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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Rádio Voz da Ria, 30 anos (1987-2017)


Rádio Moliceiro (Pardilhó)

Rádio Moliceiro (Pardilhó)

Em meados da década de 80 proliferaram em Portugal as rádios piratas, e em Estarreja não foi diferente. A certa altura o Estado decidiu aceitar a sua legalização, contudo atribuindo alvará a apenas uma rádio por concelho. Em Estarreja legalizou-se a Rádio Voz da Ria, Emissora Concelhia CRL, resultante da fusão de duas rádios piratas de gente jovem:

a) A Rádio Moliceiro, que funcionava agregada à Associação Saavedra Guedes (Pardilhó), desde 10.6.1986;

b) A Rádio Antena Livre, depois designada Rádio Horizonte, iniciada por três estudantes do 11.º ano, da Escola Secundária de Estarreja, e que funcionava na Casa do Povo de Estarreja, desde o início de 1985.

Agregaram-se mais tarde à Rádio Voz da Ria a Rádio Cultural de Salreu (1985), a Rádio Independente de Salreu (1985) e a Rádio Selecção de Cacia. Também existiram no concelho a Rádio Antuã (1985), em Salreu, e a Rádio Voz de Salreu (1988?).

Em 20.6.1987 ocorreu a assembleia da fundação da Rádio Voz da Ria, nos Bombeiros Voluntários de Estarreja, resultante como se disse da fusão da Rádio Moliceiro e da Rádio Horizonte. As emissões regulares começaram em 4.7.1987, sendo então a Rádio uma cooperativa com 109 sócios dos concelhos de Estarreja e Murtosa, com estúdios em Estarreja e Pardilhó.

A Rádio viveu dificuldades várias ao longo destes 30 anos, que cedo se fizeram sentir. Teve também sucessos, do que se pode destacar a inauguração das actuais instalações, no início do ano 2000, substituindo as que se encontravam no lado oposto da Praça Francisco Barbosa, por cima do Café Brasília, lado nascente.

Manteve sempre uma postura independente, com programação diversificada de interesse local e não apenas colocando a rodar selecções musicais, para ocupar a grelha de programação. Refiram-se os noticiários, os programas de interesse cultural e social ou os programas desportivos.

A Rádio Voz da Ria é, por tudo isto e muito mais, um órgão de comunicação social estarrejense incontornável e precioso.

O Jornal de Estarreja, n.º 4806, 26.5.2017, p. 2

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Breve evocação da escola Conde de Ferreira em Estarreja

Joaquim Ferreira dos Santos, que veio a ser Conde de Ferreira, nasceu e faleceu no Porto (04.10.1782 – 24.03.1866). Filho de pais modestos, fez fortuna no Brasil, que aplicou em grande parte em obras de solidariedade social. Foi designadamente com o seu legado testamentário que se construiu o Hospital de alienados Conde de Ferreira (Porto, 1883). Da sua herança destinou também 144 contos ao Estado, para a construção de 120 escolas primárias em outras tantas sedes de concelho. O projecto uniforme para as 120 escolas, datado de 1866, encontra-se actualmente no Arquivo Histórico do Ministério da Habitação e Obras Públicas.

A sede do concelho de Estarreja foi uma das contempladas, cabendo-lhe então a planta da escola e 1200$00 para a construir. Em 1867 a Câmara Municipal de Estarreja comprou ao Dr. Filipe José Pereira Brandão, da Quinta da Costeira, uma parcela com 600 m², pelo valor de 160$00. A escola construiu-se, ficando na porta principal a data de 1866, do falecimento do Conde de Ferreira, e no portão 1868, que deve ser da inauguração.

Em Estarreja a Escola Conde de Ferreira foi durante décadas a única do ensino primário na Vila. Refira-se que a taxa de analfabetismo em Estarreja, em finais do século XIX, andava na casa dos 80%, sendo na ordem dos 70% para os homens, e dos 90% para as mulheres.

Numa notícia do Jornal de Estarreja de 1960 lê-se que a escola, originalmente com duas salas de aula, fora ampliada com uma terceira havia anos. A terceira sala de aula terá sido pois acrescentada no início dos anos 50, ou mesmo nos anos 40, de acordo com algumas testemunhas crianças à época.

Segundo informa o Jornal de Estarreja de 4 de Outubro de 2002, a escola Conde de Ferreira, que saiu da escola do Paço, passaria então a acolher o Centro de Validação e Reconhecimento de Competências. Deve ter sido pois o ano lectivo de 2001/2002 o último em que funcionou como escola do ensino primário. Reabriu portas em 21 de Setembro de 2013, agora como Casa das Artes e sede do Rotary Club de Estarreja, que recebeu o edifício da Câmara Municipal de Estarreja e procedeu a obras de recuperação. Ali ficam expostos diversos objectos a lembrar a antiga escola, como se vê na foto anexa do Rotary Estarreja.

In O Jornal de Estarreja, n.º 4681, 13.12.2013, p. 3

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Bodas de Ouro do Centro Paroquial de Assistência da Freguesia de Pardilhó


O Pe. Manuel Garrido, natural do Bunheiro, chegou a Pardilhó em 1955 como pároco. Aqui sensibilizou-se com as crianças pobres que ficavam entregues a si mesmas, enquanto os pais iam ganhar o sustento da família, apanhando pinhas para vender nas padarias. A primeira medida do sacerdote foi instituir “famílias de acolhimento”, em que uma criança de família com mais posses levava a almoçar em sua casa outra de família necessitada.

Este foi o impulso para a criação do Centro Paroquial de Assistência da Freguesia de Pardilhó, que teve aprovação Canónica em 30 de Abril de 1962, e dirigiu as suas atenções para a criação de uma Cantina Escolar. Com a ajuda do povo a cantina construiu-se no espaço das escolas de Pardilhó, e em 5 de Maio de 1963 foi inaugurada pelo Bispo de Aveiro, D. Manuel de Almeida Trindade.


Entre 1967 e 1969 decorreram obras significativas na igreja de S. Pedro de Pardilhó, e em terreno anexo construiu-se o Salão Paroquial, com Centro Infantil (Jardim-de-infância). As duas obras, a cargo do construtor Francisco Farinhas, foram inauguradas a 6 de Janeiro de 1969, em cerimónia presidida pelo Bispo de Aveiro, D. Manuel de Almeida Trindade.

Uma nova valência abriu em Setembro de 1974, a Creche, funcionando provisoriamente em salas anexas à própria igreja. Em 1982 os estatutos do Centro Paroquial foram revistos, ampliando o seu objecto para a assistência à infância, juventude, idosos e população desfavorecida em geral. No ano de 1988 realizaram-se melhorias no Salão Paroquial, também então ampliado para nascente, e para cujo espaço foi transferida a Creche.

O Centro Paroquial de Assistência constitui o maior legado do Pe. Manuel Garrido, que foi pároco de Pardilhó de 1955 a 1987, num total aproximado de 33 anos.

No início de 1992 o Pe. Pedro Cerantola (animador vocacional e pároco a partir de 1993) e o Pe. Hugo Fent (pároco) concluíram que o Centro Paroquial não reunia condições capazes para as suas valências. Assim, decidiu-se a construção de um espaço maior e mais saudável, para o que se iniciou a procura de terrenos. Nessa busca surgiu a possibilidade de construir na Quinta do Rezende, que pertencia à Misericórdia de Estarreja.

Solicitado apoio financeiro à Segurança Social, esta mostrou-se indisponível para apoiar a construção de um Lar de Idosos, mas favorável a um Centro de Dia. A ideia avançou, e na Quinta do Rezende viria a ser cedido espaço ao Centro Paroquial, para construção do seu Infantário, Creche e Centro de Dia. Os projectos ficaram prontos em 1995 e a obra foi adjudicada, iniciando-se de facto no terreno em 1996. A nova casa do Centro Paroquial entrou em funcionamento em 1999, com algumas obras exteriores por concluir, e foi formalmente inaugurada em 2001.


Com uma casa maior, aumentaram as valências e o número de beneficiários servidos pelas mesmas. Para as crianças, Creche, Jardim-de-infância e ATL. Para os idosos, Centro de Dia, Centro de Convívio, e Apoio Domiciliário. Acresce o Gabinete de Atendimento e Acompanhamento Social. As antigas instalações continuaram a albergar algumas valências sociais, caso da Cáritas.

Esta nova fase da obra social do Centro Paroquial, que germinou na década de 1990, teve à cabeça o Pe. Pedro Cerantola, sacerdote missionário das comunidades migrantes, natural de Itália, e pároco de Pardilhó entre 1993 e 2000.
 

In O Concelho de Estarreja, n.º 4237, 17.4.2012, p. 9

sábado, 21 de abril de 2012

Apresentação do livro "História do Centro Paroquial e da Paróquia de Pardilhó"

O Centro Paroquial de Assistência da Freguesia de Pardilhó celebra no próximo dia 30 de Abril de 2012 os seus 50 anos de existência. Para celebrar a data está preparado um programa de festejos, cujo ponto alto ocorrerá no dia 29 de Abril (Domingo):
16:00 horas - Eucaristia na Igreja de S. Pedro de Pardilhó, celebrada pelo Senhor Bispo de Aveiro, D. António Francisco dos Santos;
- Após a Eucaristia seguirá um desfile até ao Centro Paroquial, onde decorrerá uma Sessão Solene, seguida de lanche;
- Durante a sessão solene será apresentado o livro "História do Centro Paroquial e da Paróquia de Pardilhó", da autoria de Marco Pereira.

O Centro Paroquial de Pardilhó é uma IPSS, fundada em 30 de Abril de 1962, e actualmente com as valências de Jardim-de-infância, Creche, Centro de Dia, Centro de Convívio, Apoio Domiciliário, Gabinete de Atendimento e Acompanhamento Social, Cáritas, e CLDS - Contrato Local de Desenvolvimento Social. Presta serviços a milhares de pessoas no concelho de Estarreja, mas centra a sua actividade especialmente na freguesia de Pardilhó, onde faz a diferença na vida de várias centenas de pessoas. Com estas valências garante 32 postos de trabalho.
 

O livro que será apresentado é da autoria de Marco Pereira, advogado com escritório em Estarreja, e intitula-se “História do Centro Paroquial e da Paróquia de Pardilhó”. Abrange dois temas próximos:
1) Por um lado a evolução do Centro Paroquial, fundado em 1962 pelo Pe. Manuel Garrido e que começou com uma Cantina Escolar, abarcando depois várias valências sociais, em especial destinadas à infância. Mais recentemente o Pe. Pedro Cerantola encabeçou a construção das novas instalações, na Quinta do Rezende, com valências para crianças, idosos, e população necessitada em geral.
2) Outra vertente é a história da paróquia de Pardilhó, desde finais do século XVI. A primeira igreja de Pardilhó foi construída no século XVII, e substituída pela actual inaugurada em 1835. Duas capelas se construíram no século XVIII, Nossa Senhora dos Remédios e Santo António, esta segunda substituída na primeira metade do século XX. A história da Igreja em Pardilhó inclui a existência de um Bispo, D. Manuel Maria Ferreira da Silva, com longa obra nas Missões.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Padre Donaciano de Abreu Freire

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n. 15.11.1889 (Pardilhó); f. 18.4.1950 (Beduído)
Provedor da Misericórdia de Estarreja (1940-1942, e 1949-1950)

Donaciano da Silva Bastos de Abreu Freire, filho de abastados proprietários de Pardilhó e com 10 irmãos, estudou no Colégio de S. Fiel e depois no Seminário do Porto. Ordenado sacerdote em 4.8.1912 [1], antes de paroquiar permaneceu no Seminário do Porto, aí catalogando a biblioteca, e leccionou em colégios da mesma cidade. Esteve depois como Coadjutor no Bunheiro (1920-1922) e, desde 1922 até falecer, Reitor de Beduído.

Antes de paroquiar o Bunheiro ensinou pois no Porto, nos colégios Universal, Almeida Garrett e S. Carlos. Este último seria por ele comprado e dirigido, conjuntamente com o Dr. João Ruela Ramos, como ele de Pardilhó. Já Reitor de Beduído formaria nova sociedade, com o Pe. Manuel Resende Tavares Garrido e o Dr. António Tavares Garrido, para fundar um Externato em Estarreja (1923), que anos depois se transformaria em Colégio D. Egas Moniz (1931).

O Pe. Donaciano notabilizou-se igualmente na escrita, quer enquanto escritor de vários géneros literários, quer como jornalista. Da actividade literária avultam as obras “Canção de Estarreja”, “O Regresso da Pecadora”, “Zara” e “Uma Lição de História”. Colaborou com diversos jornais e revistas, como as “Novidades” e “Lumen”, além da imprensa local.

Pe. Donaciano de Abreu Freire.

Porém foi como orador sagrado que mais se distinguiu, sendo de destacar a oração fúnebre proferida nas exéquias de D. Manuel II, na Igreja da Trindade, Porto, em 11.8.1932.

Pároco de Beduído de 1922 a 1950, ano em que faleceu, teve neste período um conjunto de importantes iniciativas que contribuíram para o progresso da freguesia, e de todo o concelho de Estarreja. Pouco depois de tomar posse da paróquia de Beduído a respectiva igreja foi destruída por um incêndio (1922), a cujo restauro procedeu. No ano seguinte participava na fundação do Orfeão de Estarreja (1923). Promoveu entretanto de criação de um Hospital e Misericórdia (1923-1924), sem sucesso. Porém em 1926 convenceu o Visconde de Salreu a custear a edificação do Hospital concelhio, que abriu portas em 1935, com um Asilo anexo, e então entregue nas mãos da Misericórdia de Estarreja, fundada para o efeito. Ainda no campo assistencial criou em Beduído a primeira Conferência de S. Vicente de Paulo (1924) do concelho de Estarreja, e colaborou na fundação do Instituto de Beneficência, Instrução e Recreio (1931). Entre os melhoramentos que lhe são devidos conta-se também a reorganização do Sindicato Agrícola de Estarreja, no início da sua paroquialidade, ao qual chegou a presidir. Voltou a presidir ao mesmo organismo em 1942, quando este já se havia convertido em Grémio da Lavoura. Nesse mesmo ano de 1942 levou a efeito o Congresso Eucarístico de Estarreja.

Com o falecimento do Visconde de Salreu, ficou a ocupar o cargo de Provedor da Misericórdia de Estarreja, por ser Vice-Provedor, embora dirigisse de facto a Irmandade desde a sua fundação. O acto eleitoral de 26.12.1938, polémico, não chegou a realizar-se [2]. Foi Provedor de 4.5.1940 a 5.8.1942 [3].

Busto do Pe. Donaciano de Abreu Freire,
inaugurado em 1972.

No acto eleitoral de 26.12.1948 voltou a concorrer e venceu a eleição, ficando como Vice-Provedor João Assis Pereira de Melo (que assume a direcção após o falecimento do Pe. Donaciano, em 1950), e vencida a lista encabeçada por Adelino Dias Costa.

Por ter sido a alma da instituição, que a dirigiu nos primeiros passos, convencendo o Visconde de Salreu a custear o Hospital, além do que no último mandato remodelou os serviços e organizou novos, ampliando os existentes, propôs-se em Assembleia Geral de 8.12.1957 que lhe fosse atribuído, postumamente, o diploma de Irmão Benemérito.

Um busto seu, realizado pelo escultor M. Cabral, inaugurou-se em Beduído em 1972.


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Bibliografia:
- Arquivo da SCME, Livro de Actas – Assembleia Geral
- Arquivo da Diocese de Aveiro – Ficha Biográfica
- Câmara Municipal de Estarreja, “Tema do Mês – Padre Donaciano, um pouco de História”, Câmara Municipal de Estarreja, Novembro de 1997
- AZEVEDO, Carlos Moreira de (Dir.) “Dicionário de História Religiosa de Portugal”, vol. 3, Círculo de Leitores, 2001, p. 503
- FIGUEIREDO, Filipe de, “A obra literária do Pe. Donaciano de Abreu Freire”, I – O Escritor, Casa Municipal da Cultura, Estarreja, 1985
- FIGUEIREDO, Filipe de, “A obra literária do Pe. Donaciano de Abreu Freire”, II – O Orador Sagrado, Casa Municipal da Cultura, Estarreja, 1988
- FIGUEIREDO, Filipe de, “A obra literária do Pe. Donaciano de Abreu Freire”, III – O Orador Sagrado, Casa Municipal da Cultura, Estarreja, 1989 (pp. 163-167, 196-197)
- FIGUEIREDO, Filipe de, “O Pe. Donaciano de Abreu Freire – O Homem e o Padre do seu tempo”, IV – Biografia, Casa Municipal da Cultura, Estarreja, 1989 (pp. 132, 229, 239, 370, 382, 385-397, 399, 410-417, 509, 518)
- GASPAR, João Gonçalves, “A Diocese de Aveiro – subsídios para a sua história”, Ed. Cúria Diocesana de Aveiro, 1964, pp. 336, 385, 447-448
- O Jornal de Estarreja, n.º 2827, 25.4.1950, p. 4 (falecimento); JE, n.º 3356, 10.5.1972, p. 1; JE, n.º 3361, 25.7.1972, p. 2 (busto); JE, n.º 4343, 19.5.2006, p. 8 (art. de 1989)
- O Concelho de Estarreja, n.º 565, 10.8.1912, p. 1; CE, n.º 568, 31.8.1912, p. 3 (Missa Nova); CE, n.º 598, 29.3.1913, p. 3 (“O Regresso da Pecadora”); CE, n.º 638, 3.1.1914, p. 2 (“Zara”); CE, n.º 897, 15.2.1919, p. 2 (compra e direcção do Colégio S. Carlos, com o Dr. João Ruela Ramos) ; CE, n.º 2479, 29.4.1950, pp. 1, 2 e 3 (falecimento); CE, n.º 3557, 29.7.1972, pp. 1 e 6 (busto)
- O Concelho da Murtosa, n.º 1925, 30.11.1989, pp. 24 e 23

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[1]. Data discutida, esta é a que consta na ficha biográfica do Arquivo da Diocese de Aveiro e na imprensa local da época.
[2]. Filipe de FIGUEIREDO, I, 1985, pp. 245-246.
[3]. Livro de Actas – Assembleia Geral, fls. 9v-10.

In "História da Santa Casa da Misericórdia de Estarreja", Santa Casa da Misericórdia de Estarreja, 2010, pp. 75-78
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sábado, 9 de outubro de 2010

Misericórdia de Estarreja edita livro com a sua história

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No âmbito dos 75 anos da instituição é lançada dia 23 de Outubro de 2010, pelas 11 horas, a “História da Santa Casa da Misericórdia de Estarreja”, em cerimónia que decorrerá na Câmara Municipal de Estarreja. O livro é um estudo histórico da autoria de Marco Pereira, e conta com os testemunhos de D. António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro, D. António Marcelino, Bispo Emérito de Aveiro, e Dra. Rosa de Fátima Figueiredo, Provedora da Misericórdia de Estarreja.


HISTÓRIA DA SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE ESTARREJA

Misericórdia de Estarreja

No início de 1923 começavam os esforços para a criação de uma Misericórdia e Hospital, com uma campanha alimentada na imprensa local pelo Pe. Donaciano de Abreu Freire, Reitor de Beduído. Não tardou que se juntassem as elites da concelho de Estarreja numa grande reunião, decorrida nos Paços do Concelho, e na qual se formaram diversas comissões, que ficaram encarregues da angariação de fundos nas freguesias. No entanto os entusiasmos esmoreceram pouco tempo depois e as comissões ficaram definitivamente inactivas.

Inconformado, o Pe. Donaciano procurou o Visconde de Salreu no início de 1926, e expôs-lhe os seus sonhos: uma Misericórdia e um Hospital no concelho de Estarreja. O Visconde de Salreu, enriquecido no Brasil e benemérito na terra natal, ficou sensibilizado e prometeu custear a construção do Hospital. As obras arrancam no mesmo ano, mas devido à crise que afectava o Brasil haveriam de prolongar-se até 1935. Construído o Hospital e um Asilo para idosos e inválidos, era altura de fundar a Misericórdia, em reunião que teve lugar na Câmara de Estarreja em 4.10.1935, e na qual se aprovaram os primeiros estatutos e elegeu-se a primeira Mesa Administrativa. A instituição seria assim fundada para receber do Visconde de Salreu o Hospital e Asilo, doados em 1936 e construídos num monte com vista para a então Vila de Estarreja.

Entretanto, porque a tuberculose atingia muitas vítimas, criaram-se os Serviços Anti-Tuberculose, com um Dispensário (cuidados de saúde) e Pavilhão-Abrigo (internamentos). Abertos em 1941, teriam posteriores ampliações e melhoramentos, sucessivamente inaugurados em 1953 e 1958. O edifício já estava desocupado quando em 1975 nele começou a funcionar o Centro de Saúde de Estarreja.

Após o 25 de Abril de 1974 ocorreram diversas modificações. O Hospital passou a ser administrado pelo Estado em 1975, perdendo a Misericórdia a sua principal valência. E durante alguns anos, até 1981, a actividade da Mesa Administrativa esmoreceu. A Misericórdia vira-se para outras valências, substituindo o Asilo por um Lar de Idosos, que abre em 1981.

Hospital Visconde de Salreu

Construído sob projecto do Arq. Manuel Joaquim Norte Júnior entre 1926 e 1935, ano em que foi inaugurado, funcionou durante os primeiros meses no edifício do Asilo, enquanto não estava pronto a utilizar o seu edifício. O Hospital Visconde de Salreu era considerado nos primeiros anos um dos melhores do país, possuindo equipamentos e características avançados para a época. Salazar, que o visita em 1935, mostra-se impressionado com o que vê.

Ficaram de início encarregues da enfermagem 4 Irmãs Franciscanas Missionárias de Calais, número que viria depois a aumentar, e diversos médicos do concelho de Estarreja prestaram serviço no Hospital, em muitos casos gratuitamente. Também sem vencimento, o Prof. Doutor Bissaya Barreto vinha regularmente de Coimbra realizar cirurgias.

Por outro lado alguns mecenas locais, como Joaquim Maria de Rezende e Adelino Dias Costa, fariam significativas doações em bens e dinheiro para que o Hospital e a Misericórdia funcionassem.

A partir de 1975 o Hospital passou a ser administrado pelo Estado. Com o encerramento da Obstetrícia (1985) deixam de nascer ali crianças, e em 2008 terminam as Urgências.

Terceira Idade

Em 1936 abria portas o Asilo Viscondessa de Salreu, com 7 asiladas. Destinava-se a Idosos, deficientes e abandonados da sorte em geral. Mais tarde transitou do seu edifício original para as casas situadas atrás do Hospital, cuja demolição se iniciou em 1978, altura em que tinha 50 utentes, para concluir-se no mesmo lugar o actual Lar de Idosos.

O Lar abre em 1981, mantendo a capacidade de 50 utentes, que passam a ser exclusivamente idosos. Em 2003 inauguraram-se obras de remodelação e ampliação no edifício. No mesmo local funciona desde 1987 um Centro de Dia com 20 utentes. Serve ainda de base ao Apoio Domiciliário, iniciado em 1991 com 10 beneficiários e hoje ascendendo aos 59, e ao Apoio Domiciliário Integrado, que funciona desde 2001 com 15 utentes.

Crianças e Jovens

Em espaço anexo ao original edifício do Asilo abria em 1938 o Ninho dos Pequeninos, que nos anos 50 passou a designar-se Casa da Criança. Entretanto o Asilo passaria para outro local e todo o edifício originário foi destinado a Centro Materno-Infantil (1960) e ao Jardim-escola João de Deus (1965).

No lugar do Agro de Estarreja, onde antes esteve sediada a associação Casa dos Pobres, abriu em 1984 um ATL para 50 crianças. Activo até 1992, as crianças seriam integradas no Centro Social da Teixugueira, que abria portas pouco depois. Na antiga Casa dos Pobres esteve depois instalado um balcão da Segurança Social até 2001, ano em que o edifício ficou desocupado. Realizadas obras abriu em 2009 como sede dos serviços administrativos e financeiros da Misericórdia, com inauguração oficial em 2010.

O principal espaço da Misericórdia destinado a crianças e jovens é o Centro Social da Teixugueira. Com obra em execução desde 1984 ou antes, sob projecto do Arq. Virgínio Moutinho, foi entregue à Misericórdia pela Câmara Municipal de Estarreja. Alguns anos depois e com longas paragens, inaugurou-se em 27.6.1993, com Creche, Jardim-de-infância e ATL. Realizaram-se posteriores obras de ampliação e climatização, inauguradas em 2005.

Por outro lado a Misericórdia teve, com o apoio da Câmara Municipal, um ATL em Veiros (1996-2005) e outro no Barreiro de Além (1999-2005), cada um com 20 crianças, e promoveu recentemente um projecto de educação itinerante denominado Andanças (2003-2005), e outro com a designação de Big Clube (2003-activo) num apartamento situado no bairro da Teixugueira.

Provedores

Ficou como primeiro Provedor da Misericórdia de Estarreja o Visconde de Salreu (1935-1936), título mais honorífico que executivo, já que a direcção no terreno competia ao Pe. Donaciano de Abreu Freire (Provedor de 1940-1942 e 1949-1950). Pelo meio foram provedores o Pe. Manuel Garrido (1942-1945) e o Pe. Urbano Valente (1946-1948). Nos anos 50 o Dr. João Assis Pereira de Melo (1952-1960), usando a sua influência junto do governo, conseguia criar novos serviços e melhorar os existentes. Depois dele vieram o Dr. Serafim Soares da Graça (1961-1963), o Dr. Joaquim de Oliveira Cruz (1964-1966) e o Mons. Manuel José Amador Fidalgo (1967-1976). Segue-se um período sem Mesa Administrativa, em que a gestão era assegurada pelo antigo mesário Augusto Ferreira. Retomada a normalidade elegeu-se Provedor o Dr. Casimiro da Silva Tavares (1982-1995), a quem sucedeu a Dra. Rosa de Fátima Figueiredo (desde 1997).
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Junta de Freguesia de Pardilhó

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ANTIGA
Ali terá funcionado em tempos uma escola primária. No início dos anos 80 acrescentou-se o primeiro andar.
 
 
NOVA
Edifício inaugurado em 1966 e construído para ser sede do Sindicato Nacional dos Carpinteiros Navais do Distrito de Aveiro (abrangendo o distrito de Coimbra). Em 1977 dá-se a integração desta corporação no Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e Afins – SIMA, com sede em Lisboa, ao qual a Junta de Freguesia comprou o edifício em 1982, vindo a funcionar aí por pouco tempo. De 1987 a 2005 albergou o Posto Médico de Pardilhó. Após obras profundas tornou em 2009 a ser sede da Junta de Freguesia.

In “Evolução histórica do centro urbano de Pardilhó” [desdobrável], Câmara Municipal de Estarreja / Junta de Freguesia de Pardilhó, Junho de 2009
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A. C. R. Saavedra Guedes (antiga sede)

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A Banda Saavedra Guedes (Banda Nova) mudou-se em 1934 para a então nova Avenida António Joaquim de Rezende. Aí esteve instalada num edifício novo pertencente a Emília Barôa, onde entre outras actividades promoveu bailes e teatro. Em 1975-1976 construiu-se a sede actual, numa fase em que extinguiu-se a banda e aprofundou-se a vocação desportiva.

In “Evolução histórica do centro urbano de Pardilhó” [desdobrável], Câmara Municipal de Estarreja / Junta de Freguesia de Pardilhó, Junho de 2009
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Centro Paroquial de Assistência (antigo)

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Salão Paroquial com Centro Infantil, construído de 1967 a 1969 por Francisco Farinhas, sendo pároco o Pe. Manuel Garrido (1917-1994). Teve obras de ampliação em 1988. Em 1999, concluído o novo edifício, transitou para a Quinta do Rezende.

In "Evolução histórica do centro urbano de Pardilhó" [desdobrável], Câmara Municipal de Estarreja / Junta de Freguesia de Pardilhó, Junho de 2009
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