terça-feira, 13 de junho de 2017

Ribeira do Telhadouro



Moliceiro em Pardilhó (postal de 1913).

A primeira referência escrita a Pardilhó consta de um caderno de pergaminho, com datação aproximada de 1346-1357, hoje à guarda do Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Consiste numa lista de casais e herdades do Mosteiro de Arouca, na terra de Antuã e Avanca. Aí se mencionam, entre as propriedades de Avanca, o casal do Talhadoyo e marinha do Talhadeiro, que devem referir-se ao Telhadouro de Pardilhó. Vestígios das velhas marinhas de sal que por ali terão existido no século X.


In “Ribeiras de Pardilhó” [folheto turístico desdobrável], Junta de Freguesia de Pardilhó/Ventos da Ria, Junho de 2016

Ribeira do Nacinho



Ribeira do Nacinho (2016).

Durante a Primeira República construíram-se aqui vários lugres, destinados à pesca do bacalhau. O mais célebre foi o José Estevam, cujo bota-a-baixo ocorreu em 1921 e pescou por conta de uma sociedade de pardilhoenses, a Empresa Industrial de Pardilhó. A sociedade possuía uma seca de bacalhau perto da ribeira da Aldeia (o nome de uma rua guarda essa memória), mas poucos anos durou e terminou com prejuízo, devido a um acidente sofrido pelo lugre perto da Terra Nova.

Com as obras recentes deixou de se ver o sítio da Praia do Bispo, que se diz dever o nome a D. Manuel Maria Ferreira da Silva (1888-1974), o único bispo natural de Pardilhó.

In “Ribeiras de Pardilhó” [folheto turístico desdobrável], Junta de Freguesia de Pardilhó/Ventos da Ria, Junho de 2016

Ribeira da Tabuada

 Ribeira da Tabuada (2016). 

Uma das várias ribeiras de onde partiam os agricultores para a Marinha de Ovar e as vendedeiras para o mercado diário de Ovar, práticas que no fim do século XIX constituíram pretexto para esse concelho tentar anexar a freguesia de Pardilhó.

A Marinha de Ovar, Tijosa e Torrão do Lameiro começaram a ser ocupados na segunda metade do século XIX por agricultores de Pardilhó, que ali viviam e trabalhavam à semana, mas vinham ao fim-de-semana à freguesia de origem abastecer-se de víveres e cumprir os preceitos religiosos. O mesmo sucedeu com as Quintas, a Norte da Torreira, povoadas por agricultores de Pardilhó e Bunheiro.

In “Ribeiras de Pardilhó” [folheto turístico desdobrável], Junta de Freguesia de Pardilhó/Ventos da Ria, Junho de 2016

Ribeira das Bulhas

Ribeira das Bulhas na década de 1990.


Possuindo uma fonte junta, era considerada em 1917 a segunda ribeira mais movimentada de Pardilhó. Ficam-lhe próximos os dois últimos estaleiros navais activos de Pardilhó, o do mestre António Esteves e, mais além, o do mestre Felisberto Amador. 

In “Ribeiras de Pardilhó” [folheto turístico desdobrável], Junta de Freguesia de Pardilhó/Ventos da Ria, Junho de 2016  

Ribeira das Teixugueiras

Ribeira das Teixugueiras na década de 1990.


O lugar das Teixugueiras foi um dos primeiramente habitados de Pardilhó, ali se referindo no século XVI o cultivo de milho e trigo. Era então um dos principais lugares da freguesia, confirmando a regra dos primeiros habitantes se estabelecerem junto da laguna.
 
In “Ribeiras de Pardilhó” [folheto turístico desdobrável], Junta de Freguesia de Pardilhó/Ventos da Ria, Junho de 2016  

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Ribeira da Aldeia (Pardilhó)





Carga e descarga de materiais de construção e outras mercadorias (postal da década de 1960); Procissão de S. Pedro de 1973; Parque de merendas e parque infantil (2016).


Desagua aqui a regueira da Tranqueira, escoante das águas que se juntam durante o inverno no Canedo de Além.

No início do séc. XX construíram-se na ribeira da Aldeia varinos e fragatas, destinados ao rio Tejo. E em 1956 fundou um estaleiro naval Manuel Dias Bastos, a quem deu continuidade até há poucos anos José Duarte da Silva (Pitarma), com Diniz Tavares de Matos, construindo e reparando barcos de recreio em madeira. Está hoje abandonado e ameaçando ruína o velho barracão em madeira, um dos últimos testemunhos dos vários antigos estaleiros navais de Pardilhó, localidade que acolheu no Estado Novo a sede do Sindicato Nacional dos Carpinteiros Navais do Distrito de Aveiro, abrangendo a Figueira da Foz.

Foi aqui a principal porta de entrada e saída de pessoas e bens de Pardilhó, ligando a freguesia a toda a região lagunar. A partir de 1973 e durante alguns anos a procissão do S. Pedro de Pardilhó seguiu até à Aldeia e ali também se festejava o S. Paio dos Ógados em Setembro.

Na década de 1990 abriu um café numa construção em madeira, posteriormente melhorada e ampliada, assim como as instalações desportivas da secção de canoagem da Associação Saavedra Guedes. Mais recentemente foram realizados outros melhoramentos: um parque de merendas, parque infantil e parque de caravanas.

In “Ribeiras de Pardilhó” [folheto turístico desdobrável], Junta de Freguesia de Pardilhó/Ventos da Ria, Junho de 2016

Ribeira de Mourão (Avanca)



Fotografia da Chalupa Estevam (1904).

Painel de azulejo alusivo ao S. Paio dos Ógados, existente na Ribeira de Mourão.

É a única ribeira da freguesia de Avanca, onde se situa a fronteira comum com as freguesias de Pardilhó e Válega. O nome Mourão deve-se provavelmente às estacas no cais onde se fixavam os barcos.

Num recanto próximo encontra-se uma antiga fonte e lavadouro (existem vários nos arredores), com a particularidade de possuir um painel de azulejo alusivo ao S. Paio dos Ógados. Há algumas décadas atrás, quando findava a festa do S. Paio da Torreira e os barcos regressavam aos esteiros de onde haviam partido, havia uma outra festa, o S. Paio dos Ógados, que juntava aqueles que não tinham podido ir à Torreira aos que de lá vinham.

Aqui terá visto a água pela primeira vez uma das primeiras embarcações de recreio da Ria de Aveiro, a chalupa Estevam. Construída em 1904 num armazém em Avanca (onde depois se instalou a empresa Janeves), por Francisco Nunes de Matos (Fateixas), um dos principais construtores navais de Pardilhó. Quem a encomendou foi Matheus Soares Belo, um murtoseiro que emigrou e enriqueceu no Brasil, tendo-se radicado em Avanca quando regressou a Portugal. Ficou guardada a fotografia da embarcação na família, pertencendo hoje ao Eng. Avenilde Valente, neto do primeiro proprietário.

In “Ribeira de Mourão” [folheto turístico desdobrável], Junta de Freguesia de Avanca/Ventos da Ria, Junho de 2016