação que persistia em 1965, quando a segunda se encontrava em construção (10). A nova escola, com quatro salas e cantina anexa, inaugurou-se em 1966 (11), e a sua cantina terá começado a funcionar dois anos depois (12).

Póvoa de Cima. Em 7.1.1931 ocorreu a inauguração da escola oficial da Póvoa, construída a expensas dos habitantes e sita no início dos pinhais a caminho de Pardilhó, depois da capela de S. Filipe (13). Destinava-se à colocação de um professor (14), o que na altura era comum. Estava em muito mau estado de conservação em 1948 (15) e deve ter tido desdobramento de horários no início dos anos 50, uma vez que em 1952 deixou de ter apenas uma turma mista para possuir uma masculina e outra feminina (16). Em 1954 previa-se a construção de nova escola de uma sala (17), existindo três anos depois uma segunda turma masculina (18). Após reparação no início da década de 60 (19), e intenção camarária de construir novo edifício no mesmo terreno, a escola terá sido abandonada (20).

Póvoa de Baixo. Depois de criado um posto de ensino em 1938 (21), a escola actual terá começado a funcionar, com quatro salas, em 1959 (22).

Santo Amaro (antiga). Inaugurada a 3.1.1911 (23), esteve ainda alguns meses sem funcionar, embora com casa e mobília (24), vindo a abrir em Julho desse ano (25). Servia os lugares de Santo Amaro, Santiais, Areosa, Beduído e Souto, totalizando em 1933 cerca de 100 alunos (26).
Sobre esta primeira escola de Santo Amaro e em particular a respeito da sua professora, D. Maria do Carmo Valente de Almeida, que ali leccionou entre 1911 e 1939, escreveu um antigo aluno, Cónego Filipe de Figueiredo, os trabalhos “A Professora de Santo Amaro”, s./d., e “No rescaldo dum centenário”, 1983, para os quais remetemos o leitor.

Santo Amaro (cima). Dos dois edifícios escolares funcionando hoje em Santo Amaro, cada um com duas salas, o mais antigo é o que se situa num plano ligeiramente superior, concluído em 1938 mas sem atribuição imediata de professor (27). Em 1940 deixou de funcionar uma turma mista para passar a haver uma masculina e outra feminina (28), situação que persistiu pelo menos até 1944 (29). Em 1954 surgiu nova turma mista (30), que voltou a funcionar ano seguinte (31), sendo em 1957 criada uma primeira (32) e segunda turma masculina (33).

Santo Amaro (baixo). Estando a sua construção programada em 1954 (34), veio a funcionar um posto escolar misto em Santo Amaro (35) que só terá existido enquanto a escola não abriu portas. Esta estava quase concluída nos últimos dias de 1957 e ter-se-á inaugurado no ano seguinte. (36). A fachada do edifício ostenta a data de 1957 (37).

Barreiro de Além. Antes de existir o edifício actual, encerrado há poucos anos por falta de alunos, funcionou em Santiais uma escola móvel, criada em 1919 e provavelmente de duração efémera (38), pois em 1932 e 1936 a Câmara Municipal pedia ao Estado a criação de um posto de ensino para o lugar (39). A reclamação talvez não tenha sido atendida, uma vez que Santiais ainda não tinha posto escolar permanente (e luz!) em 1941 (40), mas em 1944 existia um posto de ensino, há anos sem regente (41). A escola de uma sala que há poucos anos fechou no Barreiro de Além (sítio do Juncal) foi formalmente criada em 1951 (42) para funcionar como escola mista, para o que se estabeleceu um lugar de professor em 1952 (43). A sua inauguração deve ter decorrido por finais de 1953 (44).


_______________
(1). JE, n.º 1418, 8.11.1914, p. 2
(2). Que a Carta Educativa indica como data da fundação (p. 110)
(3). JE, n.º 3269, 25.9.1968, p. 1
(4). JE, n.º 3061, 25.1.1960, p. 1
(5). CE, n.º 2662, 2.1.1954; o JE, n.º 3011, 25.12.1957, p. 2, parece sugerir que seja mais antiga e indica a recente criação de uma terceira turma feminina na vila, o que pela escassez de salas leva-nos a supor o desdobramento de horários em manhã e tarde
(6). JE,.º  2981, 25.9.1956, p. 2
(7). JE, n.º 3061, 25.1.1960, p. 1
(8). JE, n.º 3084, 10.1.1961, p. 4
(9). Idem
(10). JE, n.º 3188, 10.5.1965, p.1
(11). JE, n.º 3217, 25.7.1966, p.1-2; na Carta Educativa 1976 (p. 76)
(12). JE,.º 3275, 25.12.1968, p. 1
(13). JE, n.º 2228, 11.1.1931, pp. 1-2
(14). JE, n.º 3172, 10.9.1964, p.1
(15). JE, n.º 2792, 25.10.1948, p. 2
(16). JE, n.º 2870, 10.2.1952, p. 1, com referência a portaria de 18 de Janeiro
(17). JE, n.º 2936, 16.11.1954, p. 1
(18). JE, n.º 3007, 25.10.1957, p. 2
(19). JE, n.º 3168, 10.7.1964, pp. 1-6
(20). JE, n.º 3172, 10.9.1964, p.1
(21). JE, n.º 2531, 1.11.1938, p. 2
(22). JE, n.º 3172, 10.9.1964, p.1; na Carta Educativa 1958 (p. 99), que talvez seja a data a conclusão
(23). JE, n.º 2352, 5.10.1933, p. 2
(24). JE, n.º 1245, 1.7.1911, p. 2
(25). JE, n.º 1249, 29.7.1911, p. 2
(26). JE, n.º 2352, 5.10.1933, p. 2
(27). JE, n.º 2521, 20.7.1938, p. 2
(28). JE, n.º 2595, 31.8.1940, p. 1
(29). JE, n.º 2698 10.11.1944, p. 2
(30). JE, n.º 2932, 10.9.1954, p. 2
(31). JE, n.º 2956, 10.9.1955, p. 1
(32). JE, n.º 3005, 25.9.1957, p. 2
(33). JE, n.º 3007, 25.10.1957, p. 2
(34). JE, n.º 2936, 16.11.1954, p1
(35). JE, n.º 3010, 10.12.1957, p. 2
(36). JE, n.º 3011, 25.12.1957, p.2
(37). Que é a data que consta na Carta Educativa (p. 98)
(38). JE, n.º 1664, 21.9.1919, p. 2
(39). Pe. A. Tavares Martins, “O avivar de uma memória – Pe. António Maria de Pinho”, 1974, pp. 69-70
(40). JE, n.º 2615, 3.6.1941, p. 2
(41). JE, n.º 2698, 10.11.1944, p. 2
(42). JE, n.º 2865, 25.11.1951, p. 2
(43). JE, n.º 2884, 10.9.1952, p. 2
(44). JE, n.º 2895, 25.2.1953, p. 1; JE n.º 2910, 10.10.1953, p. 1



In "História do ensino primário no concelho de Estarreja", Terras de Antuã, Câmara Municipal de Estarreja, I, 2007, pp. 182-185

sábado, 15 de setembro de 2012

Escolas da freguesia de Avanca

Existem dois volumes onde se publicaram alguns subsídios para a história do ensino em Avanca: um de Carlos Cardoso, denominado “Subsídios para uma Monografia Histórica e Descritiva da Freguesia de Avanca”, que na p. 152 da 2.ª ed., 2000 (1.ª ed. é de 1961), trata do ensino; e outro do Pe. A. Tavares Martins, com o título de “O avivar de uma memória – Pe. António Maria de Pinho”, 1974 (p. 70 e outras), que é mais correcto que o primeiro. Podem ser úteis alguns artigos da imprensa local, com dados sobre a história das escolas de Avanca (1), a escola que funcionou nos finais do séc. XIX na Casa do Gama (2) e outra muito antiga (3).
 
Resumimos porém que as escolas de Avanca funcionaram no edifício da Junta de Freguesia, sendo os rapazes e as raparigas transferidos para as escolas do Mato quando cada um dos dois blocos se construiu, o masculino primeiro e o feminino depois. Primitivamente o ensino feminino parece ter funcionado na Casa do Mato. Devem consultar-se as fontes atrás referidas para elementos mais completos. Carlos Cardoso escreveu terem funcionado postos escolares em Areia de Gonde, Sardinha e Água Levada (este desde 1947), mas ainda não temos confirmação de todos.
 
Mato – masculina. - Foi construída com recurso a subscrição pública, primeiro, e mais tarde auxílio do Estado, vindo a inaugurar-se em 1934 (4), segundo cremos, no dia 14 de Outubro (5). Existem dados do estado do edifício em 1948 (6), que terá sofrido grande reparação pelo início dos anos 60 (7).
 
Mato – feminina. - O terreno para a construção foi oferecido pelo Comendador Adelino Dias Costa (8), ao passo que todos os outros terrenos para escolas da mesma época foram adquiridos pelo Estado ou pela Câmara Municipal (9). A sua construção iniciou-se em 1952, com alguns trabalhos preparatórios anteriores (10), ano em que já ensinavam em Avanca cinco professores de rapazes e quatro de raparigas (11). Pronta e mandada inaugurar em 1953 (12), veio a ser inaugurada no final desse ano pelo Presidente da Assembleia Nacional, Conselheiro Albino dos Reis, natural da vizinha freguesia de Loureiro (13). A Carta Educativa menciona o ano de inauguração desta escola (14) mas parece ignorar que o bloco masculino é mais antigo. Nos dois blocos do Mato funcionava em 1974 o 6.º ano (15).
 
Cantina escolar. - Uma das mais antigas do distrito de Aveiro, deve-se a caridade particular (Adelino Dias Costa e uma associação católica local) e fundou-se em 1943 (16).

Água Levada. - Ter-se-á criado neste lugar uma escola móvel em 1919 (17), pouco depois desactiva pois em 1923 mencionava-se a criação de uma nova escola (18). O edifício actual, inicialmente com duas salas, inaugurou-se a 15.10.1945 (19) e foi pedida a sua ampliação no início da década de 60 (20), tendo funcionado pela última vez como escola no ano lectivo 2006/2007.
 
Bandeira. - Criada como escola mista por Portaria de 18.12.1951 (21), para servir os lugares de Falcão, Fojo, Sardinha, Bandeira e outros, não teve desde logo casa própria (22) mas foram ali colocados professores para uma turma masculina e outra feminina pelo menos em 1954 (23), talvez funcionando provisoriamente nalguma casa particular. O edifício, com duas salas, estava para iniciar-se em 1954 (24) e foi concluído em blocos de granito no final de 1955 (25), sendo ampliado em mais duas salas no início da década de 60 (26). Os autores divergem nas datas que lhe atribuem (27).
 
Congosta. - Pedida desde 1911 (28) uma escola que servisse os lugares a poente da linha do Caminho de Ferro (vulgarmente designada de Escola da Areia), funcionou desde o final de 1924 (29), ainda que deva ter sido por pouco tempo, pois caiu no esquecimento (30). Sendo portanto por longos anos pedida, passou a intenção do Estado em 1973, com diligências no terreno em 1974 (31). Devido às circunstâncias que o país atravessou ficou depois esquecida, vindo a inaugurar-se só em 1982, com 8 salas, ginásio, salas de apoio, cozinha e refeitório, com o custo de 20.000 contos a cargo da Câmara Municipal (32).
 

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(1). CE, n.º 3589, 14.4.1973, p. 2 e CE, n.º 3590, 21.4.1973, p. 2
(2). JE, n.º 3032, 10.11.1958, p. 5
(3). JE, n.º 3033, 25 11.1958, p. 3
(4). Concordam Carlos Cardoso e o Pe. Tavares Martins (pp. 70-71)
(5). JE, n.º 2389, 15.10.1934, p. 2 e JE, n.º 2390, 25.10.1934, p. 1
(6). CE, n.º 2443, 13.8.1948, p. 2
(7). JE, n.º 3168, 10.7.1964, pp. 1 e 6
(8). Pe. Tavares Martins, p. 71
(9). CE, n.º 2465, 21.1.1950, p. 1
(10). CE, n.º 2581, 21.6.1952, p. 2
(11). JE, n.º 2884, 10.9.1952, p. 2
(12). JE, n.º 2910, 10.10.1953, p. 1
(13). CE, n.º 2662, 2.1.1954, p. 1? e 6
(14). p. 105
(15). Pe. Tavares Martins, p. 71
(16). CE, n.º 3327, 26.8.1967, p. 3, com estatísticas e mais dados da fundação
(17). JE, n.º 1664, 21.9.1919, p. 2
(18). CE, n.º 1131, 22.12.1923, p. 2
(19). JE, n.º 2721, 25.10.1945, p. 1; CE, n.º 2252, 27.10.1945, p. 4; Carlos Cardoso dá a data de 1951, ao passo que a Carta Educativa não indica nenhuma; já o Pe. Tavares Martins, p. 71, afirma que funcionou uma escola mista desde 1938
(20). JE, n.º 3168, 10.7.1964, pp. 1 e 6
(21). JE, n.º 2870, 10.2.1952, p. 1
(22). CE, n.º 2569, 8.3.1952, p. 2
(23). JE, n.º 2932, 10.9.1954, p. 2
(24). JE, n.º 2936, 16.11.1954, p. 1
(25). CE, n.º 2760, 7.1.1956, p. 2
(26). JE, n.º 3168, 10.7.1964, pp. 1 e 6
(27). Carlos Cardoso, 1956; Pe. Tavares Martins, 1954 (p. 71); e a Carta Educativa, 1955 (p. 103)
(28). CE, n.º 3654, 31.8.1974, p. 3
(29). JE, n.º 1925, 14.12.1924, p. 4
(30). Parece nunca se ter concretizado, no conhecimento do Pe. Tavares Martins (p. 72)
(31). Pe. Tavares Martins, p. 141
(32). CE, n.º 3882, 15.7.1982, pp. 1 e 4; a Carta Educativa atribui esta escola ao ano de 1985 (p. 104)
 


In "História do ensino primário no concelho de Estarreja", Terras de Antuã, Câmara Municipal de Estarreja, I, 2007, pp. 181-182

terça-feira, 29 de março de 2011

Padre Manuel de Rezende Tavares Garrido

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n. 5.6.1892 (Avanca); f. 22.6.1946 (Lisboa)
Provedor da Misericórdia de Estarreja (1942-1945)

Após frequentar o Seminário da Sé do Porto (1911-1915) começou a dar aulas no Colégio de Nossa Senhora do Carmo (Penafiel), no ano lectivo 1915/16. Logo a seguir participou como militar na Primeira Grande Guerra, em Moçambique (1916-1918). Distinguiu-se aí como oficial miliciano, em particular na batalha de Newala, o que lhe valeu a Cruz de Guerra de II Classe. Regressado a Portugal e ordenado sacerdote em 15.8.1920, leccionou no Colégio dos Carvalhos (1919-1930). Em 1931 voltava a residir em Avanca e era um dos fundadores do Colégio D. Egas Moniz (Estarreja), do qual também foi Director, chegando além disso a leccionar no Seminário de Aveiro.

Pe. Manuel Garrido

O Pe. Donaciano de Abreu Freire assinou as actas da Mesa Administrativa como Provedor até 5.8.1942, e na acta seguinte, de 24.9.1942, vem como Provedor o Pe. Garrido, embora não haja notícias de acto eleitoral ou nomeação. Nas últimas actas da Mesa no mandato do Pe. Garrido, já no seu fim de vida, é o mesmo substituído pelo Vice-Provedor, Eurico Carlos Teixeira da Costa Marques. É o Vice-Provedor que assina a última acta do mandato do Pe. Garrido, a 31.12.1945.


Bibliografia:
Arquivo da SCME, Livro de Actas – Assembleia Geral
Arquivo da SCME, Livro de Actas – Mesa Administrativa, n.º 1
Arquivo da Diocese de Aveiro – Ficha Biográfica
O Jornal de Estarreja, n.º 2738, 10.7.1946, p. 1 (falecimento)

In "História da Santa Casa da Misericórdia de Estarreja", Santa Casa da Misericórdia de Estarreja, 2010, pp. 78-79
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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Padre Donaciano de Abreu Freire

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n. 15.11.1889 (Pardilhó); f. 18.4.1950 (Beduído)
Provedor da Misericórdia de Estarreja (1940-1942, e 1949-1950)

Donaciano da Silva Bastos de Abreu Freire, filho de abastados proprietários de Pardilhó e com 10 irmãos, estudou no Colégio de S. Fiel e depois no Seminário do Porto. Ordenado sacerdote em 4.8.1912 [1], antes de paroquiar permaneceu no Seminário do Porto, aí catalogando a biblioteca, e leccionou em colégios da mesma cidade. Esteve depois como Coadjutor no Bunheiro (1920-1922) e, desde 1922 até falecer, Reitor de Beduído.

Antes de paroquiar o Bunheiro ensinou pois no Porto, nos colégios Universal, Almeida Garrett e S. Carlos. Este último seria por ele comprado e dirigido, conjuntamente com o Dr. João Ruela Ramos, como ele de Pardilhó. Já Reitor de Beduído formaria nova sociedade, com o Pe. Manuel Resende Tavares Garrido e o Dr. António Tavares Garrido, para fundar um Externato em Estarreja (1923), que anos depois se transformaria em Colégio D. Egas Moniz (1931).

O Pe. Donaciano notabilizou-se igualmente na escrita, quer enquanto escritor de vários géneros literários, quer como jornalista. Da actividade literária avultam as obras “Canção de Estarreja”, “O Regresso da Pecadora”, “Zara” e “Uma Lição de História”. Colaborou com diversos jornais e revistas, como as “Novidades” e “Lumen”, além da imprensa local.

Pe. Donaciano de Abreu Freire.

Porém foi como orador sagrado que mais se distinguiu, sendo de destacar a oração fúnebre proferida nas exéquias de D. Manuel II, na Igreja da Trindade, Porto, em 11.8.1932.

Pároco de Beduído de 1922 a 1950, ano em que faleceu, teve neste período um conjunto de importantes iniciativas que contribuíram para o progresso da freguesia, e de todo o concelho de Estarreja. Pouco depois de tomar posse da paróquia de Beduído a respectiva igreja foi destruída por um incêndio (1922), a cujo restauro procedeu. No ano seguinte participava na fundação do Orfeão de Estarreja (1923). Promoveu entretanto de criação de um Hospital e Misericórdia (1923-1924), sem sucesso. Porém em 1926 convenceu o Visconde de Salreu a custear a edificação do Hospital concelhio, que abriu portas em 1935, com um Asilo anexo, e então entregue nas mãos da Misericórdia de Estarreja, fundada para o efeito. Ainda no campo assistencial criou em Beduído a primeira Conferência de S. Vicente de Paulo (1924) do concelho de Estarreja, e colaborou na fundação do Instituto de Beneficência, Instrução e Recreio (1931). Entre os melhoramentos que lhe são devidos conta-se também a reorganização do Sindicato Agrícola de Estarreja, no início da sua paroquialidade, ao qual chegou a presidir. Voltou a presidir ao mesmo organismo em 1942, quando este já se havia convertido em Grémio da Lavoura. Nesse mesmo ano de 1942 levou a efeito o Congresso Eucarístico de Estarreja.

Com o falecimento do Visconde de Salreu, ficou a ocupar o cargo de Provedor da Misericórdia de Estarreja, por ser Vice-Provedor, embora dirigisse de facto a Irmandade desde a sua fundação. O acto eleitoral de 26.12.1938, polémico, não chegou a realizar-se [2]. Foi Provedor de 4.5.1940 a 5.8.1942 [3].

Busto do Pe. Donaciano de Abreu Freire,
inaugurado em 1972.

No acto eleitoral de 26.12.1948 voltou a concorrer e venceu a eleição, ficando como Vice-Provedor João Assis Pereira de Melo (que assume a direcção após o falecimento do Pe. Donaciano, em 1950), e vencida a lista encabeçada por Adelino Dias Costa.

Por ter sido a alma da instituição, que a dirigiu nos primeiros passos, convencendo o Visconde de Salreu a custear o Hospital, além do que no último mandato remodelou os serviços e organizou novos, ampliando os existentes, propôs-se em Assembleia Geral de 8.12.1957 que lhe fosse atribuído, postumamente, o diploma de Irmão Benemérito.

Um busto seu, realizado pelo escultor M. Cabral, inaugurou-se em Beduído em 1972.


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Bibliografia:
- Arquivo da SCME, Livro de Actas – Assembleia Geral
- Arquivo da Diocese de Aveiro – Ficha Biográfica
- Câmara Municipal de Estarreja, “Tema do Mês – Padre Donaciano, um pouco de História”, Câmara Municipal de Estarreja, Novembro de 1997
- AZEVEDO, Carlos Moreira de (Dir.) “Dicionário de História Religiosa de Portugal”, vol. 3, Círculo de Leitores, 2001, p. 503
- FIGUEIREDO, Filipe de, “A obra literária do Pe. Donaciano de Abreu Freire”, I – O Escritor, Casa Municipal da Cultura, Estarreja, 1985
- FIGUEIREDO, Filipe de, “A obra literária do Pe. Donaciano de Abreu Freire”, II – O Orador Sagrado, Casa Municipal da Cultura, Estarreja, 1988
- FIGUEIREDO, Filipe de, “A obra literária do Pe. Donaciano de Abreu Freire”, III – O Orador Sagrado, Casa Municipal da Cultura, Estarreja, 1989 (pp. 163-167, 196-197)
- FIGUEIREDO, Filipe de, “O Pe. Donaciano de Abreu Freire – O Homem e o Padre do seu tempo”, IV – Biografia, Casa Municipal da Cultura, Estarreja, 1989 (pp. 132, 229, 239, 370, 382, 385-397, 399, 410-417, 509, 518)
- GASPAR, João Gonçalves, “A Diocese de Aveiro – subsídios para a sua história”, Ed. Cúria Diocesana de Aveiro, 1964, pp. 336, 385, 447-448
- O Jornal de Estarreja, n.º 2827, 25.4.1950, p. 4 (falecimento); JE, n.º 3356, 10.5.1972, p. 1; JE, n.º 3361, 25.7.1972, p. 2 (busto); JE, n.º 4343, 19.5.2006, p. 8 (art. de 1989)
- O Concelho de Estarreja, n.º 565, 10.8.1912, p. 1; CE, n.º 568, 31.8.1912, p. 3 (Missa Nova); CE, n.º 598, 29.3.1913, p. 3 (“O Regresso da Pecadora”); CE, n.º 638, 3.1.1914, p. 2 (“Zara”); CE, n.º 897, 15.2.1919, p. 2 (compra e direcção do Colégio S. Carlos, com o Dr. João Ruela Ramos) ; CE, n.º 2479, 29.4.1950, pp. 1, 2 e 3 (falecimento); CE, n.º 3557, 29.7.1972, pp. 1 e 6 (busto)
- O Concelho da Murtosa, n.º 1925, 30.11.1989, pp. 24 e 23

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[1]. Data discutida, esta é a que consta na ficha biográfica do Arquivo da Diocese de Aveiro e na imprensa local da época.
[2]. Filipe de FIGUEIREDO, I, 1985, pp. 245-246.
[3]. Livro de Actas – Assembleia Geral, fls. 9v-10.

In "História da Santa Casa da Misericórdia de Estarreja", Santa Casa da Misericórdia de Estarreja, 2010, pp. 75-78
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sábado, 4 de dezembro de 2010

Domingos Joaquim da Silva [1.º Visconde de Salreu]

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n. 27.11.1854 (Salreu); f. 11.9.1936 (Estoril)
Provedor da Misericórdia de Estarreja (1935-1936)

Nasceu em Salreu, no seio de uma família de pequenos proprietários. Em vez de prosseguir estudos superiores como alguns dos irmãos (dois cursaram medicina e um filosofia), emigrou para o Brasil, onde viria a acumular grande fortuna. Consolidada a posição financeira, tornou-se benemérito na terra natal e passou os últimos dias de vida entre Salreu, Lisboa e Estoril.

Casa dos pais do Visconde de Salreu, onde este
nasceu e sobre a qual construiu o seu palacete.

ENRIQUECIMENTO NO BRASIL. – Emigrou para o Brasil em 1870, com apenas 16 anos, levando consigo o «capital destinado à sua educação». Após trabalhar no transporte de areia por conta própria, esteve como empregado comercial numa serração. Adquirida esta em 1880, estabeleceu-se por conta própria, no mesmo sector de actividade. A empresa de serração cresceu, ocupando sucessivas instalações cada vez maiores e melhor equipadas, e abarcando a sua actividade diversos materiais de construção, importando e exportando. No início do século XX atingia grande dimensão, a ponto de ser considerada a maior do ramo na América do Sul. Nesta época teve um papel muito significativo no surto de construção verificado no Rio de Janeiro.

Palacete do Visconde de Salreu.

Possuindo frota própria de navios, para transporte de materiais de construção a partir do Rio de Janeiro, as relações comerciais desta empresa, até à Primeira Grande Guerra feitas essencialmente com países europeus, passaram então a fazer-se com os Estados Unidos da América. Actualmente designada DOVA (de DOmingos silVA), continua nas mãos da família do Visconde de Salreu e exerce actividade ligada à transformação e comércio de ferro e aço.

DOVA – Brasil.

NEGÓCIOS EM PORTUGAL. – Depois do triunfo profissional no Brasil, Domingos Joaquim da Silva fundou em Portugal diversas empresas de sucesso.

Em Salreu exerceu actividade industrial, junto do seu palacete , de moagem, serração, descasque de arroz, e lacticínios (queijo e manteiga, tendo anexa uma vacaria), privilegiando a utilização de inovações tecnológicas. Além disso adquiriu alguns terrenos na freguesia, parte dos quais de apreciável dimensão.

Caves Visconde de Salreu, em Colares (Sintra).

Por outro lado possuiu vários imóveis urbanos em Portugal, particularmente na região de Lisboa. Assumem destaque entre os seus múltiplos negócios o de comércio de vinho de Colares (com marca própria, em boa medida exportado), no respeitante a azeitona e produção de azeite a Fábrica Torrejana (Torres Novas), e uma refinaria de açúcar, a Refinaria Brazileira (Lisboa).

Visconde de Salreu. Quadro do pintor Fausto Sampaio
(13.12.1935), existente no palacete do Visconde em Salreu.

BENEMÉRITO EM SALREU E RECONHECIMENTO PÚBLICO. – Alcançada uma sólida posição financeira, Domingos Joaquim da Silva ofereceu ao povo da sua terra natal – Salreu – diversas obras de beneficência. Entre elas avultaram a Escola Domingos Joaquim da Silva (Laceiras, 1907), Escola Visconde de Salreu (Sra. do Monte, 1933), e um chafariz público próximo do Hospital Visconde de Salreu (1934). Foi precisamente o Hospital a obra social emblemática, que coroa o seu fim de vida. Este e o anexo Asilo Viscondessa de Salreu, resultantes de uma promessa feita em 1926 ao Pe. Donaciano de Abreu Freire, seriam concluídos em 1935, e no mesmo ano doados à Misericórdia de Estarreja.

Retrato a óleo do Visconde de Salreu, pelo pintor Acácio Lino (1934),
exposto no Salão Nobre do Hospital Visconde de Salreu.

Em reconhecimento da sua acção benemérita, a Domingos Joaquim da Silva foi concedido por D. Carlos o título de Visconde de Salreu , em 2.5.1907 (pela doação ao Estado da Escola das Laceiras), recebendo em 1933 a Comenda da Ordem da Instrução Pública (pela Escola da Sra. do Monte). Por seu turno uma nova banda de música, por si protegida, adoptou-lhe o nome, designando-se Banda Visconde de Salreu (1925), e na Misericórdia de Estarreja ficou como primeiro Provedor (1935-1936). Além do mais atribuiu-se o nome Visconde de Salreu a uma importante nova avenida da Vila de Estarreja, e mais tarde a três arruamentos de Salreu, acrescendo haver nesta freguesia três bustos em sua homenagem. Um retrato a óleo, do pintor Acácio Lino, seria descerrado nos Paços do Concelho, hoje no Hospital Visconde de Salreu.

Visconde de Salreu (fotografia).

MISERICÓRDIA DE ESTARREJA. – Construiu a suas custas e doou o Hospital Visconde de Salreu e Asilo anexo à Misericórdia de Estarreja, constituída para receber e gerir estas doações. Por conseguinte ocupou o lugar de primeiro Provedor, mais honorífico que executivo, nos últimos meses de vida. Consta pois como Provedor na primeira acta da Assembleia Geral (13.3.1936). Em Assembleia Geral da Irmandade realizada a 8.12.1957 era atribuída aos Viscondes de Salreu o diploma de Irmão Benemérito.

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Bibliografia:
- Arquivo da SCME, Livro de Actas – Assembleia Geral
- OLIVEIRA E SILVA, Maria de Jesus Sousa de, “As elites locais e a sua influência nos fins do século XIX e primeiras décadas do século XX – Um exemplo: Domingos Joaquim da Silva, Visconde de Salreu (1854-1936)”, In Ul-Vária, I, 1994, pp. 279-348 (fundamental)
- TRINDADE, Maria Beatriz Rocha; e CAEIRO, Domingos José Alves, “Portugal – Brasil, migrações e migrantes, 1850 – 1930”, Inapa, Lisboa, 2000
- ZUQUETE, Afonso Eduardo Martins, “Nobreza de Portugal e do Brasil”, 3.ª ed., vol. 3, Zairol, Lisboa, 2000, p. 275
- Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, XXVI, p. 789
- O Jornal de Estarreja, n.º 1068, Natal 1907, p. 4 (retrato e dados); JE, n.º 1581, 30.1.1918, p. 1 (retrato); JE, n.º 2016, 18.11.1926, pp. 1-4 (homenagem); JE, n.º 2320, 9.12.1932, p. 1; JE, n.º 2354, 25.10.1933, p. 2; JE, n.º 2458, 20.9.1936, p. 2 (falecimento)
- O Concelho de Estarreja, n.º 269, 24.11.1906, p.1 (homenagem); CE, n.º 301, 6.6.1907, p. 1; CE, n.º 310, 7.9.1907, p. 1; CE, n.º 315, 12.10.1907, p. 3; CE, n.º 563, 27.7.1912, p. 2; CE, n.º 1278, 23.10.1926, p. 2 (possível condecoração); O Povo de Pardilhó, n.º 495, 19.10.1936, p. 1 (falecimento)
- O Povo da Murtosa, n.º 115, 12.10.1907, p. 3
- http://www.dova.com-br/empresa_historia.asp [consultado em 30.8.2010]

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[1]. Concluído cerca de 1907, no local onde antes existia a casa de seus pais. A propriedade original viria a ser ampliada mediante a compra de sucessivas parcelas de terreno limítrofes.
[2]. O Concelho de Estarreja, n.º 301, 6.6.1907, p. 1; CE, n.º 310, 7.9.1907, p. 1. Comentou-se na época a possibilidade de seguir-se a imediata elevação ao título de Conde (O Concelho de Estarreja, n.º 315, 12.10.1907, p. 3; O Povo da Murtosa, n.º 115, 12.10.1907, p. 3).
[3]. O Jornal de Estarreja, n.º 2354, 25.10.1933, p. 2.

In "História da Santa Casa da Misericórdia de Estarreja", Santa Casa da Misericórdia de Estarreja, 2010, pp. 71-75
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