sexta-feira, 23 de novembro de 2018

"Monografia da Murtosa" apresentada no dia 29 de Outubro de 2018




 O 1.º volume da “Monografia da Murtosa” foi apresentado no dia 29 de Outubro de 2018, pelas 10h00, no Salão Nobre da Câmara Municipal da Murtosa. O livro, de que é autor Marco Pereira e editora a Câmara Municipal da Murtosa, é o primeiro de uma série, para sair ao ritmo de um por ano, sempre no 29 de Outubro, dia em que se assinala a emancipação do concelho da Murtosa (29/10/1926). Cada volume pretende desenvolver um conjunto de temas relacionados com a história do local e outras áreas do conhecimento, que ajudem a conhecer melhor a identidade murtoseira. Esta série vem na sequência da “Breve história do concelho da Murtosa” (2016), que procurou dar um retrato global mas sucinto da história do concelho, pretendendo-se agora desenvolver ao longo de vários volumes tudo o que ali veio sumariado. Neste primeiro volume da “Monografia da Murtosa” trata-se, sobretudo, da Geomorfologia (principalmente a formação e evolução da Ria de Aveiro) e da Cartografia (mapas da Murtosa, antigos e recentes).

Simultaneamente, está patente na Câmara Municipal uma exposição de mapas antigos, da Murtosa e sua região, desde o século XVI até à actualidade. Entre os mapas em exposição conta-se o mais antigo levantamento topográfico da vila da Murtosa, na escala de 1:2000, e dimensão em papel de 2 x 2,5 metros, com data de 1932. Nesse mapa muitas casas têm os seus proprietários identificados, sendo possível encontrar os nomes e casas dos avós e bisavós de muitos murtoseiros.

 PEREIRA, Marco - Monografia da Murtosa. Vol. 1, Câmara Municipal da Murtosa, 2018

ONDE COMPRAR: Câmara Municipal da Murtosa, Biblioteca Municipal da Murtosa e Comur - Museu Municipal da Murtosa.

sábado, 15 de setembro de 2018

Livro: Beduído e Veiros - Património Construído



PEREIRA, Marco - Beduído e Veiros - Património Construído. Junta de Freguesia da União e Freguesias de Beduído e Veiros, 2017

ONDE COMPRAR: Junta de Freguesia de Beduído e Junta de Freguesia de Veiros.

Livro: Breve História do Concelho da Murtosa



PEREIRA, Marco - Breve História do Concelho da Murtosa. Câmara Municipal da Murtosa, 2016

ONDE COMPRAR: Câmara Municipal da Murtosa, Biblioteca Municipal da Murtosa e Comur - Museu Municipal da Murtosa.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Rádio Voz da Ria, 30 anos (1987-2017)


Rádio Moliceiro (Pardilhó)

Rádio Moliceiro (Pardilhó)

Em meados da década de 80 proliferaram em Portugal as rádios piratas, e em Estarreja não foi diferente. A certa altura o Estado decidiu aceitar a sua legalização, contudo atribuindo alvará a apenas uma rádio por concelho. Em Estarreja legalizou-se a Rádio Voz da Ria, Emissora Concelhia CRL, resultante da fusão de duas rádios piratas de gente jovem:

a) A Rádio Moliceiro, que funcionava agregada à Associação Saavedra Guedes (Pardilhó), desde 10.6.1986;

b) A Rádio Antena Livre, depois designada Rádio Horizonte, iniciada por três estudantes do 11.º ano, da Escola Secundária de Estarreja, e que funcionava na Casa do Povo de Estarreja, desde o início de 1985.

Agregaram-se mais tarde à Rádio Voz da Ria a Rádio Cultural de Salreu (1985), a Rádio Independente de Salreu (1985) e a Rádio Selecção de Cacia. Também existiram no concelho a Rádio Antuã (1985), em Salreu, e a Rádio Voz de Salreu (1988?).

Em 20.6.1987 ocorreu a assembleia da fundação da Rádio Voz da Ria, nos Bombeiros Voluntários de Estarreja, resultante como se disse da fusão da Rádio Moliceiro e da Rádio Horizonte. As emissões regulares começaram em 4.7.1987, sendo então a Rádio uma cooperativa com 109 sócios dos concelhos de Estarreja e Murtosa, com estúdios em Estarreja e Pardilhó.

A Rádio viveu dificuldades várias ao longo destes 30 anos, que cedo se fizeram sentir. Teve também sucessos, do que se pode destacar a inauguração das actuais instalações, no início do ano 2000, substituindo as que se encontravam no lado oposto da Praça Francisco Barbosa, por cima do Café Brasília, lado nascente.

Manteve sempre uma postura independente, com programação diversificada de interesse local e não apenas colocando a rodar selecções musicais, para ocupar a grelha de programação. Refiram-se os noticiários, os programas de interesse cultural e social ou os programas desportivos.

A Rádio Voz da Ria é, por tudo isto e muito mais, um órgão de comunicação social estarrejense incontornável e precioso.

O Jornal de Estarreja, n.º 4806, 26.5.2017, p. 2

História d'O Jornal de Estarreja




Uma história de 134 anos, contada em poucas linhas, omite necessariamente muitos nomes importantes, assim como os mais diversos factos e acontecimentos que mereciam ser assinalados. É por isso que apenas uma suave sombra dessa história aqui fica, com várias lacunas. Um jornal com 134 anos de vida é também, para além da sua própria história, uma fonte privilegiada para pesquisar a história do concelho de Estarreja, ao longo deste período.

O “Jornal de Estarreja” saiu pela primeira vez com a data de 12.04.1883, pela mão de Caetano Ferreira e para defesa do Partido Progressista, tendo sido publicado até 1887.

Diga-se que no contexto dos actuais concelhos de Estarreja e Murtosa apenas três jornais foram publicados no século XIX: o “Boletim da Torreira” (1853), “O Jornal de Estarreja” (1883 e ss., contando com “O Gafanhoto” e o “Estarrejense”) e “A Voz de Estarreja” (1885-1888). “O Jornal de Estarreja” foi, pois, o primeiro a publicar-se no actual concelho de Estarreja, sendo hoje um dos mais antigos de Portugal em publicação.

Em 10.04.1887 José Mortágua publicou em Estarreja o primeiro número de um jornal humorístico, chamado “O Gafanhoto”. Este pequeno periódico evoluiu para “O Estarrejense” (1888-1889), ao qual sucedeu “O Jornal de Estarreja” (1890 e seguintes), ocupando o espaço então vago de noticiar os assuntos do concelho de Estarreja. O jornal ainda estava nas mãos de José Mortágua quando este faleceu, em 1906.

Carlos Alberto Costa, que trabalhava n’“O Jornal de Estarreja” desde criança, comprou-o em 1907 a Manuel Valente de Almeida e Silva, dando-lhe continuidade até falecer, em 1956. Carlos Alberto Costa, com experiência de colaboração com outros periódicos, empenhou-se em fazer sair um jornal independente e defensor dos interesses locais. Por várias vezes viu suspensa a sua publicação, que era o ganha-pão com o qual sustentava a família, e foi julgado e preso por defender intransigentemente os interesses da terra, o que continuou a fazer mesmo depois do 28 de Maio de 1926. Entre as causas advogadas pelo jornal sob a sua direcção contam-se: a construção do hospital, a criação de uma corporação de bombeiros, e a defesa da integridade concelhia (1926-1928), muito contribuindo para a devolução de Pardilhó ao concelho de Estarreja. No rescaldo deste episódio a Câmara Municipal mudou o nome da Rua das Amoreiras, onde funcionava a tipografia do jornal, para Rua do Jornal de Estarreja, mais tarde perdendo e recuperando a nova designação, que se mantém hoje. Numa casa desta rua manteve o jornal a sua redacção, desde 1926 a 1977/78, onde era composto manualmente letra por letra, e impresso com prensa à moda antiga. Suspensa a publicação de “O Jornal de Estarreja” em diversas ocasiões, por razões políticas, saiu temporariamente com título de “O Estarrejense” (1919, 1927-1928). Entretanto Carlos Alberto Costa iniciou a publicação de outro periódico, designado “O Jornal de Cambra”, a partir de 1931. Ambos os títulos eram produzidos na tipografia própria, de onde saíam diversos trabalhos tipográficos e em algumas ocasiões jornais de outros editores.

Com o agravar do estado de saúde de Carlos Alberto Costa em 1950, e o seu falecimento em 1956, sucedeu-lhe na direcção de “O Jornal de Estarreja” e “O Jornal de Cambra” o seu filho, Dr. Eduardo Costa, que contava com a colaboração técnica do seu irmão Adalberto Costa e de outros trabalhadores. O Dr. Eduardo Costa, director de “O Jornal de Estarreja” entre 1956 e 1977, que era advogado, foi também professor e director da Escola Secundária de Estarreja, gerente do Grémio da Lavoura de Estarreja e vereador na Câmara Municipal de Estarreja. Para além disso, presidente da direcção dos Bombeiros Voluntários de Estarreja, do Clube Desportivo de Estarreja, do Centro Recreativo de Estarreja e investigador da história local, com estudos publicados nos jornais e nas revistas “Arquivo do Distrito de Aveiro” e “Aveiro e o Seu Distrito”.

Ao Dr. Eduardo Costa, falecido em 1977, sucedeu na direcção de “O Jornal de Estarreja” o seu filho, Dr. Eduardo Carlos Costa, e poucos números depois o Dr. Norberto Costa, que embora com o mesmo apelido já não pertencia à família. Seguiram-se depois tempos difíceis para o jornal, que inclusive não se publicou num curto período. O jornal e as suas instalações foram entretanto adquiridos por uma sociedade, cujos sócios estavam ligados ao Partido Social Democrata. Acabaria por deixar a antiga casa, onde este partido mantém hoje a sua sede, deixando também de ter tipografia própria. Seguiram-se como directores o Dr. Dario Matos e o Professor Artur Castro Tavares, que foi igualmente proprietário, como os sucessores, terminando a ligação directa à política. Este último deu impulso ao jornal, que voltou a ser semanário e aumentou o número de páginas.

Nos últimos anos “O Jornal de Estarreja” tem sido dirigido pela Dra. Andreia Tavares (2004-2012) e agora pela Dra. Joana Sousa (2013). Um sinal dos tempos, pela primeira vez a história do jornal escreve-se no feminino e com formação académica na área do jornalismo.

In O Jornal de Estarreja, n.º 4803, 13.4.2017, p. 2

O Mercado Municipal de Estarreja

Padeiras no antigo mercado da Praça de Estarreja (Arquivo Municipal de Estarreja)

Data de 1812 a criação pela Câmara Municipal de Estarreja do mercado, aos domingos de manhã, na praça de Estarreja. Testemunham-no as actas camarárias e um documento do Desembargo do Paço, no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, este respeitante a preocupações do Mosteiro de Arouca, donatário da terra. Realizou-se assim, ao longo do século XIX, um mercado aos domingos de manhã, aproximadamente na actual Praça Francisco Barbosa, mas também um pequeno mercado diário, mais vocacionado para os alimentos frescos. É o que informam, entre outros, o Inquérito Industrial de 1865, o Código de Posturas Municipais de 1879 e o Anuário Comercial de Portugal, nos últimos anos do século.

No ano de 1911 o mercado, que até então era aos domingos, passou a realizar-se às quintas-feiras e domingos, conforme informava nesse ano o jornal O Concelho de Estarreja e deve constar nas actas camarárias coevas. Esclarecia em meados do século XX o Anuário Comercial de Portugal que às quintas-feiras havia o mercado geral, enquanto o domingo estava reservado para um mercado próprio e especialmente agrícola. O Jornal de Estarreja noticiava em 1954 que, a partir de Março desse ano, mudariam os dias de realização do mercado, passando a fazer-se às terças-feiras e aos sábados, dias que se mantiveram até hoje.

O projecto do actual mercado de Estarreja é de 1960, da autoria do Arq. António Linhares de Oliveira, do Porto, autor dos projectos de outros edifícios no centro do concelho, que nesta época conheceu profundas alterações urbanísticas. Na verdade, a aquisição da Quinta dos Temudos em 1952, pela Câmara Municipal, serviu o propósito da construção do actual mercado, das Casas dos Magistrados e do Quartel da GNR. Construíram-se ainda as instalações dos Serviços Municipalizados e uma nova rua principal (a actual Avenida 25 de Abril), ficando reservados terrenos para o Quartel dos Bombeiros Voluntários de Estarreja, ampliação dos CTT e um hotel-restaurante, entre outros edifícios, e planeando-se já um Parque Municipal.

A obra do novo mercado, noticiada com profundidade n’O Jornal de Estarreja, constava de seis pavilhões e incluía instalações frigoríficas. Foi adjudicada em 1961 ao empreiteiro Luís Costa, vindo a inaugurar-se em 14.6.1964. Presidia então a Câmara Municipal o Dr. Fernando Elísio Pinto Gomes. Os alimentos frescos (carne, peixe, legumes, ovos, fruta e aves) ocuparam o novo espaço, mas a feira ainda continuou por algum tempo na Praça Francisco Barbosa.

Vem isto a propósito da remodelação do mercado de Estarreja, recentemente iniciada, encerrando temporariamente a Avenida 25 de Abril e por 12 meses (previstos) o mercado, que transitoriamente fica a funcionar no Multiusos (antiga piscina) e estacionamento do Pavilhão Municipal. Entre as principais alterações projectadas foi noticiada a demolição do corpo sul do mercado coberto.

FEIRAS E MERCADOS DAS FREGUESIAS

Na freguesia de Beduído, além do mercado municipal acima descrito e da Feira de Santo Amaro, já abordada noutra ocasião, fez-se em tempos na Areosa uma pequena feira de gado bovino. Sabe-se que a feira de Nossa Senhora da Conceição, na Areosa, era realizada a 7 de cada mês em meados do século XIX, ocorreu igualmente nos dias 8 e finalmente nos dias 9. Era nos dias 9 que se fazia quando foi extinta, em 1901, integrando-se na Feira de Santo Amaro, que passou então a bi-mensal.

Entre o centro de Avanca e o largo de São Sebastião da mesma freguesia, alternou uma pequena feira de gado bovino, nos dias 2 de cada mês, durante a segunda metade do século XIX e início do século XX. Depois de extinta por longos anos, ainda se tentou reactivar em 1928, mas acabou por extinguir-se novamente. Sucedeu-lhe a feira dos 19 no largo de São Sebastião, em 1962, que no ano seguinte a Junta de Freguesia pretendeu instalar num terreno entre as estradas de Santo André e da Aldeia, e acabou por funcionar no mesmo local que o mercado.

Cabe dizer que o mercado de Avanca, às quartas-feiras, começou por realizar-se no largo da igreja, junto à capela de Santo António, desde 1928, e poucos anos mais tarde passou a fazer-se às quartas e às sextas-feiras. Nesse local permaneceu até à década de 1960.

Outras feiras e mercados, há muito extintos, houve em Avanca. A Memória Paroquial de 1758 dá conta da existência de uma feira a 30 de Dezembro, no terreiro da capela de Santo André, que era um «arraial de géneros comestíveis, caixas de madeira, carros e outras coisas de lavoura». Por outro lado inaugurou-se uma feira/mercado em 1919, em Água Levada, nos dias 19 de cada mês, que deve ter tido curta duração.

Os dias dos santos padroeiros foram já dias de feira em Fermelã (29 de Setembro, São Miguel) e em Salreu (11 de Novembro, São Martinho). Nesta última freguesia aceitou a Câmara Municipal que se fizesse uma feira de gado, nos dias 5 de cada mês, no lugar da Senhora do Monte, iniciada em 1914 e que pouco tempo deve ter durado.

Tem Pardilhó ainda hoje um mercado, aos domingos de manhã. Segundo o Pe. Ismael Matos, em 1888 a Junta de Freguesia deliberou sobre o local da venda do peixe à semana, que devia ser o mesmo do domingo. Sinal de que o mercado já se fazia. Sabe-se que em 1903 realizava-se no actual largo da igreja (nascente) mercado diário e maior ao domingo. Só muito recentemente o mercado se mudou do largo da igreja para a sua localização actual, em 2001, sendo o novo espaço inaugurado em 2003.

Mencionou o Dr. José Tavares ter a Câmara Municipal extinguido em 1858 uma feira de gado efémera em Pardilhó. Mais duradoura foi a Feira dos 9, criada em 1911, que passou a ser feita nos dias 9 e 23 a partir de 1927, por determinação da Câmara de Ovar. Mudada esta feira de gado do centro da freguesia para a Quinta do Rezende terminou, como as demais em Portugal, na década de 1980.

Refira-se finalmente que se fez um mercado do peixe em Veiros até finais do século XVIII, que se mudou para Pardelhas a fim de evitar o pagamento dos tributos devidos ao Mosteiro de Arouca.

As feiras de gado terminaram, em Estarreja e em Portugal, na década de 1980. Continuam hoje activos os mercados de Estarreja, Avanca e Pardilhó.


In O Jornal de Estarreja, n.º 4798, 3.2.2017, p. 2