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quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Monografia da Murtosa, vol. 4 (2021)


 

No âmbito das comemorações do 29 de Outubro, aniversário da criação do concelho da Murtosa, promovidas pela Câmara Municipal da Murtosa, foi apresentado o 4.º volume da "Monografia da Murtosa", de que é autor Marco Pereira. A apresentação do livro teve lugar no recentemente renovado CRM (Centro Recreativo da Murtosa) - Oficina de Dança e Artes Criativas, pelas 10h00. Ao ritmo de um volume por ano, sempre apresentado no dia 29 de Outubro, a "Monografia da Murtosa" pretende estudar o concelho nas suas variadas vertentes, sempre na perspectiva histórica. Este ano o tema abordado é o da Idade Média, conforme o sumário abaixo, mas referem-se também alguns aspectos sobre a Idade Moderna, fazendo a ligação com a actualidade.

ORIGEM HISTÓRICA (IDADE MÉDIA E IDADE MODERNA)

Os primeiros testemunhos da presença humana, na área do atual concelho da Murtosa, encontram-se apenas gravados na toponímia: duas mamôas (Mama Parda e Mamoa da Garça), dois nomes de possível origem árabe (Gelfa e Muranzel) e dois nomes de lugar de origem germânica, da época das invasões bárbaras (Romariz e Arrufo).

Encontram-se documentados os nomes dos principais núcleos desde o século XIII: Gelfa (1283), Murtosa (1286), Pardelhas (1287) e Bunheiro (1372). Diferencia-se em vários aspetos a Idade Média da Idade Moderna, já se distinguindo naquela a Terra Marinhoa. Naquele período destacam-se temas como a Peste Negra (1348), uma demografia escassa e com razoável mobilidade demográfica, a exploração dos populares e um caso de participação no desastre de Tânger (1437).

Eram as instituições monásticas que dominavam o território, sendo as principais o Mosteiro de Arouca e o Mosteiro de Vila Cova de Sandim (Gaia), este mais tarde agregado ao Mosteiro de São Bento de Ave-Maria, no Porto.

As terras de Antuã/Estarreja pertenciam ao Mosteiro de Arouca desde 1257 (incluíam a freguesia do Bunheiro e metade da da Murtosa), até meados do século XIX, que dali recebia foros e oitavos. A outra metade da freguesia da Murtosa (lugares de Pardelhas e Ribeiro) foi do século XIII ao século XIX do Mosteiro de Vila Cova, depois São Bento de Ave-Maria. A Torreira era uma parte indiferenciada das dunas do litoral, a Gelfa, que pertencia a Cabanões (que depois se chamou Ovar) e onde se criava gado na Idade Média e na Idade Moderna.

A economia local baseava-se na agricultura, pecuária, salicultura e pesca. A cultura dominante do trigo na Idade Média deu lugar à do milho na Idade Moderna. A criação de gado na Gelfa nos dois períodos, que também se fez nas ilhas, incluiu desde cedo cavalos, vacas e porcos. As salinas constituíam uma importante atividade económica. Enfim a pesca, que se fazia na Ria na Idade Média, virou-se igualmente para o mar na Idade Moderna, quando as condições naturais a isso obrigaram.

O cruzamento de fontes genealógicas com outras pouco conhecidas pode fornecer abundante informação sobre quem eram e que terras possuíam antepassados que, no limite, viveram há 500 anos atrás.

“Monografia da Murtosa”, vol. 3, apresentada no dia 29 de Outubro de 2020



É o terceiro volume da “Monografia da Murtosa”, edição da Câmara Municipal da Murtosa e da qual é autor Marco Pereira. Uma colecção que vem sendo publicada ao ritmo de um livro por ano, sempre no dia 29 de Outubro, o aniversário da criação do concelho da Murtosa. O volume foi apresentado na quinta-feira, 29 de Outubro de 2020, às 10h15, na Oficina das Artes, Murtosa (antiga Escola de Pardelhas-Monte).

No livro publicado são focados dois temas: a História Eclesiástica e a Administração Pública. Na História Eclesiástica trata-se, entre outros assuntos, da demografia eclesiástica (estatísticas), criação das paróquias do concelho da Murtosa, residências paroquiais e salões paroquiais, Tribunal do Santo Ofício (Inquisição), Lei da Separação de 1911, associações, listas de bispos, párocos e sacerdotes naturais do concelho. Por sua vez, a Administração Pública dá atenção à criação do concelho da Murtosa e das suas freguesias, sedes do poder político, heráldica e listas de autarcas. Fazem ainda parte do tema da Administração Pública as fronteiras, normas locais, administração judicial, Registos e Notariado, Autoridade Tributária, segurança pública e os actos eleitorais. Sobre os actos eleitorais incluem-se tabelas e gráficos, dando conta dos resultados de todas as eleições, desde o 25 de Abril de 1974: Assembleia Constituinte, Referendos, Presidenciais, Legislativas, Europeias e Autárquicas.

sábado, 26 de outubro de 2019

Apresentação da "Monografia da Murtosa", vol. 2

O segundo volume da "Monografia da Murtosa" foi apresentado no dia 29 de Outubro de 2019, terça-feira, às 11h00, no Salão Nobre dos Paços do Concelho da Murtosa. O livro, edição da Câmara Municipal da Murtosa e do qual é autor Marco Pereira, dá seguimento ao volume apresentado exactamente um ano antes, no aniversário da criação do concelho da Murtosa, e pretende dar a conhecer a história e a identidade do mesmo. Ao ritmo de um volume por ano continuará a tratar de forma pormenorizada os mais diversos temas, abordados antes resumidamente na "Breve História do Concelho da Murtosa" (2016). A publicação pretende ser resposta para diversas finalidades, incluindo no percurso escolar, que poderá servir-se do conhecimento que ali se encontra como exemplo local das matérias curriculares.

Neste segundo volume desenvolvem-se três capítulos: o Clima, a Biodiversidade e a Toponímia. As características climáticas locais são descritas num pequeno capítulo inicial. Segue-se, mais desenvolvidamente, a biodiversidade, de forma essencialmente descritiva, mas dando alguma atenção à vertente histórica e incluindo a reprodução de um conjunto de gravuras antigas. Finalmente a toponímia, igualmente desenvolvida, agrega na forma de diccionário todos os nomes de lugares existentes no concelho, procurando dar conta das primeiras referências históricas de muitos deles e fornecendo uma explicação para a sua origem.

PEREIRA, Marco - Monografia da Murtosa. Vol. 2, Câmara Municipal da Murtosa, 2019

ONDE COMPRAR: Câmara Municipal da Murtosa, Biblioteca Municipal da Murtosa e Comur - Museu Municipal da Murtosa.

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

"Monografia da Murtosa" apresentada no dia 29 de Outubro de 2018




 O 1.º volume da “Monografia da Murtosa” foi apresentado no dia 29 de Outubro de 2018, pelas 10h00, no Salão Nobre da Câmara Municipal da Murtosa. O livro, de que é autor Marco Pereira e editora a Câmara Municipal da Murtosa, é o primeiro de uma série, para sair ao ritmo de um por ano, sempre no 29 de Outubro, dia em que se assinala a emancipação do concelho da Murtosa (29/10/1926). Cada volume pretende desenvolver um conjunto de temas relacionados com a história do local e outras áreas do conhecimento, que ajudem a conhecer melhor a identidade murtoseira. Esta série vem na sequência da “Breve história do concelho da Murtosa” (2016), que procurou dar um retrato global mas sucinto da história do concelho, pretendendo-se agora desenvolver ao longo de vários volumes tudo o que ali veio sumariado. Neste primeiro volume da “Monografia da Murtosa” trata-se, sobretudo, da Geomorfologia (principalmente a formação e evolução da Ria de Aveiro) e da Cartografia (mapas da Murtosa, antigos e recentes).

Simultaneamente, está patente na Câmara Municipal uma exposição de mapas antigos, da Murtosa e sua região, desde o século XVI até à actualidade. Entre os mapas em exposição conta-se o mais antigo levantamento topográfico da vila da Murtosa, na escala de 1:2000, e dimensão em papel de 2 x 2,5 metros, com data de 1932. Nesse mapa muitas casas têm os seus proprietários identificados, sendo possível encontrar os nomes e casas dos avós e bisavós de muitos murtoseiros.

 PEREIRA, Marco - Monografia da Murtosa. Vol. 1, Câmara Municipal da Murtosa, 2018

ONDE COMPRAR: Câmara Municipal da Murtosa, Biblioteca Municipal da Murtosa e Comur - Museu Municipal da Murtosa.

sábado, 15 de setembro de 2018

Livro: Breve História do Concelho da Murtosa



PEREIRA, Marco - Breve História do Concelho da Murtosa. Câmara Municipal da Murtosa, 2016

ONDE COMPRAR: Câmara Municipal da Murtosa, Biblioteca Municipal da Murtosa e Comur - Museu Municipal da Murtosa.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

A Região Marinhoa

No contexto da Ria de Aveiro a Terra Marinhoa foi a primeira a formar-se, por aluvião. Com a deposição de areias pelo mar, formando progressivamente o cordão litoral, a Ria deixou de comunicar com o mar no séc. XVII. Nos documentos históricos os contornos da região só se começam a compreender-se com rigor nos pitorescos mapas do fim do séc. XVIII, relacionados com a abertura da barra artificial, que só viria a ocorrer em 1808. Ria de Aveiro é pois uma expressão imprópria aplicada a uma laguna, um braço de mar que sofre o efeito das marés e possui água salobra, com pequenos tentáculos ou canais navegáveis que serpenteiam pelas terras circundantes, as ribeiras. Entre os peixes de maior valor gastronómico encontram-se aqui a enguia (antigamente pescada ao candeio com uma fisga, de noite), o sável e a lampreia. Ocasionalmente entram golfinhos na laguna. E estacionam por estas paragens mais de 150 espécies de aves, do que são exemplo a cegonha, garças, águia-sapeira, guarda-rios e flamingos.

Toda a economia tradicional depende da Ria de Aveiro, que funcionava antigamente como primeira via de comunicação ou auto-estrada natural. A pesca e a apanha do moliço (para fertilização do solo, que produz sobretudo milho) foram as principais actividades de outros tempos, tendo possuído grande tradição a construção naval, particularmente em Pardilhó. Embarcações típicas da região são os moliceiros (o ex-libris regional), mercantéis, bateiras e barcos de mar. Por aqui se construíram também varinos e fragatas destinados ao rio Tejo, bem como lugres para a pesca do bacalhau. Amorim Girão definiu esta gente anfíbia, por analogia ao que escreveu Platão sobre o Mediterrâneo, como um agrupamento humano «assim como rãs em volta de um pântano». Assim é. Em tudo dependem da Ria, que lhes deu o viver e, quando o não deu, os forçou a abandonar a sua característica casa de alpendre e migrar.

In
Ribeiras de Pardilhó” [folheto turístico desdobrável], Junta de Freguesia de Pardilhó/Ventos da Ria, Junho de 2016;
Ribeira de Mourão” [folheto turístico desdobrável], Junta de Freguesia de Avanca/Ventos da Ria, Junho de 2016.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Revolta na Murtosa, contra o defeso na pesca e na apanha do moliço (1913)


Por regulamento datado de 28 de Dezembro de 1912, estava na ria de Aveiro proibida durante quatro meses do ano, entre Março e Junho, a pesca com rede miúda e a apanha de moliço. A proibição visava defender a vegetação da ria e proteger a fecundação, desenvolvimento e criação dos peixes[1]. Porém a necessidade de tão apertada regulamentação era discutida, por se apontarem outras causas para a escassez de recursos da ria, designadamente as minas de arsénico de Nogueira do Cravo, que havia 15 anos matavam todo o peixe no percurso dos rios Ul e Antuã[2]. Em qualquer caso, ficava impedido de ganhar o seu sustento e o de sua família, durante quatro longos meses, um número de homens que um jornal local estimou ser de 4 mil[3], principalmente nas freguesias da Murtosa, Bunheiro e Pardilhó[4]. Os visados vinham reclamando da sua sorte, e com eles se solidarizava com frequência a imprensa local e regional. Porque não existiam nem se compreenderiam à época os apoios sociais do Estado, só uma alternativa de trabalho poderia atalhar a fome dos pescadores, moliceiros e suas famílias durante os meses de defeso. Nesse sentido, a certa altura circulou o boato do governo ir abrir serviços públicos na Barra de Aveiro, garantindo às duas classes ganha-pão nesses meses[5]. Fosse como fosse, o tempo passava e acabou por ser atingido o ponto de ruptura, com uma sublevação popular que durou três dias, entre 20 e 23 de Abril de 1913.

DOMINGO, 20 DE ABRIL

Durante a madrugada de Domingo, 20 de Abril de 1913[6], cerca das 2h00 ou 3h00, «começavam a juntar-se, na praça de Pardelhas, grupos de homens fazendo alarido»[7], pescadores e moliceiros em grande número, que se sentiam prejudicados pelo regulamento que os impedia de trabalhar na ria[8]. Os revoltosos não permitiram a realização do mercado diário de Pardelhas e obrigaram o comércio local a permanecer encerrado[9], estando armados de paus[10]. Para além do mais assaltaram as padarias e os vendedores de queijo, que distribuíram entre si e seus filhos[11]. O terem feito tocar o sino a rebate na capela de S. Lourenço[12], onde aliás não se pôde realizar missa[13], contribuiu para que aumentasse o número de pessoas concentrado na praça de Pardelhas, que se estimou em número superior a 3 mil[14]. O comércio local manteve-se fechado, e os principais comerciantes reunidos em comissão permanente[15].

Devido a estes acontecimentos o telégrafo começou a trabalhar muito cedo[16], permitindo informar as autoridades do que sucedia. O administrador do concelho de Estarreja requisitou para Aveiro (e o governador civil anuiu), além da polícia, uma força militar de infantaria (comandada por um tenente) e outra de cavalaria (sob o comando de um capitão)[17]. Desembarcaram na estação do caminho-de-ferro de Estarreja, às 11h20, 35 praças de infantaria, que logo partiram para Pardelhas. Às 14h20 chegaram 59 homens da cavalaria, que se foram juntar à infantaria[18]. A cavalaria e a infantaria chegaram à praça de Pardelhas às 16h00[19]. Acto contínuo, o povo fez «tocar os sinos a rebate, conseguindo grande ajuntamento de populares, que receberam os militares com vivas ao exército, à pátria e à república»[20], sem que houvesse atritos com a autoridade, mas tão só lamentações populares pelas suas dificuldades.

Entretanto, uma comissão de comerciantes de Pardelhas (e três membros da Junta de Freguesia da Murtosa) reuniu-se nessa mesma tarde em Estarreja com o governador civil de Aveiro, Dr. Alberto Vidal (por sinal oriundo de Salreu), que havia acompanhado os militares até à sede do concelho. Nessa reunião o governador civil afirmou que, a seu pedido, se ordenara a realização de obras na Barra de Aveiro, a fim de dar emprego aos pescadores e moliceiros na época de defeso. Do lado da comissão de comerciantes foi sugerido que se realizassem trabalhos dentro da Murtosa, designadamente a abertura de um esteiro que prolongasse a ribeira de Pardelhas até às proximidades do centro da povoação, assim como um cais acostável na Torreira. A proposta obteve acolhimento por parte do governador civil, e a comissão de comerciantes comprometeu-se a abrir todo o comércio de Pardelhas no dia seguinte[21].

Prometidas providências pelas partes e serenados os ânimos, o governador civil foi já de noite a Pardelhas[22], onde verificou reinar o sossego e, por isso, ordenou a retirada de parte dos militares que ali se encontravam, concretamente 34 praças de cavalaria[23].

SEGUNDA-FEIRA, 21 DE ABRIL

Na segunda-feira de madrugada voltaram a tocar os sinos a rebate, juntando-se ainda mais gente na praça de Pardelhas, que manteve uma atitude ordeira[24], mas impedindo a abertura do mercado e dos estabelecimentos comerciais, bem como das escolas[25]. Por essa razão mais tropa de cavalaria e o batalhão de infantaria aquartelado em Ovar foram a Pardelhas[26], sendo aí mais uma vez recebidos com vivas à pátria, ao exército e à república, não se registando atritos significativos[27].

Telegrafaram os comerciantes ao governador civil, que chegou a Pardelhas cerca das 11h00, reunindo na estação telégrafo-postal com uma comissão de comerciantes e alguns pescadores e moliceiros. Terá o governador civil afirmado nessa reunião que viera a Pardelhas sem receio, e para o mostrar entrara na localidade em carro destapado para ser bem visto. Depois falou o governador civil à multidão, da varanda da estação telégrafo-postal, que era próxima da Praça de Pardelhas. Pediu ordem à população, e prometeu empenhar-se junto do governo para que fossem financiadas obras na freguesia, que permitissem o emprego e subsistência da população nos meses de defeso. Seguiram-se discursos apoiando o antecedente por parte do Pe. Rodrigues Luiz Tavares e do alferes de cavalaria Guimarães. Em resposta a estas palavras o povo, não convencido, gritou exigindo a liberdade de trabalho na ria de Aveiro, para que pudesse ganhar o seu sustento. Acabariam por serenar os ânimos e voltar para Estarreja o governador civil[28].

TERÇA-FEIRA, 22 DE ABRIL

Começou a terça-feira igual ao dia anterior, com o tocar dos sinos a rebate, e os pescadores e moliceiros mantendo o mercado, comércio e escolas encerrados, mas dando vivas à república e ao exército, presentes na cavalaria e infantaria vindas de Aveiro[29]. As forças militares presentes procuraram dispersar os manifestantes, para que o mercado abrisse ao público[30], mas a situação acabou por agravar-se em relação aos dias anteriores. Alguns populares terão atirado pedras aos militares[31], o que provocou uma carga da cavalaria sobre os manifestantes[32] e disparos dos militares para o ar[33], fazendo com que o povo se assustasse e fugisse, gritando, em todas as direcções[34]. Terão ficado feridas 5 pessoas[35].

Restabelecida a paz, fizeram-se várias detenções, sendo a maioria dos detidos enviados para Aveiro, e alguns seguiram para a cadeia de Estarreja[36], parece que 11, acompanhados por praças de cavalaria[37]. O Jornal de Estarreja visitou nesse dia a Murtosa, presenciando forças militares por toda a freguesia, e tendo afirmado nas suas colunas que «à hora em que estivemos na Murtosa, grupos de presos seguiam entre soldados para bordo da lancha, que os conduzia à capitania, enquanto mais uma força de infantaria chegava»[38].

Novamente o governador civil deslocou-se a Pardelhas, reunindo com uma comissão de comerciantes no edifício da estação telégrafo-postal. Ficou acordado que os estabelecimentos comerciais abrissem às 13h00, como de facto veio a suceder, e prometeu o governador civil ao povo providências, da varanda do edifício, fosse por via da alteração do regulamento que impunha o defeso, ou pela abertura de obras públicas na freguesia[39], deste modo criando emprego. As casas comerciais mantiveram-se abertas sob protecção dos militares, e com patrulhas de cavalaria[40].

Durante estes acontecimentos estiveram em Pardelhas forças de cavalaria e infantaria de Aveiro, às quais se juntou na terça-feira um batalhão de infantaria que veio de Ovar[41]. Calculou-se terem estado mobilizados mais de 500 homens desde o domingo, entre praças de infantaria, cavalaria, marinha e guarda fiscal[42]. O ministro da Guerra, que havia visitado Ovar para passar revista ao batalhão ali aquartelado, mas que entretanto seguira para Pardelhas, foi ao seu encontro com o respectivo estado-maior em dois automóveis, regressando depois a Estarreja, em cuja praça este batalhão fez exercício[43]. Serenado o conflito e a tensão do momento, as tropas retiraram da Murtosa[44].

PÓS-REVOLTA

Depois do dia do conflito, na quarta e na quinta-feira Pardelhas manteve-se em relativa tranquilidade[45]. Os comerciantes da Murtosa distribuíram na freguesia um manifesto, transcrito por O Jornal de Estarreja, solidarizando-se com os manifestantes e dando conta de que o governo civil procuraria mover influência junto do governo, para que fossem abertas obras públicas na Murtosa, pelo que se apelava à serenidade por alguns dias[46]. Os jornais da região, de Lisboa e alguns de outras regiões continuaram a fazer eco das dificuldades dos pescadores e moliceiros, solidarizando-se com os mesmos[47]. E as sensibilidades politicas procuraram interpretações a seu modo. Foi Afonso Costa, chefe do governo, que declarou no parlamento que havia padres envolvidos no protesto, e este ocorrera em momento inoportuno[48]. Foi também um jornal da região que, compreendendo os manifestantes, declarou que o regulamento que impunha o defeso pertencia à monarquia, e nunca antes fora posto em vigor[49].

Na quinta-feira 24 de Abril ainda se fizeram detenções, e os detidos em Aveiro na capitania foram transferidos para a cadeia. Dos 13 homens da Murtosa detidos na cadeia de Aveiro, dois foram transferidos para a de Estarreja, a requerimento das autoridades daqui, juntando-se a outros que já aqui se encontravam. Por causa dos que permaneciam detidos em Aveiro, «pela cidade vagueiam alguns grupos de mulheres dos presos, filhos e outros parentes, embrulhados nas suas negras saias de serguilhas, lacrimejando e lamentando-se se algum estranho lhe dirige a palavra»[50]. No início de Maio de 1913 a maioria dos detidos tinha já sido posta em liberdade[51], constando que 21 deles teriam sido pronunciados[52] pelo crime de rebelião[53]. A 4 de Maio dirigiu-se a Aveiro uma comissão de comerciantes a fim de pedir ao governador civil benevolência para os detidos[54]. Fizeram-se os competentes relatórios na capitania sobre os acontecimentos em Pardelhas[55] e, terminado o inquérito, concluiu-se não terem havido cabecilhas nem segundas intenções por parte dos revoltosos[56].

A revolta trouxe os frutos que a passividade não garantia. No rescaldo dos acontecimentos, no final do mês de Abril, os jornais noticiavam a abertura de obras na Murtosa, e concretamente na ribeira de Pardelhas, ainda nesse mês, empregando os pescadores e moliceiros[57]. Em 30 de Abril a maioria dos comerciantes da Murtosa deslocou-se a Aveiro, a agradecer ao governador civil o subsídio concedido para as obras na ribeira de Pardelhas, que empregaram quase todos os moliceiros e pescadores locais[58]. Entre o fim de Abril e o início de Maio iniciaram-se as obras, com a abertura e desobstrução do esteiro de Pardelhas e alguns canais, por conta do Estado, empregando centenas de homens (talvez perto de 300), benefício que se atribuía à intercessão junto do governo por parte do governador civil, Dr. Alberto Vidal[59].

Entretanto os 4 meses de defeso anual terminariam em 24 de Junho, publicando o capitão do porto de Aveiro (Silvério Ribeiro da Rocha e Cunha) o edital que o anunciava, datado de 11 de Junho, e que um jornal local transcreveu[60]. A partir de então, e até à época de defeso do ano seguinte, quem possuísse licença podia apanhar moliço ou pescar, com redes Mugeira, Chinchorro, Garatêa, Chinchas e Fisgas (malha superior). Todos os tripulantes de barcos moliceiros, de pesca, de transporte, ervas ou junco, estavam obrigados a ter cédula de inscrição marítima.

NOVOS ATRITOS

Durante o mês de Maio de 1913 terão ocorrido pelo menos dois episódios de certa tensão, e que de algum modo podem ser considerados réplicas dos acontecimentos de entre 20 e 22 de Abril.

Nem todos os moliceiros e pescadores inactivos foram empregues nas obras da ribeira de Pardelhas, o que originou novos atritos. Num dos casos, uma lancha a vapor da fiscalização surpreendeu 6 barcos na apanha do moliço, a 11 de Maio (domingo). Os tripulantes fugiram e encalharam os barcos, no lugar do Carregal Velho, enlameando os números para não serem apanhados, acabando por evadirem-se insultando os marinheiros. Avisada a capitania, enviou ao local mais lanchas, com uma força comandada por um sargento, que desembarcou e recolheu os números dos barcos. Apareceram no local particulares, opondo-se à fiscalização, e envolvendo-se as duas partes numa luta, em que inclusive foi partida uma carabina[61].

Noutra versão da mesma história, na madrugada de domingo, 11 de Maio, dois pardilhoenses dirigiam-se a Ovar de moliceiro (Manuel Lopes Conde e Daniel Lopes Venâncio) «conduzindo no seu barco algumas mulheres daqui que no mercado daquela vila iam fazer o seu negocio»[62]. Perto do lugar da Moita foram encontrados por duas lanchas da capitania tripuladas por 16 fiscais. Porque o moliceiro em que seguiam os populares não estava numerado, os fiscais deram ordem para que a vela fosse arreada, preparando-se para apreender a embarcação. Os populares aproximaram-se de uma margem, provocando um rombo no fundo do moliceiro, que o inundou e impediu a continuação da viagem. Saltaram para terra e fugiram com a vela, sendo perseguidos pelos fiscais, que os apanharam e espancaram, com os seus sabres e carabinas, resultando partida uma carabina nas costas de um dos fugitivos. A vela acabou apreendida, e os agredidos apresentaram queixa às autoridades em Ovar[63].

Também no dia 11 de Maio (domingo), cerca das 10h00, quando um cabo de marinha chamado Eduardo, da capitania do porto de Aveiro, de dirigia à casa do cabo do mar Luiz Carneiro da Silva Júnior, no Ribeiro da Murtosa, apercebeu-se ao entrar no pátio da casa de dois indivíduos nas proximidades. Um deles aproximou-se do cabo, disparando dois tiros de revólver, porém não conseguindo atingir a vítima, que de imediato disparou do mesmo modo dois tiros com a sua pistola automática, igualmente sem acertar no seu agressor. Fugiram o companheiro e o agressor, este perseguido pelo cabo e por José da Encarnação Rendeiro, que por acaso ali passava. Apanhado e desarmado o agressor, chorou muito e pediu perdão, alegando que os disparos não se destinavam ao cabo, e sendo deixado em liberdade com a condição de se apresentar no dia seguinte na casa do cabo do mar. Contudo no dia seguinte foi para o seu serviço de mercantel, em vez de se apresentar. Na terça-feira foi preso perto da Ponte da Rata, quando subia o Vouga no seu barco, e conduzido à capitania, onde foi interrogado, recolhendo depois à cadeia de Aveiro, aí aguardando julgamento. Constou entre o povo da Murtosa que a motivo do episódio foi o defeso na pesca e apanha do moliço, que causou má disposição popular contra o cabo do mar, por excesso de zelo nas suas atribuições[64].

A vida na ria continuou arriscada, com os marinheiros da capitania perseguindo e disparando a matar, contra os moliceiros e pescadores que incumpriam o regulamento[65]. Privados do seu único ganha-pão, muitos pescadores da Murtosa viriam a engrossar uma onda migratória, ao tempo destinada ao Brasil.




[1] Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1.
[2] O Jornal de Estarreja, n.º 1339, 26.4.1913, p. 1; JE, n.º 1340, 1.5.1913, p. 2. No mesmo sentido, mas com referência de há mais de 20 anos a poluição matar o peixe, O Jornal de Estarreja, n.º 1437, 21.3.1915, p. 1.
[3] O Concelho de Estarreja, n.º 603, 3.5.1913, p. 1.
[4] Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3; CA, n.º 164, 4.5.1913, p. 2.
[5] O Concelho de Estarreja, n.º 600, 12.4.1913, p. 2.
[6] O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2; O Jornal de Estarreja, n.º 1339, 26.4.1913, p. 1.
[7] Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[8] O Jornal de Estarreja, n.º 1339, 26.4.1913, pp. 1 e 2; O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2; Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1.
[9] O Jornal de Estarreja, n.º 1339, 26.4.1913, p. 2; O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2; O Concelho de Estarreja, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3; Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1; S, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3; Campeão das Províncias, n.º 6255, 23.4.1913, p. 1; Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; O Comércio do Porto, 22.4.1913, p. 4.
[10] Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[11] Campeão das Províncias, n.º 6255, 23.4.1913, p. 1; Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; O Comércio do Porto, 22.4.1913, p. 4.
[12] O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2; Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1.
[13] Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[14] Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1.
[15] Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; O Comércio do Porto, 22.4.1913, p. 4; Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[16] Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[17] Campeão das Províncias, n.º 6255, 23.4.1913, p. 1; Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; O Comércio do Porto, 22.4.1913, p. 4; O Concelho de Estarreja, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3.
[18] O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2.
[19] Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[20] O Comércio do Porto, 22.4.1913, p. 4. No mesmo sentido, Campeão das Províncias, n.º 6255, 23.4.1913, p. 1; Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1; Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[21] O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2; Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[22] Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3; O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2.
[23] O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2; Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[24] O Concelho de Estarreja, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3; Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[25] O Concelho de Estarreja, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3; O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2; Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1; S, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[26] O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2.
[27] Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; O Concelho de Estarreja, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3.
[28] Para este parágrafo ver Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3, principalmente. Ver também: Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1; Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; O Concelho de Estarreja, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3; O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2; O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2.
[29] O Concelho de Estarreja, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3; Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1; S, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[30] Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[31] O Século, n.º 11266, 23.4.1913, p. 1; Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1; S, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3; O Concelho de Estarreja, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3; CE, n.º 603, 3.5.1913, p. 1; O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2.
[32] O Século, n.º 11266, 23.4.1913, p. 1; Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3; Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; O Concelho de Estarreja, n.º 603, 3.5.1913, p. 1.
[33] O Século, n.º 11266, 23.4.1913, p. 1; Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1; S, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3; O Concelho de Estarreja, n.º 603, 3.5.1913, p. 1; CE, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3; O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2.
[34] O Século, n.º 11266, 23.4.1913, p. 1; Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3; O Concelho de Estarreja, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3.
[35] O Século, n.º 11266, 23.4.1913, p. 1; Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1; S, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3; O Concelho de Estarreja, n.º 603, 3.5.1913, p. 1.
[36] O Século, n.º 11266, 23.4.1913, p. 1; Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1; S, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3; O Concelho de Estarreja, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3; O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2.
[37] O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2.
[38] O Jornal de Estarreja, n.º 1339, 26.4.1913, p. 1.
[39] Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[40] O Século, n.º 11266, 23.4.1913, p. 1; Os Successos, n.º 1241, 26.4.1913, p. 1.
[41] O Século, n.º 11266, 23.4.1913, p. 1; O Jornal de Estarreja, n.º 1339, 26.4.1913, p. 2; O Concelho de Estarreja, n.º 603, 3.5.1913, p. 1.
[42] Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento.
[43] O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2.
[44] Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; O Concelho de Estarreja, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3.
[45] O Futuro de Estarreja, n.º 46, 24.4.1913, p. 2.
[46] O Jornal de Estarreja, n.º 1339, 26.4.1913, p. 1; O Concelho de Estarreja, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3.
[47] O Concelho de Estarreja, n.º 603, 3.5.1913, pp. 2 e 3; O Povo da Murtosa, n.º 398, 3.5.1913, p. 2.
[48] O Concelho de Estarreja, n.º 603, 3.5.1913, p. 1.
[49] Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento.
[50] Comércio do Porto, 26.4.1913, p. 1.
[51] Correio de Aveiro, n.º 164, 4.5.1913, p. 1; O Povo da Murtosa, n.º 398, 3.5.1913, pp. 1 e 2.
[52] Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[53] Campeão das Províncias, n.º 6258, 3.5.1913, p. 1; Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[54] Os Successos, n.º 1242, 3.5.1913, pp. 2-3.
[55] Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento.
[56] Correio de Aveiro, n.º 166, 18.5.1913, p. 1.
[57] O Comércio do Porto, 30.4.1913, p. 1; Campeão das Províncias, n.º 6257, 31.4.1913, p. 1; Correio de Aveiro, n.º 163, 27.4.1913, pp. 1-3 e suplemento; O Concelho de Estarreja, n.º 602, 26.4.1913, pp. 2-3.
[58] O Povo da Murtosa, n.º 398, 3.5.1913, p. 2.
[59] Os Successos, n.º 1243, 10.5.1913, p. 1; O Concelho de Estarreja, n.º 603, 3.5.1913, p. 3; O Povo da Murtosa, n.º 398, 3.5.1913, p. 1; PM, n.º 400, 17.5.1913, p. 1.
[60] O Concelho de Estarreja, n.º 610, 21.6.1913, p. 3.
[61] Os Successos, n.º 1244, 17.5.1913, p. 2 (principalmente); O Jornal de Estarreja, n.º 1342, 18.5.1913, p. 2.
[62] O Concelho de Estarreja, n.º 605, 17.5.1913, pp. 2-3.
[63] O Concelho de Estarreja, n.º 605, 17.5.1913, pp. 2-3 (principalmente); O Concelho de Estarreja, n.º 606, 24.5.1913, p. 3 (e número anterior); há mais referências, consideradas menos precisas, no Século e na Pátria (Ovar). Outra versão no Campeão das Províncias, n.º 6161, 14.5.1913, p. 1.
[64] O Povo da Murtosa, n.º 400, 17.5.1913, p. 2.
[65] Um exemplo em EGAS MONIZ, A Nossa Casa, 3.ª ed., Câmara Municipal de Estarreja, 2001, pp. 138, 140. Outro em VILAR, Jaime, Histórias Por Contar, Câmara Municipal da Murtosa, 1989, pp. 17-20. Numa notícia de 1929, um marinheiro do posto do Chegado (Murtosa) disparou contra um pescador, matando-o instantaneamente – O Jornal de Estarreja, n.º 2129, 10.2.1929, p. 1.


In “Revoltas populares em Estarreja e Murtosa”, Terras de Antuã, Câmara Municipal de Estarreja, VII, 2013, pp. 81-94.