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sexta-feira, 24 de abril de 2020

Mais de 60 pessoas foram mortas em Salreu há 210 anos, durante a segunda invasão francesa

(Pormenor do registo paroquial de óbitos de Salreu, 1809)


Os exércitos de Napoleão Bonaparte tentaram conquistar Portugal em três ocasiões distintas, há cerca de dois séculos. Durante a segunda invasão francesa, comandada pelo Marechal Soult, a cidade do Porto foi tomada pelo inimigo, servindo de capital das forças francesas entre 29.3.1809 e 12.5.1809. A ocupação do Norte do país estendeu-se para Sul até ao rio Vouga, ficando instalada em Albergaria-a-Nova uma divisão de cavalaria sob as ordens do General Franceschi.

No propósito de controlar qualquer manobra inimiga, leia-se das tropas inglesas e portuguesas, navegando na Ria de Aveiro, vários militares franceses utilizaram a posição da Senhora do Monte, em Salreu, como ponto de vigia da região. É provável que alguns franceses se tenham instalado durante este período nos limites de Salreu, na Quinta dos Menezes (Casa do Santo). Os mais diversos roubos e violências, característicos das épocas de guerra, praticaram-se nos actuais concelhos de Estarreja e Murtosa, fugindo a maioria da população para lugares distantes ou mantendo-se na ria dentro de barcos, aguardando o regresso da normalidade.

A presença do exército francês provocou igualmente a morte de dezenas de civis, principalmente nas freguesias de Salreu e Beduído. Na sua maioria os populares foram mortos a tiro, do que deixaram testemunho escrito os párocos da época, nos livros de registo paroquial de óbitos. Houve também casos de particular crueldade, do que foi exemplo uma menina de sete anos afogada e um homem com deficiência mental cortado aos bocados pelas espadas dos franceses. No final, apenas em Salreu morreram mais de 60 pessoas, quase todas da freguesia e no mesmo dia, 16 de Abril de 1809 (faz agora 210 anos). Uma boa parte destas vítimas deve ter sido sepultada numa vala comum, próxima da fonte do Picoto. Muitos salreenses de hoje encontrarão entre elas antepassados seus.

Entretanto o ataque do exército britânico e português acabou por ditar a retirada francesa de Albergaria, na manhã de 10 de Maio de 1809, colocando um ponto final na segunda invasão francesa, nos concelhos de Estarreja e Murtosa.

Todavia, este momento tem que ser contextualizado na Guerra Peninsular (1807-1813), período em que Portugal e Espanha combateram os exércitos de Napoleão e que entre nós ficou genericamente conhecido por “invasões francesas”. Da Guerra Peninsular chegaram aos nossos dias outras informações respeitantes aos concelhos de Estarreja e Murtosa: conhecem-se as contribuições para o esforço de guerra em 1808, em cavalos ou destinadas à sua compra, destacando-se a oferta do Prior de Salreu; e houve diversos militares portugueses, originários de ambos os concelhos, combatendo os franceses. Inclusive o Alferes Manuel Marques Pires, que vendo-se aprisionado pelo exército francês fez promessa de construir uma capela na sua terra, dedicada a Nossa Senhora, caso voltasse a conhecer a liberdade. Tendo salvo a sua vida, veio por isso a construir a capelinha particular de Nossa Senhora das Necessidades, em 1819, que ainda se encontra próxima da escola da Póvoa de Baixo.

In 
O Jornal de Estarreja, n.º 4854, 19.4.2019, p. 2

domingo, 26 de janeiro de 2014

Revolta em Salreu, contra a apreensão de embarcações (1916)

No dia 9 de Dezembro de 1916, sábado de tarde[1], deslocou-se ao esteiro de Salreu uma lancha com guardas da Capitania do Porto de Aveiro, «com o intuito de verificar se algumas bateiras aí ancoradas tinham o respectivo número de matrícula, afim de aplicar a multa aos donos daquelas que não tivessem cumprido essa formalidade»[2], rebocando as que estivessem sem numeração[3].

O povo foi-se aproximando dos guardas, trocando-se entre as duas partes palavras desagradáveis[4], e tocando o sino da igreja a rebate para reunir mais povo, conseguindo alguns populares desarmar os guardas, que foram espancados[5]. Dos 9 ou 10 guardas ali presentes[6] ficaram alguns gravemente feridos[7], sendo depois tratados no Hospital de Aveiro. Porque entretanto ocorreu uma forte chuvada, o povo dispersou, conseguindo os guardas recolher à sua lancha, onde ainda havia duas espingardas, com as quais fizeram fogo, ferindo gravemente um ou dois salreenses[8]. Recolheram depois a Aveiro os guardas na sua lancha, na qual tiveram de tapar com barro vários buracos, causados pelos disparos feitos pelos salreenses quando se apoderaram das armas[9].

Devido a estes acontecimentos acabariam por ser julgados 15 salreenses[10], dos quais 8 iam acusados de cabeças de motim e permaneceram presos em Aveiro até ao julgamento[11]. Esperava-se serem julgados em finais de Janeiro de 1917, no Tribunal Militar de Viseu[12], mas este declarou-se incompetente, remetendo os autos para o foro civil, no juízo criminal de Estarreja[13]. Acabou porém por determinar a Procuradoria Geral da República que o julgamento se fizesse no Tribunal Militar de Viseu[14], como de facto sucedeu, na segunda-feira 30 de Abril de 1917[15]. Foi advogado de defesa o estarrejense Dr. Guilherme Eugénio Souto Alves[16], que representou 13 dos arguidos, tendo os outros dois defensor oficioso[17]. Embora em alguns títulos da imprensa local constasse que foram todos absolvidos[18], parece que foram absolvidos 9, sendo 2 condenados por desobediência e 4 por resistência à autoridade, com penas entre 1 e 3 meses de prisão, contada na preventiva[19].

No rescaldo dos factos de 9 de Dezembro deslocaram-se a Salreu forças de cavalaria e infantaria, que não chegaram a ter qualquer intervenção por serenidade do povo[20]. Só meses depois, nos finais de Agosto de 1917, regressaram à freguesia guardas da Capitania do Porto de Aveiro, cerca de 80 e com certo aparato bélico. Não houve interacção com o povo e a ordem imperou[21]. Manteve-se o azedume popular dos povos ribeirinhos para com os guardas da Capitania, pelas normas que defendiam e pelo excesso de zelo na sua aplicação. Situação que se agravava com a crise decorrente da participação portuguesa na Primeira Grande Guerra. Persistiu o rigor e firmeza da fiscalização das diversas transgressões, como as redes dos pescadores apreendidas e queimadas[22], os apanhados em flagrante delito que tentavam fugir mortos a tiro[23], e os que não fugiam julgados e condenados a pesadas multas ou cadeia[24]. Sofreram principalmente as restrições ao desempenho do seu ganha-pão os murtoseiros, pelo que não deixou saudades a passagem de Jaime Afreixo pelo lugar de Capitão do Porto de Aveiro, que ocupou entre Julho de 1914 e Janeiro de 1918[25].


[1] TAVARES Afonso e Cunha, José, “Notas Marinhoas - CLXVII”, O Concelho da Murtosa, n.º 1901, 30.9.1987, p. 19.
[2] O Concelho de Estarreja, 16.12.1916, pp. 1-2.
[3] O Povo da Murtosa, n.º 586, 16.12.1916, pp. 1-2.
[4] O Concelho de Estarreja, 16.12.1916, pp. 1-2.
[5] O Concelho de Estarreja, 16.12.1916, pp. 1-2; O Povo da Murtosa, n.º 586, 16.12.1916, pp. 1-2; TAVARES Afonso e Cunha, José, “Notas Marinhoas - CLXVII”, O Concelho da Murtosa, n.º 1901, 30.9.1987, p. 19.
[6] O Povo da Murtosa, n.º 586, 16.12.1916, pp. 1-2; TAVARES Afonso e Cunha, José, “Notas Marinhoas - CLXVII”, O Concelho da Murtosa, n.º 1901, 30.9.1987, p. 19.
[7] O Concelho de Estarreja, 16.12.1916, pp. 1-2; O Povo da Murtosa, n.º 586, 16.12.1916, pp. 1-2; TAVARES Afonso e Cunha, José, “Notas Marinhoas - CLXVII”, O Concelho da Murtosa, n.º 1901, 30.9.1987, p. 19.
[8] O Povo da Murtosa, n.º 586, 16.12.1916, pp. 1-2 (ver também números seguintes); TAVARES Afonso e Cunha, José, “Notas Marinhoas - CLXVII”, O Concelho da Murtosa, n.º 1901, 30.9.1987, p. 19 (um); O Concelho de Estarreja, 16.12.1916, pp. 1-2 (dois).
[9] O Povo da Murtosa, n.º 586, 16.12.1916, pp. 1-2; TAVARES Afonso e Cunha, José, “Notas Marinhoas - CLXVII”, O Concelho da Murtosa, n.º 1901, 30.9.1987, p. 19.
[10] O Povo da Murtosa, n.º 603, 5.5.1917, p. 2; O Jornal e Estarreja, n.º 1544, 6.5.1917, p. 1.
[11] Campeão das Províncias, 20.1.1917, p. 2; CP, 3.2.1917, p. 2; O Povo da Murtosa, n.º 589, 27.1.1917, p. 1; O Jornal e Estarreja, n.º 1544, 6.5.1917, p. 1.
[12] Campeão das Províncias, 20.1.1917, p. 2.
[13] Campeão das Províncias, 3.2.1917, p. 2; O Povo da Murtosa, n.º 589, 27.1.1917, p. 1.
[14] O Povo da Murtosa, n.º 600, 14.4.1917, p. 2.
[15] O Jornal e Estarreja, n.º 1544, 6.5.1917, p. 1.
[16] Campeão das Províncias, 20.1.1917, p. 2; O Jornal de Estarreja, n.º 1542, 22.4.1917, p. 2; JE, n.º 1544, 6.5.1917, p. 1; O Concelho de Estarreja, n.º 810, 5.5.1917, p. 1; O Povo da Murtosa, n.º 603, 5.5.1917, p. 2.
[17] O Povo da Murtosa, n.º 603, 5.5.1917, p. 2.
[18] O Jornal e Estarreja, n.º 1544, 6.5.1917, p. 1; O Concelho de Estarreja, n.º 810, 5.5.1917, p. 1.
[19] O Povo da Murtosa, n.º 603, 5.5.1917, p. 2.
[20] Campeão das Províncias, 16.12.1916, p. 1.
[21] Ecos do Antuã, n.º 2, 8.9.1917, pp. 1-2.
[22] O Povo da Murtosa, n.º 586, 16.12.1916, pp. 1-2; TAVARES Afonso e Cunha, José, “Notas Marinhoas - CLXVII”, O Concelho da Murtosa, n.º 1901, 30.9.1987, p. 19.
[23] O Povo da Murtosa, n.º 586, 16.12.1916, pp. 1-2; TAVARES Afonso e Cunha, José, “Notas Marinhoas - CLXVII”, O Concelho da Murtosa, n.º 1901, 30.9.1987, p. 19; TAVARES Afonso e Cunha, José, Notas Marinhoas, V, 1995, p. 165.
[24] TAVARES Afonso e Cunha, José, Notas Marinhoas, V, 1995, p. 166.
[25] TAVARES Afonso e Cunha, José, Notas Marinhoas, V, 1995, p. 165. Não nos foi possível consultar, a respeito deste episódio, o Correio de Aveiro.


In “Revoltas populares em Estarreja e Murtosa”, Terras de Antuã, Câmara Municipal de Estarreja, VII, 2013, pp. 81-94.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Revolta na Murtosa, contra o defeso na pesca e na apanha do moliço (1913)


Por regulamento datado de 28 de Dezembro de 1912, estava na ria de Aveiro proibida durante quatro meses do ano, entre Março e Junho, a pesca com rede miúda e a apanha de moliço. A proibição visava defender a vegetação da ria e proteger a fecundação, desenvolvimento e criação dos peixes[1]. Porém a necessidade de tão apertada regulamentação era discutida, por se apontarem outras causas para a escassez de recursos da ria, designadamente as minas de arsénico de Nogueira do Cravo, que havia 15 anos matavam todo o peixe no percurso dos rios Ul e Antuã[2]. Em qualquer caso, ficava impedido de ganhar o seu sustento e o de sua família, durante quatro longos meses, um número de homens que um jornal local estimou ser de 4 mil[3], principalmente nas freguesias da Murtosa, Bunheiro e Pardilhó[4]. Os visados vinham reclamando da sua sorte, e com eles se solidarizava com frequência a imprensa local e regional. Porque não existiam nem se compreenderiam à época os apoios sociais do Estado, só uma alternativa de trabalho poderia atalhar a fome dos pescadores, moliceiros e suas famílias durante os meses de defeso. Nesse sentido, a certa altura circulou o boato do governo ir abrir serviços públicos na Barra de Aveiro, garantindo às duas classes ganha-pão nesses meses[5]. Fosse como fosse, o tempo passava e acabou por ser atingido o ponto de ruptura, com uma sublevação popular que durou três dias, entre 20 e 23 de Abril de 1913.

DOMINGO, 20 DE ABRIL

Durante a madrugada de Domingo, 20 de Abril de 1913[6], cerca das 2h00 ou 3h00, «começavam a juntar-se, na praça de Pardelhas, grupos de homens fazendo alarido»[7], pescadores e moliceiros em grande número, que se sentiam prejudicados pelo regulamento que os impedia de trabalhar na ria[8]. Os revoltosos não permitiram a realização do mercado diário de Pardelhas e obrigaram o comércio local a permanecer encerrado[9], estando armados de paus[10]. Para além do mais assaltaram as padarias e os vendedores de queijo, que distribuíram entre si e seus filhos[11]. O terem feito tocar o sino a rebate na capela de S. Lourenço[12], onde aliás não se pôde realizar missa[13], contribuiu para que aumentasse o número de pessoas concentrado na praça de Pardelhas, que se estimou em número superior a 3 mil[14]. O comércio local manteve-se fechado, e os principais comerciantes reunidos em comissão permanente[15].

Devido a estes acontecimentos o telégrafo começou a trabalhar muito cedo[16], permitindo informar as autoridades do que sucedia. O administrador do concelho de Estarreja requisitou para Aveiro (e o governador civil anuiu), além da polícia, uma força militar de infantaria (comandada por um tenente) e outra de cavalaria (sob o comando de um capitão)[17]. Desembarcaram na estação do caminho-de-ferro de Estarreja, às 11h20, 35 praças de infantaria, que logo partiram para Pardelhas. Às 14h20 chegaram 59 homens da cavalaria, que se foram juntar à infantaria[18]. A cavalaria e a infantaria chegaram à praça de Pardelhas às 16h00[19]. Acto contínuo, o povo fez «tocar os sinos a rebate, conseguindo grande ajuntamento de populares, que receberam os militares com vivas ao exército, à pátria e à república»[20], sem que houvesse atritos com a autoridade, mas tão só lamentações populares pelas suas dificuldades.

Entretanto, uma comissão de comerciantes de Pardelhas (e três membros da Junta de Freguesia da Murtosa) reuniu-se nessa mesma tarde em Estarreja com o governador civil de Aveiro, Dr. Alberto Vidal (por sinal oriundo de Salreu), que havia acompanhado os militares até à sede do concelho. Nessa reunião o governador civil afirmou que, a seu pedido, se ordenara a realização de obras na Barra de Aveiro, a fim de dar emprego aos pescadores e moliceiros na época de defeso. Do lado da comissão de comerciantes foi sugerido que se realizassem trabalhos dentro da Murtosa, designadamente a abertura de um esteiro que prolongasse a ribeira de Pardelhas até às proximidades do centro da povoação, assim como um cais acostável na Torreira. A proposta obteve acolhimento por parte do governador civil, e a comissão de comerciantes comprometeu-se a abrir todo o comércio de Pardelhas no dia seguinte[21].

Prometidas providências pelas partes e serenados os ânimos, o governador civil foi já de noite a Pardelhas[22], onde verificou reinar o sossego e, por isso, ordenou a retirada de parte dos militares que ali se encontravam, concretamente 34 praças de cavalaria[23].

SEGUNDA-FEIRA, 21 DE ABRIL

Na segunda-feira de madrugada voltaram a tocar os sinos a rebate, juntando-se ainda mais gente na praça de Pardelhas, que manteve uma atitude ordeira[24], mas impedindo a abertura do mercado e dos estabelecimentos comerciais, bem como das escolas[25]. Por essa razão mais tropa de cavalaria e o batalhão de infantaria aquartelado em Ovar foram a Pardelhas[26], sendo aí mais uma vez recebidos com vivas à pátria, ao exército e à república, não se registando atritos significativos[27].

Telegrafaram os comerciantes ao governador civil, que chegou a Pardelhas cerca das 11h00, reunindo na estação telégrafo-postal com uma comissão de comerciantes e alguns pescadores e moliceiros. Terá o governador civil afirmado nessa reunião que viera a Pardelhas sem receio, e para o mostrar entrara na localidade em carro destapado para ser bem visto. Depois falou o governador civil à multidão, da varanda da estação telégrafo-postal, que era próxima da Praça de Pardelhas. Pediu ordem à população, e prometeu empenhar-se junto do governo para que fossem financiadas obras na freguesia, que permitissem o emprego e subsistência da população nos meses de defeso. Seguiram-se discursos apoiando o antecedente por parte do Pe. Rodrigues Luiz Tavares e do alferes de cavalaria Guimarães. Em resposta a estas palavras o povo, não convencido, gritou exigindo a liberdade de trabalho na ria de Aveiro, para que pudesse ganhar o seu sustento. Acabariam por serenar os ânimos e voltar para Estarreja o governador civil[28].

TERÇA-FEIRA, 22 DE ABRIL

Começou a terça-feira igual ao dia anterior, com o tocar dos sinos a rebate, e os pescadores e moliceiros mantendo o mercado, comércio e escolas encerrados, mas dando vivas à república e ao exército, presentes na cavalaria e infantaria vindas de Aveiro[29]. As forças militares presentes procuraram dispersar os manifestantes, para que o mercado abrisse ao público[30], mas a situação acabou por agravar-se em relação aos dias anteriores. Alguns populares terão atirado pedras aos militares[31], o que provocou uma carga da cavalaria sobre os manifestantes[32] e disparos dos militares para o ar[33], fazendo com que o povo se assustasse e fugisse, gritando, em todas as direcções[34]. Terão ficado feridas 5 pessoas[35].

Restabelecida a paz, fizeram-se várias detenções, sendo a maioria dos detidos enviados para Aveiro, e alguns seguiram para a cadeia de Estarreja[36], parece que 11, acompanhados por praças de cavalaria[37]. O Jornal de Estarreja visitou nesse dia a Murtosa, presenciando forças militares por toda a freguesia, e tendo afirmado nas suas colunas que «à hora em que estivemos na Murtosa, grupos de presos seguiam entre soldados para bordo da lancha, que os conduzia à capitania, enquanto mais uma força de infantaria chegava»[38].

Novamente o governador civil deslocou-se a Pardelhas, reunindo com uma comissão de comerciantes no edifício da estação telégrafo-postal. Ficou acordado que os estabelecimentos comerciais abrissem às 13h00, como de facto veio a suceder, e prometeu o governador civil ao povo providências, da varanda do edifício, fosse por via da alteração do regulamento que impunha o defeso, ou pela abertura de obras públicas na freguesia[39], deste modo criando emprego. As casas comerciais mantiveram-se abertas sob protecção dos militares, e com patrulhas de cavalaria[40].

Durante estes acontecimentos estiveram em Pardelhas forças de cavalaria e infantaria de Aveiro, às quais se juntou na terça-feira um batalhão de infantaria que veio de Ovar[41]. Calculou-se terem estado mobilizados mais de 500 homens desde o domingo, entre praças de infantaria, cavalaria, marinha e guarda fiscal[42]. O ministro da Guerra, que havia visitado Ovar para passar revista ao batalhão ali aquartelado, mas que entretanto seguira para Pardelhas, foi ao seu encontro com o respectivo estado-maior em dois automóveis, regressando depois a Estarreja, em cuja praça este batalhão fez exercício[43]. Serenado o conflito e a tensão do momento, as tropas retiraram da Murtosa[44].

PÓS-REVOLTA

Depois do dia do conflito, na quarta e na quinta-feira Pardelhas manteve-se em relativa tranquilidade[45]. Os comerciantes da Murtosa distribuíram na freguesia um manifesto, transcrito por O Jornal de Estarreja, solidarizando-se com os manifestantes e dando conta de que o governo civil procuraria mover influência junto do governo, para que fossem abertas obras públicas na Murtosa, pelo que se apelava à serenidade por alguns dias[46]. Os jornais da região, de Lisboa e alguns de outras regiões continuaram a fazer eco das dificuldades dos pescadores e moliceiros, solidarizando-se com os mesmos[47]. E as sensibilidades politicas procuraram interpretações a seu modo. Foi Afonso Costa, chefe do governo, que declarou no parlamento que havia padres envolvidos no protesto, e este ocorrera em momento inoportuno[48]. Foi também um jornal da região que, compreendendo os manifestantes, declarou que o regulamento que impunha o defeso pertencia à monarquia, e nunca antes fora posto em vigor[49].

Na quinta-feira 24 de Abril ainda se fizeram detenções, e os detidos em Aveiro na capitania foram transferidos para a cadeia. Dos 13 homens da Murtosa detidos na cadeia de Aveiro, dois foram transferidos para a de Estarreja, a requerimento das autoridades daqui, juntando-se a outros que já aqui se encontravam. Por causa dos que permaneciam detidos em Aveiro, «pela cidade vagueiam alguns grupos de mulheres dos presos, filhos e outros parentes, embrulhados nas suas negras saias de serguilhas, lacrimejando e lamentando-se se algum estranho lhe dirige a palavra»[50]. No início de Maio de 1913 a maioria dos detidos tinha já sido posta em liberdade[51], constando que 21 deles teriam sido pronunciados[52] pelo crime de rebelião[53]. A 4 de Maio dirigiu-se a Aveiro uma comissão de comerciantes a fim de pedir ao governador civil benevolência para os detidos[54]. Fizeram-se os competentes relatórios na capitania sobre os acontecimentos em Pardelhas[55] e, terminado o inquérito, concluiu-se não terem havido cabecilhas nem segundas intenções por parte dos revoltosos[56].

A revolta trouxe os frutos que a passividade não garantia. No rescaldo dos acontecimentos, no final do mês de Abril, os jornais noticiavam a abertura de obras na Murtosa, e concretamente na ribeira de Pardelhas, ainda nesse mês, empregando os pescadores e moliceiros[57]. Em 30 de Abril a maioria dos comerciantes da Murtosa deslocou-se a Aveiro, a agradecer ao governador civil o subsídio concedido para as obras na ribeira de Pardelhas, que empregaram quase todos os moliceiros e pescadores locais[58]. Entre o fim de Abril e o início de Maio iniciaram-se as obras, com a abertura e desobstrução do esteiro de Pardelhas e alguns canais, por conta do Estado, empregando centenas de homens (talvez perto de 300), benefício que se atribuía à intercessão junto do governo por parte do governador civil, Dr. Alberto Vidal[59].

Entretanto os 4 meses de defeso anual terminariam em 24 de Junho, publicando o capitão do porto de Aveiro (Silvério Ribeiro da Rocha e Cunha) o edital que o anunciava, datado de 11 de Junho, e que um jornal local transcreveu[60]. A partir de então, e até à época de defeso do ano seguinte, quem possuísse licença podia apanhar moliço ou pescar, com redes Mugeira, Chinchorro, Garatêa, Chinchas e Fisgas (malha superior). Todos os tripulantes de barcos moliceiros, de pesca, de transporte, ervas ou junco, estavam obrigados a ter cédula de inscrição marítima.

NOVOS ATRITOS

Durante o mês de Maio de 1913 terão ocorrido pelo menos dois episódios de certa tensão, e que de algum modo podem ser considerados réplicas dos acontecimentos de entre 20 e 22 de Abril.

Nem todos os moliceiros e pescadores inactivos foram empregues nas obras da ribeira de Pardelhas, o que originou novos atritos. Num dos casos, uma lancha a vapor da fiscalização surpreendeu 6 barcos na apanha do moliço, a 11 de Maio (domingo). Os tripulantes fugiram e encalharam os barcos, no lugar do Carregal Velho, enlameando os números para não serem apanhados, acabando por evadirem-se insultando os marinheiros. Avisada a capitania, enviou ao local mais lanchas, com uma força comandada por um sargento, que desembarcou e recolheu os números dos barcos. Apareceram no local particulares, opondo-se à fiscalização, e envolvendo-se as duas partes numa luta, em que inclusive foi partida uma carabina[61].

Noutra versão da mesma história, na madrugada de domingo, 11 de Maio, dois pardilhoenses dirigiam-se a Ovar de moliceiro (Manuel Lopes Conde e Daniel Lopes Venâncio) «conduzindo no seu barco algumas mulheres daqui que no mercado daquela vila iam fazer o seu negocio»[62]. Perto do lugar da Moita foram encontrados por duas lanchas da capitania tripuladas por 16 fiscais. Porque o moliceiro em que seguiam os populares não estava numerado, os fiscais deram ordem para que a vela fosse arreada, preparando-se para apreender a embarcação. Os populares aproximaram-se de uma margem, provocando um rombo no fundo do moliceiro, que o inundou e impediu a continuação da viagem. Saltaram para terra e fugiram com a vela, sendo perseguidos pelos fiscais, que os apanharam e espancaram, com os seus sabres e carabinas, resultando partida uma carabina nas costas de um dos fugitivos. A vela acabou apreendida, e os agredidos apresentaram queixa às autoridades em Ovar[63].

Também no dia 11 de Maio (domingo), cerca das 10h00, quando um cabo de marinha chamado Eduardo, da capitania do porto de Aveiro, de dirigia à casa do cabo do mar Luiz Carneiro da Silva Júnior, no Ribeiro da Murtosa, apercebeu-se ao entrar no pátio da casa de dois indivíduos nas proximidades. Um deles aproximou-se do cabo, disparando dois tiros de revólver, porém não conseguindo atingir a vítima, que de imediato disparou do mesmo modo dois tiros com a sua pistola automática, igualmente sem acertar no seu agressor. Fugiram o companheiro e o agressor, este perseguido pelo cabo e por José da Encarnação Rendeiro, que por acaso ali passava. Apanhado e desarmado o agressor, chorou muito e pediu perdão, alegando que os disparos não se destinavam ao cabo, e sendo deixado em liberdade com a condição de se apresentar no dia seguinte na casa do cabo do mar. Contudo no dia seguinte foi para o seu serviço de mercantel, em vez de se apresentar. Na terça-feira foi preso perto da Ponte da Rata, quando subia o Vouga no seu barco, e conduzido à capitania, onde foi interrogado, recolhendo depois à cadeia de Aveiro, aí aguardando julgamento. Constou entre o povo da Murtosa que a motivo do episódio foi o defeso na pesca e apanha do moliço, que causou má disposição popular contra o cabo do mar, por excesso de zelo nas suas atribuições[64].

A vida na ria continuou arriscada, com os marinheiros da capitania perseguindo e disparando a matar, contra os moliceiros e pescadores que incumpriam o regulamento[65]. Privados do seu único ganha-pão, muitos pescadores da Murtosa viriam a engrossar uma onda migratória, ao tempo destinada ao Brasil.




[1] Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1.
[2] O Jornal de Estarreja, n.º 1339, 26.4.1913, p. 1; JE, n.º 1340, 1.5.1913, p. 2. No mesmo sentido, mas com referência de há mais de 20 anos a poluição matar o peixe, O Jornal de Estarreja, n.º 1437, 21.3.1915, p. 1.
[3] O Concelho de Estarreja, n.º 603, 3.5.1913, p. 1.
[4] Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3; CA, n.º 164, 4.5.1913, p. 2.
[5] O Concelho de Estarreja, n.º 600, 12.4.1913, p. 2.
[6] O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2; O Jornal de Estarreja, n.º 1339, 26.4.1913, p. 1.
[7] Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[8] O Jornal de Estarreja, n.º 1339, 26.4.1913, pp. 1 e 2; O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2; Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1.
[9] O Jornal de Estarreja, n.º 1339, 26.4.1913, p. 2; O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2; O Concelho de Estarreja, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3; Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1; S, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3; Campeão das Províncias, n.º 6255, 23.4.1913, p. 1; Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; O Comércio do Porto, 22.4.1913, p. 4.
[10] Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[11] Campeão das Províncias, n.º 6255, 23.4.1913, p. 1; Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; O Comércio do Porto, 22.4.1913, p. 4.
[12] O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2; Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1.
[13] Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[14] Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1.
[15] Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; O Comércio do Porto, 22.4.1913, p. 4; Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[16] Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[17] Campeão das Províncias, n.º 6255, 23.4.1913, p. 1; Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; O Comércio do Porto, 22.4.1913, p. 4; O Concelho de Estarreja, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3.
[18] O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2.
[19] Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[20] O Comércio do Porto, 22.4.1913, p. 4. No mesmo sentido, Campeão das Províncias, n.º 6255, 23.4.1913, p. 1; Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1; Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[21] O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2; Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[22] Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3; O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2.
[23] O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2; Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[24] O Concelho de Estarreja, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3; Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[25] O Concelho de Estarreja, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3; O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2; Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1; S, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[26] O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2.
[27] Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; O Concelho de Estarreja, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3.
[28] Para este parágrafo ver Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3, principalmente. Ver também: Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1; Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; O Concelho de Estarreja, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3; O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2; O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2.
[29] O Concelho de Estarreja, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3; Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1; S, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[30] Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[31] O Século, n.º 11266, 23.4.1913, p. 1; Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1; S, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3; O Concelho de Estarreja, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3; CE, n.º 603, 3.5.1913, p. 1; O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2.
[32] O Século, n.º 11266, 23.4.1913, p. 1; Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3; Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; O Concelho de Estarreja, n.º 603, 3.5.1913, p. 1.
[33] O Século, n.º 11266, 23.4.1913, p. 1; Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1; S, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3; O Concelho de Estarreja, n.º 603, 3.5.1913, p. 1; CE, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3; O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2.
[34] O Século, n.º 11266, 23.4.1913, p. 1; Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3; O Concelho de Estarreja, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3.
[35] O Século, n.º 11266, 23.4.1913, p. 1; Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1; S, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3; O Concelho de Estarreja, n.º 603, 3.5.1913, p. 1.
[36] O Século, n.º 11266, 23.4.1913, p. 1; Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1; S, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3; O Concelho de Estarreja, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3; O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2.
[37] O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2.
[38] O Jornal de Estarreja, n.º 1339, 26.4.1913, p. 1.
[39] Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[40] O Século, n.º 11266, 23.4.1913, p. 1; Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1.
[41] O Século, n.º 11266, 23.4.1913, p. 1; O Jornal de Estarreja, n.º 1339, 26.4.1913, p. 2; O Concelho de Estarreja, n.º 603, 3.5.1913, p. 1.
[42] Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento.
[43] O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2.
[44] Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; O Concelho de Estarreja, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3.
[45] O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2.
[46] O Jornal de Estarreja, n.º 1339, 26.4.1913, p. 1; O Concelho de Estarreja, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3.
[47] O Concelho de Estarreja, n.º 603, 3.5.1913, pp. 2 e 3; O Povo da Murtosa, n.º 398, 3.5.1913, p. 2.
[48] O Concelho de Estarreja, n.º 603, 3.5.1913, p. 1.
[49] Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento.
[50] Comércio do Porto, 26.4.1913, p. 1.
[51] Correio de Aveiro, n.º 164, 4.5.1913, p. 1; O Povo da Murtosa, n.º 398, 3.5.1913, pp. 1 e 2.
[52] Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[53] Campeão das Províncias, n.º 6258, 3.5.1913, p. 1; Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[54] Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[55] Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento.
[56] Correio de Aveiro, n.º 166, 18.5.1913, p. 1.
[57] O Comércio do Porto, 30.4.1913, p. 1; Campeão das Províncias, n.º 6257, 31.4.1913, p. 1; Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; O Concelho de Estarreja, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3.
[58] O Povo da Murtosa, n.º 398, 3.5.1913, p. 2.
[59] Os Successos, n.º 1243, 10.5.1913, p. 1; O Concelho de Estarreja, n.º 603, 3.5.1913, p. 3; O Povo da Murtosa, n.º 398, 3.5.1913, p. 1; PM, n.º 400, 17.5.1913, p. 1.
[60] O Concelho de Estarreja, n.º 610, 21.6.1913, p. 3.
[61] Os Successos, n.º 1244, 17.5.1913, p. 2 (principalmente); O Jornal de Estarreja, n.º 1342, 18.5.1913, p. 2.
[62] O Concelho de Estarreja, n.º 605, 17.5.1913, pp. 2-3.
[63] O Concelho de Estarreja, n.º 605, 17.5.1913, pp. 2-3 (principalmente); O Concelho de Estarreja, n.º 606, 24.5.1913, p. 3 (e número anterior); há mais referências, consideradas menos precisas, no Século e na Pátria (Ovar). Outra versão no Campeão das Províncias, n.º 6161, 14.5.1913, p. 1.
[64] O Povo da Murtosa, n.º 400, 17.5.1913, p. 2.
[65] Um exemplo em EGAS MONIZ, A Nossa Casa, 3.ª ed., Câmara Municipal de Estarreja, 2001, pp. 138, 140. Outro em VILAR, Jaime, Histórias Por Contar, Câmara Municipal da Murtosa, 1989, pp. 17-20. Numa notícia de 1929, um marinheiro do posto do Chegado (Murtosa) disparou contra um pescador, matando-o instantaneamente – O Jornal de Estarreja, n.º 2129, 10.2.1929, p. 1.


In “Revoltas populares em Estarreja e Murtosa”, Terras de Antuã, Câmara Municipal de Estarreja, VII, 2013, pp. 81-94.